"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 17 de setembro de 2011

“Forró” eletrônico contemporâneo e seus inconvenientes


Autor:Robson Fernando de Souza
Fonte: www.artigos.com)

O chamado “forró” eletrônico contemporâneo (entre aspas por vários motivos que o tornam um não-forró) divide opiniões em todo o Nordeste. Tendo seu auge na segunda metade da década de 2000, esse ritmo ora é apreciado por jovens como um incentivo à curtição oba-oba, desregrada e desinibida da juventude ora é pesadamente criticado por incentivo à promiscuidade e perversão sexuais, banalização da traição, apologia do alcoolismo, coisificação feminina e louvor a um hedonismo irresponsável.

Cabe mostrar aqui por que tanta gente reclama do estilo e de sua popularidade e deseja tanto o fim de sua hegemonia na música nordestina. Esse que, por conveniência, chamarei aqui de FF – Falso Forró – merece muito mais debate do que há hoje e necessita de abordagens éticas, educacionais, sociológicas e antropológicas. Textos como este contribuem para a incitação dessa discussão entre a sociedade.

Os ouvidos dos nordestinos, ao longo dos últimos anos, vêm sendo sacudidos, desejada ou indesejadamente, por versos de efeito-chiclete como “Chupa, chupa, chupa que é de uva”, “Abre, abre, abre-abre-abre”, “Piri-piri, piri-piri, vamo beber, vamo beber”. Muitos adoram e celebram os prazeres sexuais da juventude que por tanto tempo foram reprimidos pela tradição católica nordestina e liberados pela superação das velhas normas sociais repressivas.

Por outro lado, tantos odeiam o ritmo, por uma série de motivos que fazem dele um veículo de comportamentos libertinos e até nocivos. Vale descrever os pontos mais criticados do FF:

a) Apelo sexual e apologia ao sexo irresponsável
Seja pelas letras de pornografia implícita ou escancarada – em que são exaltadas as delícias do sexo e posições sexuais como sexo oral, abertura de pernas e até a penetração –, pelo figurino sumário das dançarinas, vestidas com “pedaços de pano” que por pouco não deixam de cobrir suas partes íntimas, ou mesmo pelo comportamento dos cantores no palco, o tema pornográfico é muito frequente. É, aliás, um dos pilares temáticos do FF. São corriqueiras também as danças sensuais e os gemidos eróticos de vocalistas femininas.

Também destaca-se a irresponsabilidade da forma como o sexo é abordado no FF, com a falta de dedicação à segurança da camisinha e a cativação de um público adolescente que ainda está aprendendo suas primeiras noções sexuais. Os efeitos esperados da pornografia musical do ritmo são uma maior ferveção juvenil por sexo e um grande aumento da suscetibilidade de adolescentes à maternidade/paternidade indesejada e à transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.

A sexualidade do FF não seria um problema preocupante se o estilo não tivesse grande parte de uma geração adolescente como público-alvo e não induzisse tantos jovens na flor da idade (entre 13 e 24 anos) ao sexo irresponsável e inconsequente que gera filhos(as) indesejados(as) e propaga patologias.

b) Exaltação à prostituição
Os cabarés “pegam fogo” e jovens homens dirigem caminhonetes cheias de prostitutas – essa é a segunda parte da temática relativa ao erotismo no FF. Não seria intrinsecamente um mal se não incomodasse tantas pessoas que, adotando determinados valores culturais de moral e decência, acabam “obrigadas” a ouvir o que não gostam – apologias ao sexo pago – por causa do alto volume dos carros dos curtidores do estilo, se não cantasse a prostituição de forma a induzir à libertinagem e à irresponsabilidade sexual como é feito na maioria das músicas com esse tema e se não se concentrasse na prostituição feminina.

É, aliás, o fato de haver apenas prostitutas mulheres nas músicas um dos ingredientes da misoginia moral característica do ritmo, a qual transforma moças em brinquedos sexuais, como exposto no próximo ponto.

c) Misoginia moral e machismo
Há uma relação de dominação sexual do homem sobre a mulher em muitas canções do FF: as mulheres são cantadas como nada mais que brinquedinhos de sexo usados pelos “safados”, “gostosões” e “garanhões” nas horas “quentes”. Elas, sendo ou não prostitutas segundo as letras, são concubinas de sexo e eles, seus parceiros, são os comandantes da cama. Tem destaque a música “Lapada na Rachada”, que fez sucesso em 2006, em que a vocalista, entre gemidos, diz “Sou sua cachorrinha”.

Em tempos de avanços na diminuição da desigualdade de gêneros e do regime social do machismo, a reanimação desse comportamento não poderia ser pior e mais interferente, uma vez que atrapalha muito a afirmação da mulher como pessoa independente, sexualmente assertiva, senhora de si mesma e ávida por respeito e reconhecimento de sua dignidade perante os homens.

O machismo do FF também é uma investida contra a dignificação feminina porque ajuda a manter uma cultura discriminatória, em que o homem que “pega” muitas mulheres é o “garanhão”, o “gostosão” e a mulher que se relaciona com muitos rapazes é vista como “cachorra”, “vagabunda” e outras desqualidades mais, e fomenta o desejo sociocultural do homem de se afirmar como dominante sexual, deixando em última análise uma situação macrossocial mais suscetível à ocorrência de estupros.

d) Incentivo à infidelidade, banalização da traição conjugal, desvalorização do amor
Muitas bandas descrevem como fundamentos temáticos do ritmo “cachaça, mulher e gaia”. A última nada menos é do que o “chifre”, a traição conjugal. O amor fiel, o romance e o namoro respeitoso foram escanteados na cultura juvenil que o FF ajudou a erguer no Nordeste.

As letras que falam como é “bom” trair o(a) parceiro(a) vêm influenciando significativamente o comportamento amoroso dos jovens. Não há pesquisas sociais largamente disponíveis sobre o assunto, mas alguém que convive com admiradores desse estilo musical constatará que é quase generalizado que o curtidor de FF tenha tido uma ou mais relações amorosas paralelas ao seu namoro, ainda que breves.

Poderia ser apenas uma mudança inofensiva de costume social em que a dedicação a uma única pessoa fosse substituída pela divisão consentida do indivíduo entre o namoro principal e relações conjugais efêmeras paralelas. Mas isso não parece ter acontecido, uma vez que muitos dos relacionamentos em que traições foram descobertas desintegram-se em conflitos, na degradação dos sentimentos mútuos e no rompimento definitivo entre os companheiros.

e) Apologia ao alcoolismo
O alcoolismo social tornou-se ainda mais forte entre a juventude nordestina com a ascensão do FF nas rádios e palcos da região. A própria embriaguez é cantada como algo “bacana”, como sendo “o máximo”. Beber cerveja ou cachaça até cair é praticamente uma ordem dada por muitas canções, com destaque para as músicas “Piri-piri, vamo beber, vamo beber” e “Beber, cair e levantar”, que fizeram sucesso em 2007 e 2008.

As consequências esperadas para a exaltação do consumo imoderado e irresponsável de bebidas alcoólicas são as piores possíveis, incluindo-se o estímulo ao aumento dos acidentes de trânsito envolvendo motoristas bêbados e da violência doméstica cometida por homens ou mulheres nessa condição.

f) Parceria com vaquejadas
Canções exaltando a cultura das vaquejadas, eventos ditos “esportivos” que lançam mão da crueldade contra animais (bois e cavalos) para acontecer, são mais raras no FF, mas há uma parceria fiel entre bandas desse estilo e tais atividades. Atualmente, no cronograma de qualquer vaquejada, há shows com a presença desse ritmo. É uma aliança em que os ataques à moralidade somam-se às agressões contra bichos.

***

Saem ganhando as bandas (e seus empresários), que obtêm muito dinheiro no faturamento dos shows e nos patrocínios; as indústrias de bebidas alcoólicas; os donos de bares e os organizadores de vaquejadas. Saem perdendo os namoros, noivados e casamentos; as famílias que sofrem – muitas vezes com perda de vidas – com acidentes de trânsito ou violências domésticas; os valores do amor, do respeito conjugal e da fidelidade; as mulheres e sua dignidade; e os animais.

Pergunta-se muito: o que se pode fazer para parar as consequências do avanço do Falso Forró sobre a juventude nordestina? Como será possível curar as feridas socioculturais infligidas? Como se conseguirá implementar, depois de anos de domínio desse ritmo nos rádios e na cabeça dos jovens, uma cultura de respeito, responsabilidade e consciência? O tempo vai dizer como essas perguntas serão respondidas. 

Por enquanto, muito pouco ainda vem sendo feito para coibir os abusos do FF, destacando-se a iniciativa da Prefeitura de Caruaru de proibi-lo nas festas juninas de 2009 e liberar apenas forró pé-de-serra e o forró estilizado mais tradicional, com letras moderadas. A discussão de novas ações de hoje em diante é muito necessária entre sociólogos, educadores, músicos, jovens e outras categorias interessadas na correção dos problemas que o ritmo aqui abordado vem causando.

“Pós modernidade”, moda cultural do neoliberalismo

Por José Carlos Ruy (*)

Portal Vermelho

A “pós-modernidade” é um tema que emergiu especialmente após a década de 1970, embora suas teses fossem anteriores. Sua emergência (nos anos 70) refletiu as mudanças que ocorriam no sistema capitalista. O termo “pós-moderno” acaba trazendo alguma confusão para os desatentos. Há um sentido explícito de superação da modernidade. Ele não representa propriamente uma novidade no campo do pensamento, mas a acentuação de tendências mais antigas e permanentes no pensamento burguês.

Muitas das ideias que surgem como “novidade” estão enraizadas nesse pensamento burguês que vem desde o século 19, com uma ênfase no indivíduo e no conflito (ou contradição) entre este e a sociedade, ideia que se fortaleceu desde Kant (pensador alemão do século 18). 

A pós-modernidade enfatiza e superestima o papel individual sobre o social e apregoa isso com um sentido retrógrado, especialmente após a queda do Muro de Berlim e a extinção do socialismo nos países do Leste europeu, quando se proclamou o “fim da história” e a vitória final do capitalismo sobre o socialismo.

O pós-modernismo, como um modismo cultural, é paralelo à hegemonia do neoliberalismo e corresponde a ela. Sua emergência está fortemente vinculada às mudanças ocorridas nos países de capitalismo desenvolvido (na Europa e nos EUA, particularmente) a partir da década de 1960.

Uma derrota para os trabalhadores

O arranjo político estabelecido depois da II Guerra Mundial, que fundamentou o estado do bem-estar social, trouxe para o núcleo do aparelho estatal correntes ligadas ao movimento operário. Partidos socialistas e comunistas e a estrutura sindical passaram a fazer parte do bloco governante, com impacto na própria política defendida por aqueles partidos e organizações. 

Quando o capitalismo começou a dar os primeiros sinais da crise de que ainda sofre hoje, mais de meio século depois, o movimento operário representado por aquelas organizações sindicais e políticas não conseguiu formular uma proposta avançada para ela. Refém de políticas reformistas, foram incapazes de assumir papel dirigente quando a resistência operária e popular eclodiu sob forma insurrecional, nos famosos movimentos de 1968. E em países como Itália e França juntaram-se aos governos contra aqueles movimentos.

Neste sentido, a efervescente atividade operária na Europa e nos EUA na década de 1960, decaiu do status de revolução social, de luta de classes, para uma mera transformação cultural. Dava ênfase a aspectos superestruturais (liberação feminina, luta contra o racismo, pela afirmação da juventude etc.) e na resistência contra a guerra do Vietnã. 

Isto é, incapaz de formular uma saída proletária para a crise do capitalismo, as organizações políticas e sociais ligadas aos trabalhadores entraram num processo de degenerescência política e eleitoral cuja culminância seria, poucas décadas depois, na crise organizativa vivida a partir dos anos 80.

Aqueles acontecimentos têm uma qualificação: representaram uma derrota para os trabalhadores, para a luta do proletariado e para o avanço para o socialismo. Eles prepararam o caldo de cultura político que, já no final da década de 1970, levou à hegemonia neoliberal com a ascensão de Margareth Thatcher (em 1979) como primeira ministra britânica, a eleição de Ronald Reagan para a presidência dos EUA (em 1980), e à virada privatizante do governo de François Mitterrand (eleito em 1981) na França.

O alto ritmo de crescimento das economias capitalistas, que vinha desde o final da II Guerra Mundial, começou a desacelerar desde o final da década de 1950. Os trabalhadores resistiam também às rotinas alienantes e repetitivas do trabalho nas empresas capitalistas e, ao mesmo tempo, exigiam salários mais altos e condições de trabalho mais adequadas. A saída conservadora para aquela crise deu à burguesia os instrumentos políticos que lhe permitiram dobrar a resistência operária e impor perdas sociais, salariais, e organizativas para os trabalhadores. 

Financeirização

Em sua busca para potencializar os lucros, as empresas capitalistas adotaram várias estratégias para derrotar os trabalhadores. Uma delas foi a migração das instalações industriais para locais onde os salários fossem mais baixos e a organização dos operários mais frágil. 

Nos EUA, por exemplo, as empresas iniciaram uma migração dos tradicionais centros operários do nordeste do país (como Michigan, Pensilvânia, Nova York) para estados do sul; ultrapassar a fronteira foi um passo, em busca da mão de obra barata na América Latina, transbordando depois para nações mais distantes na Ásia, como a Indonésia ou, na década de 1980, a China.

Na Europa a ânsia por mão de obra barata moveu a produção capitalista rumo ao leste, principalmente depois das mudanças radicais vividas pelas antigas democracias populares do bloco soviético, e também à atração de fortes correntes de migrantes vindos de países latino-americanos, asiáticos e africanos, que vendiam a preços aviltados sua força de trabalho nos países ricos europeus.

Neste período a acumulação capitalista mudou de rumo; a produção fabril, nos países ricos, deixou de ser seu eixo principal, substituída preferencialmente por investimentos financeiros cada vez maiores e mais sofisticados. A produção industrial começou a declinar, o número de trabalhadores ligados à produção encolheu, e houve um acentuado crescimento no setor de serviços. O trabalhador típico deixou de ser aquele que antes manipulava peças de automóveis e seu lugar foi ocupado crescentemente por trabalhadores precarizados.

A ética “produtivista” anterior, que legitimava o lucro obtido na produção e preconizava a vida austera e a economia para o futuro, foi crescentemente substituída por uma lógica de jogo, de cassino, guiada pela lógica do “destino”, do “azar”, sob a qual o que vale é viver o presente (carpe diem, como dizia um filme que fez época, “Sociedade dos Poetas Mortos”).

As mudanças no pensamento acompanham e correspondem a essas transformações ocorridas na sociedade. A França foi um dos lugares pioneiros da formulação do que se convencionou chamar de pós-modernismo. Lá, no pós-guerra, o prestígio do comunismo e da União Soviética foi a base para a presença marcante do marxismo entre os intelectuais e artistas, fomentando um debate cujos desdobramentos ocorreram de forma paralela às mudanças na produção, e na própria luta de classes, que se aprofundou principalmente depois do 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 1956. O choque das denúncias feitas pelo dirigente soviético Nikita Kruschev provocou, inicialmente, uma divisão no movimento comunista, opondo os marxistas que se pode chamar de “ortodoxos” àqueles que manifestavam seu desencanto através da busca de um marxismo “humanista”, sem compromissos claros com a mudança social e a luta de classes, e fortemente crítico em relação à ortodoxia soviética.

Anti-marxismo

O passo seguinte foi o crescente abandono do marxismo por inúmeros intelectuais e a passagem para formas de pensamento que, ainda reivindicando algum precário compromisso libertário (Michael Foucault é um exemplo veemente), que rompiam com a compreensão da história como um processo que pode ser conhecido e no qual se pode intervir, e com o próprio conhecimento científico. Saltavam para o primeiro plano, desta forma, linhas teóricas que defendiam uma história sem processo e enfatizavam o discurso, desprezando a correlação entre o pensamento conceitual, o mundo material e objetivo, e a ação prática concreta dos homens. 

Estava aberta a porta, assim, para a hegemonia do “pós-modernismo”, uma forma de pensamento que rompeu com o materialismo e com qualquer compromisso com a compreensão do mundo real e com programas coletivos de intervenção no curso dos acontecimentos. E que corresponde à “lógica de jogo” que passou a predominar, na qual não se pode ter certeza de nada a não ser do efêmero presente – e também que, como nos jogos de azar, há poucos vencedores e muitos perdedores que, por partilhar a lógica do azar, “não podem reclamar” do destino, nem interferir nele. 

"Atitude intelectual genérica"

Outra consequência foi a inauguração de um relativismo radical na consideração de todas as atividades culturais, sociais, humanas; esta é a raiz dio “multiculturalismo” que acompanha esta maneira de pensar e que valoriza de forma equívoca a relevância das múltiplas contribuições culturais dos variados grupamentos humanos. Enfim, esta é a faceta do “vale-tudo” pós-modernista, em cuja esteira estão: a desvalorização de movimentos políticos organizados, da ação coletiva e dos partidos, a atomização da ação social em movimentos fragmentários, a valorização do efêmero e do instantâneo, a recusa à pesquisa e compreensão da mudança e do avanço. Dentro do vale tudo pós-modernista, tudo é igual, tudo permanece, tudo é valorizado pelo que “parece ser” e não pelo que “é”.

A dificuldade em se definir o que seja pós-modernismo decorre disto. É um rótulo que designa inúmeras e muitas vezes contraditórias correntes artísticas e intelectuais, que o historiador espanhol Julio Ariostégui definiu, em minha opinião com uma precisão paradoxal, com a expressão “atitude intelectual genérica”.

Um dos marcos fundamentais na formulação do pós-modernismo foi a publicação na França, em 1979, do livro La condition postmoderne, de Jean-Francois Lyortard (traduzido no Brasil com o título O pós-moderno, em 1985), obra que se transformou numa espécie de catecismo inicial desta forma de pensar. Ali está o rompimento com o marxismo e com a tradição iluminista, a pretexto dos desastres que a “razão instrumental” teria provocado. Em outro lugar, Lyotard cita os assassinatos em escala industrial ocorridos no campo de concentração nazista de Auschwitz como exemplo da degeneração da “razão”. Ali está também o “giro linguístico” que punha a ênfase no discurso. 


Tudo passava a ser considerado dentro do campo do discurso, sendo o mundo encarado como um conjunto de fenômenos linguísticos. O critério de verdade deixa de ser a correspondência entre o enunciado e o mundo real e objetivo ao qual ele se refere, substituído apenas pela coerência interna do enunciado. Neste sentido, toda e qualquer questão filosófica passa a ser tratada apenas como um problema de linguagem. Ao contrário do processo de conhecimento que busca uma aproximação do Real, houve um deslocamento discursivo do Real. A partir daí, nem mesmo o conhecimento científico é mais importante e há uma recusa a ele (há mesmo uma denúncia do conhecimento científico, como “técnica” ou “razão instrumental”) que fundamenta o desprezo a qualquer possibilidade de explicação objetiva do mundo. E se fortaleceu a ideia relativística de que tudo é válido e todas as explicações verbais (discursivas) seriam legítimas.

O que é "modernidade"?

Termino com uma reflexão e uma pergunta: o que é a modernidade? Para os comunistas e os marxistas, a questão pode estar mal colocada e a “modernidade” se contrapõe ao problema da revolução. A ideia de modernidade define a modernização capitalista do mundo, que se manifestou nos séculos passados na luta contra o passado feudal, e antigo, que precisava ser superado. E a “modernidade” continua descrevendo, na época do declínio do capitalismo e da necessidade da abertura da transição para o socialismo, a modernização capitalista. Neste sentido, ela não traz nada de fundamentalmente novo, pois o moderno, numa compreensão mais profunda e contemporânea, significa rompimento com o capitalismo e alteração não da aparência das relações sociais (com seus modismos consumistas e tecnológicos), mas da essência destas relações, transitando para formas de sociabilidade baseadas na busca do atendimento das necessidades humanas prementes, e não do lucro. Assim, “modernidade” não significa ruptura dentro do sistema capitalista, mas apenas acomodações teóricas sempre com a finalidade de perpetuá-lo e a seu status quo.


(*) Este texto é um resumo de minha apresentação ao debate “Pós-modernidade, Cultura e Educação: tensões e contradições”, realizado pelo Coletivo de Cultura do Comitê Distrital do PCdoB de São Paulo (SP), em 6/9/2011. Agradeço à Mazé Leite por ter anotado minha fala e organizado este texto, que revisei para esta publicação e portanto assumo a responsabilidade pelos erros que possam existir nele. 

Multidão toma ruas na Europa e EUA contra mercados financeiros


Na manhã de sábado (17/09), centenas de pessoas se concentraram nas imediações da Bolsa de Valores de Madrid para protestar contra o mercado financeiro do país. A reivindicação faz parte da iniciativa conhecida como “Occupy Wall Street” (Ocupar Wall Street, em tradução livre) que mobilizou protestos semelhantes em frentes às bolsas de valores de 74 cidades pelo mundo.


Como o nome indica, a ação foi iniciada nos Estados Unidos, onde um protesto deverá tomar a Wall Street, símbolo do mercado financeiro do país, na noite deste sábado. O ponto de encontro entre os manifestantes é a estátua do Touro da Wall Street, que simboliza a agressividade do mercado financeiro norte-americano. 

Embora semelhantes, cada cidade impõe suas demandas em protestos que deverão durar, pelo menos, até o próximo domingo (18/09). Em Nova York, os manifestantes demandam uma economia a serviço das pessoas, a regulação dos mercados financeiros, a limitação da influência desses mercados na vida política, a criação de um banco público e uma partilha justa e equitativa da riqueza. 

Em Madrid, a manifestação foi convidada pelo movimento 15-M, conhecidos como “indignados”, que foram às ruas do país nos últimos meses para exigir reformas políticas, econômicas e sociais. 

No protesto, iniciado às 12 de Madrid (07h no horário de Brasília), os manifestantes trazem faixas com dizeres como “FMI, deixe-nos viver”, “Ditadura dos mercados”; “A Bolsa ou a vida”, “Cuidado com a carteira, você está na Bolsa”, “Bancos sim; públicos e para sentar-se”, entre outras em protesto com o sistema financeiro do país. 

Em meio à crise econômica que afeta países europeus e também os Estados Unidos, diversas manifestações ainda deverão ocorrer neste final de semana em nações como Alemanha, Holanda, Portugal, Grécia, França, entre outras, reunindo milhares de pessoas. 

Fonte: Operamundi com informações do jornal El Mundo e da emissora CNN

O PT e a Corrupção - Caso Santo Amaro Bahia



PT fez oposição a Prefeito Corrupto e depois o filiou e ainda aderiu ao seu governo repleto de irregularidades. São mais de 10 Milhões envolvidos em esquemas.


Convite de filiação constrangedor aos filiados históricos do PT!!!
Convite de filiação constrangedor aos filiados históricos do PT!!!



Na Bahia, o Partido dos Trabalhadores, do Governador Jacques Wagner, denunciou o prefeito de Santo Amaro por corrupção envolvendo mais de 10 milhões de reais do erário público. O inusitado é que mesmo com os crimes apontados pela CGU e com as contas rejeitadas pelo TCM, o prefeito conseguiu se filiar ao próprio PT na tentativa de evitar sua inelegibilidade nas próximas eleições, alegando em público poder usar a influência do Governador.

O Prefeito de Santo Amaro-BA, Ricardo Machado, encontrou uma maneira singular de livrar-se da onda de combate a corrupção que cresce no Brasil, filiou-se ao partido do Deputado Federal Ruy Costa, que participa com ele do capital de diversas empresas prestadoras de serviço na terra de Dona Canô Veloso (104 anos), diga-se de passagem todas elas participantes de processos licitatórios irregulares denunciados à justiça.


O alcaide da cidade de Caetano propaga que só é punido quem não está do lado do poder, segundo ele: a Bahia agora é vermelha. No dia do aniversário da mãe dos grandes artistas locais, 16 de setembro, além do bolo terá também a festa de filiação do prefeito, que tem como secretário de cultura o irmão mais velho de Maria Bethânia, Rodrigo Veloso. Esperto o rapaz, usa a família notória como escudo.


Já são mais de 10 milhões de reais desviados dos cofres públicos, inclusive, o Governador Jacques Wagner solicitou um dossiê para estar a par da situação local. A surpresa é que diante de tantos crimes foi necessária a filiação do prefeito ao PT para proteger a imagem do deputado Ruy Costa, maior aliado do Governador. 

Enquanto isso o PT vai fazendo sua faxina no resto do Brasil. A Polícia Federal, o Ministério Público, a CGU entre outros órgãos já têm conhecimento dos fatos. Ao leitor interessado nesta matéria procure na internet o relatório da CGU sobre Santo Amaro-BA. As contas no TCM foram desaprovadas, porém não serão julgadas tão cedo graças ao tráfico de influência. Acesse o site do TCM-BA ou ligue pedindo informações.


Brasil, um país sem miséria, um país de riquezas para poucos através da corrupção! 

Manifestação em São Paulo pede democratização da comunicação


 Cerca de 100 pessoas, segundo a Polícia Militar, participaram neste sábado (17), no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, de uma manifestação pela democratização da comunicação no Brasil. Organizado pelo Movimento dos Sem Mídia, o objetivo é cobrar dos veículos de comunicação uma cobertura imparcial dos casos de corrupção no Brasil, independentemente da esfera de governo e do partido envolvido nas denúncias.
De acordo com Antonio Donizete da Costa, um dos organizadores da manifestação, o movimento lançou também uma campanha nacional de apoio à democratização e regulamentação dos meios de comunicação. “Aqueles que quiserem apoiar a campanha poderão se manifestar por meio de um abaixo-assinado que ficará disponível no Blog da Cidadania”, disse Donizete. O documento será encaminhado para a Frente Parlamentar pela Democratização da Comunicação, da Câmara Federal.
O Movimento dos Sem Mídia reivindica ainda a descriminalização dos movimentos sociais. “A mídia trata muito a questão de movimentos sociais como se fosse caso de polícia e quem fazia isso era a ditadura militar. Hoje estamos em um regime de pleno Estado de Direito e democrático. Essa postura da mídia também é nociva para a sociedade”, declarou.
Fonte: Agência Brasil.

Resultados Série B - 24ª Rodada


1  X  1Sport16/09/2011 
20:30
3  X  1Criciúma16/09/2011 
20:30
Vila Nova1  X  2Bragantino16/09/2011 
20:30
G.Barueri2  X  1Ponte Preta16/09/2011 
20:30
São Caetano1  X  1Americana17/09/2011 
16:20
Guarani0  X  2Portuguesa17/09/2011 
16:20
Náutico1  X  017/09/2011 
16:20
Paraná1  X  117/09/2011 
16:20
Icasa0  X  1Boa Esporte17/09/2011 
16:20
ABC0  X  017/09/2011 
16:20

Violência nos dias Atuais


Análise da Violencia
Professor Danilo Freire
Atualmente, a população mundial vive a era do medo, que tem como protagonista o terrorismo e a violência, pois diariamente assistimos aos noticiários que abordam a guerra do Iraque, os conflitos constantes no Oriente Médio e, além disso, os confrontos entre policiais e traficantes nas favelas da Rocinha e do complexo do Alemão no Rio de Janeiro, entre outras reportagens que envolvem assuntos relacionados à violência.
Falando sobre a era do medo em nível mundial, podemos apontar o terrorismo como a sua principal causa, pois o terror pode agir a qualquer momento e em qualquer lugar, pois o terrorista percebeu que atacando uma nação ele tem um grande poder, mesmo sem possuir um arsenal e milhares de soldados prontos para o combate, como fazem os americanos na guerra do Iraque e os israelenses e palestinos no Oriente Médio. Um exemplo claro disso, são os líderes da organização terrorista Al Qaeda que desde os ataques de 11 de setembro de 2001 vem causando medo no mundo inteiro.
Abordando a questão do medo em nível nacional, podemos destacar a violência urbana como a sua principal causa, pois diariamente assistimos telejornais, lemos jornais e revistas que falam sobre os assaltos, seqüestros, estupros, assassinatos e ano passado, uma notícia que chocou o país inteiro e parte da população mundial, foi a morte do menino João Hélio, que foi arrastado pelos ladrões do carro de seus pais, isso sem falar dos confrontos diários entre policiais e traficantes nas favelas da Rocinha e do alemão.
Enfim, conclui-se que a violência e o terrorismo tem gerado a era do medo na população mundial devido à problemática do desrespeito ao ser humano e à intolerância religiosa, ideológica, política e econômica entre as nações, o que nos faz refletir sobre a crise de segurança que enfrentamos e cobrar dos nossos governantes um investimento na área social, sobretudo na educação, para que possamos criar novos valores e lutar por um mundo melhor.
Extraído do Blog:  http://filosofojr.wordpress.com

Cultura da violência


As sociedades são realmente tão violentas como se afirma que são?


É consenso estarmos vivendo num mundo muito violento. E também que alguns países são seguros e tranqüilos. Mas não ficamos sabendo isto por experiência própria, pois raramente presenciamos atos violentos. E não são muitos os que já foram para os lugares considerados seguros, para poder atestar este fato. 

O que sabemos é o que nos diz os meios de comunicações. Que não estão muito preocupados com a realidade e sim em vender o seu produto. E a violência vende sempre, muito bem. É a cultura da violência. 
Violência e morte, o pior que pode acontecer a alguém. Por isso este tipo de notícia sempre chama a atenção das pessoas. 

A tão elogiada História, que deveria ser um relato dos acontecimentos humanos, descreve principalmente grandes conquistas, guerras, invasões, escaramuças e matanças. História é basicamente isso: Descrição de conflitos e de lutas por poder. 
Preocupa-se bem menos com as outras coisas, que também são importantes. 

Povo feliz não tem História. Vive e desaparece em brancas nuvens. Dele não se tem notícia, nada é registrado. É povo que não interessa a ninguém. 
No entanto é assim que sempre viveu imensa maioria da humanidade. Vida pacífica, tranqüila, sem grandes conflitos. De pouco valor, pelo jeito, no entender dos estudiosos. 

Os muitos assuntos humanos como comércio, produção, agricultura, indústria, arte, obras, tecnologia, conhecimentos, medicina etc., tudo isso é tratado secundariamente nos relatos. São utilizados apenas como acessórios para ilustrar e explicar os acontecimentos considerados verdadeiramente importantes: A violência e os conflitos. 

Mas realmente, o que modifica a humanidade e o planeta em que vivemos, não são as guerras nem conquistas. E sim os conhecimentos, a compreensão das coisas, o domínio da matéria e da energia. Mas isto parece não ser muito relevante. 
Deveríamos aprender nas escolas a História da ciência, tecnologia, da medicina etc. Muito mais do que a História que só mata e destrói coisas! 

Se ligarmos o rádio ou a televisão, em minutos ficaremos sabendo de algum crime, morte ou violência. De alguma tragédia, desastre, falcatrua ou corrupção. De algum país sendo bombardeado e gente morrendo violentamente. Os meios de comunicações nos dizem incessantemente: Vivemos numa sociedade extremamente perigosa e violenta! 

Mostram exceções, e generalizam para toda a sociedade. Nunca suas afirmações são acompanhadas de estatísticas a comprovar o que estão dizendo. Pois seriam números ridiculamente pequenos, diante da normalidade que vivemos. 
A violência nas sociedades é exceção, não a regra! 

É fácil dizer: "O crime (a corrupção, a violência, as drogas, os assaltos, a pedofilia) está aumentando!" E mostrar como prova o caso que está sendo esmiuçado. 
Generaliza-se, mediante um único ou apenas alguns poucos exemplos. Como se o todo das sociedades fosse assim. E as pessoas acreditam, ficam indignadas, com medo e apavoradas. 
Não é verificado se a porcentagem está aumentando, para então dizer que as coisas estão piorando. Não fazem isso, é deliberada mentira. 

Vivemos a cultura da violência, endeusada violência. Tudo que é violento é notícia, é preocupante, é estudado e detalhado. É só o que as pessoas ficam sabendo. 
Passou a ser a coisa mais importante para as pessoas, pois é quase só o que lemos, vemos e ouvimos. 

Ninguém mais sai de casa com tranqüilidade. Sempre preocupado com a segurança. Mas este medo é irreal, exagerado. Não seremos assaltados toda vez que sairmos de casa! 
A violência existe, mas é acontecimento relativamente raro na vida das pessoas. 

Na segunda grande guerra morreram 60 milhões de pessoas. O maior conflito que se registrou até hoje na humanidade. Assunto que ninguém desconhece, muito discutido e debatido. 

Na Índia, então dominada pelos ingleses, devido a política econômica britânica naquele país, morreram de fome 30...40, e há quem diga, 90 milhões de indianos! 
Alterações climáticas tiveram sua influência, mas foi o liberalismo econômico, exportador dos produtos indianos, que não permitiu alimentar a população. Que então morria de fome. 

Mas fome não é morte violenta, e assim este assunto não é estudado nem debatido. E poucos conhecem. Tivesse sido uma guerra (morrendo ingleses inclusive) seria tragédia mor da humanidade, assunto de muitos e muitos capítulos da História Universal. 

Na África da atualidade, já faz um bom tempo, milhões e milhões morrem de fome. Fome talvez agravada por problemas climáticos, mas a causa principal é a atuação de países poderosos naquele continente, do qual querem extrair as riquezas. Mortes silenciosas, sequer são noticiadas. Ninguém as registra e ninguém fica sabendo. 

Na Idade Média a Peste Negra ceifou um terço da população da Europa. Mas esta terrível causa de morte é mencionada apenas ocasionalmente nos eventos daquela época. São considerados bem mais importantes, os conflitos e guerras travadas na ocasião. 
Vivemos verdadeiro culto, endeusamento da violência. Que existe sem dúvida, faz parte da vida das pessoas, mas é por demais enaltecida, por demais alardeada. 

Os meios de comunicações precisam vender. Sabem que a violência causa impacto nos leitores, ouvintes e espectadores. 
E certamente a intenção é também, desviar a atenção dos muitos assuntos importantes para a sociedade, uma cortina de fumaça. Manter as pessoas distraídas, para que não comecem a pensar. 

Falar constantemente que vivemos num mundo violento facilita o cometer violências. Justifica as violentas arbitrariedades, guerras e invasões, pois que ser violento é tido como inerente ao ser humano. 
Enfatizar a violência serve também, para que as pessoas abdiquem de muitos dos seus direitos, em nome da segurança de todos. 

Mas a violência em si é raridade na vida das pessoas. Para viver sem medo, com mais tranqüilidade, teríamos que desligar o rádio e a televisão, não comprar mais jornais nem revistas. São entidades comerciais, precisam vender, precisam impactar. E por isso exageram, torcem, distorcem e mentem pelos cotovelos. 

Não ficaremos sem saber das coisas. As coisas realmente importantes alguém lhe dirá, um amigo, um conhecido, um vizinho. E a Internet está aí, como excelente alternativa não comercial. 

Infelizmente nós mesmos, individualmente, é que temos que avaliar o quanto é violenta a sociedade que vivemos. Fazer nossas próprias e primitivas estatísticas. E viver segundo elas. É muito mais acertado. 
Viveremos muito mais dentro da realidade, do que dando ouvidos para esta nossa mentirosa cultura da violência. 


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