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terça-feira, 5 de maio de 2026

Nobel da Paz Dmitry Muratov crê que “jornalismo profissional salvará o mundo” do fascismo

O jornalista russo Dmitry Muratov criticou a propagação de mentiras e defendeu o papel do jornalismo profissional durante evento da Federação Internacional de Jornalistas, em Paris.



O jornalista russo Dmitry Muratov afirmou que a verdade “já não importa” no cenário atual e alertou para o avanço da desinformação global, durante participação nas celebrações do centenário da Federação Internacional de Jornalistas, realizadas em Paris. As declarações foram feitas por meio de uma mensagem de vídeo pré-gravada.


Segundo Muratov, a verdade tornou-se um bem caro, muitas vezes associado a riscos extremos para quem a busca. “Para obtê-la, por vezes é preciso arriscar a própria vida, ao passo que as mentiras são baratas: o seu poder de disseminação online e a sua viralidade são mil vezes maiores”, afirmou.


O jornalista destacou ainda o papel de campanhas de desinformação promovidas por regimes autoritários, que, segundo ele, buscam impedir a contestação de narrativas falsas. Nesse contexto, criticou o argumento de que a verificação de fatos violaria a liberdade de expressão. “A verificação de factos deve ser restabelecida e os profissionais devem regressar ao seu devido lugar para impedir que a Inteligência Artificial incorra em mentiras”, acrescentou, em referência à crescente produção de conteúdos falsos com o uso de tecnologias digitais.


Muratov já havia abordado o tema em novembro do ano passado, durante o Vigo Global Summit, ao afirmar que a propaganda deixou de ser apenas vertical — controlada por governos ou grandes instituições — e passou a ser também horizontal, impulsionada por indivíduos que disseminam desinformação e discursos de ódio, fenômeno ampliado pelo uso da inteligência artificial.


Na mensagem exibida em Paris, o jornalista também defendeu a relevância do jornalismo profissional diante de questionamentos sobre sua utilidade. “Muitas pessoas hoje perguntam: ‘Para que serve o jornalismo profissional?’. Eu respondo com outra pergunta: ‘Você preferiria que um blogueiro o operasse em um hospital em vez de um cirurgião?’”, comparou.


A participação foi encerrada com a exibição de sua carteira de membro da FIJ, organização que reúne cerca de 600 mil profissionais em mais de 140 países, acompanhada da frase: “Este cartão abre todas as portas”.


Cofundador do jornal Novaya Gazeta, crítico ao governo russo, Muratov viu seis de seus jornalistas serem assassinados desde a criação do veículo, em 1993 — entre eles Anna Politkovskaya.


Ele foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz em 2021, ao lado da jornalista filipina Maria Ressa, “pelos seus esforços para salvaguardar a liberdade de expressão”. Muratov é o terceiro cidadão russo a receber a honraria, após Andrei Sakharov e Mikhail Gorbatchov.


Informações da Agência Lusa.

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