Com trabalhos distribuídos pela Nikita Music, artistas de diferentes regiões e estéticas apontam novos caminhos para a música popular brasileira ao integrar autoria, território e linguagens contemporâneas
São Paulo, fevereiro de 2026 – O surgimento de novos 'cantautores', artistas que assinam a própria composição e interpretação de suas músicas, vem impulsionando a Nova MPB e ampliando os diálogos da música popular brasileira com gêneros regionais e linguagens contemporâneas. Dados do relatório Loud & Clear, do Spotify, indicam crescimento contínuo de lançamentos autorais independentes no país e maior presença desses artistas em playlists editoriais e algorítmicas de MPB, música alternativa e regional. Nesse contexto, selos como a Nikita Music têm atuado como agentes estratégicos na distribuição e no desenvolvimento de artistas que operam fora do eixo tradicional da indústria musical.
O movimento acompanha transformações estruturais no consumo de música no Brasil, como a consolidação de ferramentas de distribuição direta, o fortalecimento de selos independentes e a ampliação de circuitos artísticos voltados à diversidade regional e à nova canção brasileira. Festivais, editais públicos e programações de centros culturais também têm ampliado espaço para artistas autorais que operam fora do eixo Rio–São Paulo, contribuindo para uma cena mais descentralizada e plural.
Para Felippe Llerena, diretor executivo da Nikita Music, o crescimento desses 'cantautores' sinaliza uma mudança no próprio entendimento da MPB. “A música popular brasileira deixa de funcionar como um gênero delimitado e passa a operar como uma linguagem aberta, capaz de absorver referências regionais, urbanas e contemporâneas sem perder sua essência autoral”, afirma. Nesse cenário, a Nova MPB se consolida como um campo em expansão, no qual a canção brasileira incorpora ritmos regionais, música urbana e elementos do pop contemporâneo, ampliando seu alcance e atraindo novos públicos.
A seguir, Llerena destaca oito movimentos-chave, representados por artistas independentes que vêm redesenhando a MPB a partir de diferentes territórios estéticos e geográficos:
1. Poesia como eixo central da canção autoral - Raissa Fayet: a cantora prioriza densidade poética e narrativa, reforçando uma vertente da MPB em que a escuta atenta e o texto ocupam lugar central, dialogando com tradições da canção brasileira sem perder contemporaneidade.
2. Sensibilidade pop como linguagem de ampliação de público - Luana Flores: ao transitar entre MPB e pop contemporâneo, Luana Flores aproxima a canção autoral de formatos mais acessíveis, ampliando seu alcance junto a novos públicos sem abrir mão da identidade artística.
3. Música regional como experiência coletiva - Pisada da Jurema: a Pisada da Jurema combina ritmos regionais, identidade territorial e performance coletiva. O projeto reflete uma MPB expandida, em que a canção se constrói a partir do encontro entre tradição, comunidade e expressão contemporânea.
4. Intimismo e estética alternativa na nova canção - Marela: Marela se insere em uma vertente da MPB que valoriza intimismo, vulnerabilidade e estética alternativa. Letras e arranjos dialogam com a música independente global, mantendo a canção brasileira como referência estrutural.
5. Amazônia como centro criativo da MPB contemporânea - Íris da Selva - Íris da Selva desloca o eixo geográfico da MPB ao conectar a canção brasileira às sonoridades amazônicas, incorporando referências regionais da floresta e do Norte do país.
6. Referências latino-americanas como expansão estética - Natasha Llerena: a artista integra referências latino-americanas à canção brasileira, reforçando a MPB como linguagem aberta e conectada a fluxos culturais do continente.
7. Música urbana em diálogo com a tradição da canção - Versa: Versa aproxima música urbana e MPB, mostrando como rap, R&B e outras linguagens contemporâneas dialogam com a estrutura da canção brasileira, ampliando seu vocabulário estético.
8. Trânsito fluido entre MPB e pop contemporâneo - Robert: Robert ilustra a fluidez entre MPB e pop brasileiro. Ao circular entre esses universos, o artista reforça a tendência de gênero como ferramenta expressiva, alinhada às dinâmicas digitais e à criação independente.
Ao comentar a ampliação das fronteiras estéticas da MPB e a diluição de limites entre gêneros musicais, Felippe Llerena avalia que o momento atual reflete uma mudança estrutural na forma como a música popular brasileira é produzida, classificada e consumida.“Estima-se que existam mais de 300 gêneros musicais diferentes no Brasil. Quem disse que isso não é tudo MPB?”, provoca Felippe Llerena. “Hoje, os gêneros se misturam, formam novas vertentes e continuam sendo expressões legítimas da música popular. Há uma geração inteira ocupando esse espaço com protagonismo autoral.”
O avanço desses artistas sinaliza uma MPB em constante transformação, que se fortalece ao incorporar diversidade regional, novas linguagens e modelos independentes de criação. Mais do que um gênero, a MPB se consolida como um campo vivo de experimentação cultural. O trabalho desses artistas está disponível nas principais plataformas digitais, como Spotify, Apple Music, Deezer e YouTube.


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