"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 18 de outubro de 2014

Os oceanos pedem ajuda aos gritos por causa do lixo plástico

Estima-se que cerca de 13 mil dejetos plásticos flutuam em cada quilômetro quadrado de oceano e que 6,4 milhões de toneladas de lixo desembocam neles em cada ano.

Por Manipadma Jena

Pescadores arrastam a sua captura numa praia do distrito de Trincomalee, no Sri Lanka. Numerosos especialistas concordam que uma grande porção do lixo marinho é subproduto da indústria pesqueira mundial. Foto: Kanya D’Almeida/IPS











Um albatroz de pata negra alimentando as crias com bolinhas de plástico, uma foca bebê no Polo Norte com um saco enrolado no pescoço ou um barco de pesca perdido no alto mar porque um aparelho de pesca se enroscou na hélice, são exemplos que multiplicados por mil dão ideia do estado dos oceanos. Estima-se que cerca de 13 mil dejetos plásticos flutuam em cada quilômetro quadrado de oceano e que 6,4 milhões de toneladas de lixo desembocam neles em cada ano.
Investigadores e cientistas preveem um futuro nefasto para estas vastas extensões de água que são vitais para a existência do nosso planeta. Um cálculo conservador do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) diz que o prejuízo econômico do plástico nos ecossistemas marinhos chega a 13 bilhões de dólares por ano, segundo um comunicado divulgado no dia 1 deste mês.
A saúde dos mares e dos ecossistemas oceânicos concentra a atenção da 12ª Conferência das Partes (COP 12) do Convênio sobre a Diversidade Biológica, que aconteceu na cidade sul-coreana de Pyeongchang até ao dia 17. Entre as 20 Metas de Aichi para a Diversidade Biológica, acordadas na cidade japonesa de Nagoya em 2011, a preservação da biodiversidade marinha é um dos objetivos fundamentais. A meta 11 assinala a importância de identificar “áreas protegidas” para preservar os ecossistemas marinhos, especialmente dos efeitos danosos das atividades humanas.
Na 16ª reunião global dos Planos de Ação e Convênios sobre Mares Regionais, do Pnuma, que aconteceu em Atenas entre 20 de setembro e 1º deste mês, houve um consenso quase unânime sobre os dejetos representarem um “tremendo desafio” para o desenvolvimento sustentável.
Nessa oportunidade, cientistas e autoridades do mundo se reuniram para desenhar um novo mapa do caminho capaz de deter a rápida degradação de oceanos e mares e criar políticas para um uso sustentável, bem como integrá-los na agenda de desenvolvimento posterior a 2015. O tema está entre as maiores prioridades desde a Cimeira da Terra, como é chamada a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Brasil em 2012 e conhecida como Rio+20.
O número14 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que são discutidos para substituir os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio a partir do final de 2015, foca em reduzir de forma significativa a contaminação marinha até 2025. “Não tivemos nenhuma dificuldade para promover a explícita inclusão dessa meta nos ODS propostos”, destacou Jacqueline Alder, diretora de Ecossistemas Marinhos e de Água Doce da Divisão de Implementação da Política Ambiental do Pnuma. “Afinal, os oceanos são um problema de todos e todos geramos lixo”, pontuou à IPS.
“Os dejetos orgânicos são o principal elemento dos desperdícios que chegam aos mares, e representam entre 40% e 80% do lixo municipal nos países em desenvolvimento e 20% a 25% nos países ricos”, detalhou Tatjana Hema, oficial de programa para controle de componentes e avaliação de contaminação do Plano Mediterrâneo de Ação.
Porém, os microplásticos estão entre os contaminantes mais prejudiciais que inundam os mares. A substância danosa forma-se quando os plásticos se fragmentam e se desintegram em partículas com não mais do que cinco milímetros de diâmetro, chegando até a um milímetro.
“Descobriu-se que os micro e nanoplásticos passaram às microparedes das algas”, explicou Vincent Sweeney, coordenador do Programa Global de Ação para a Proteção do Ambiente Marinho por meio de Atividades Terrestres (GPA). “Mas ainda não se sabe como afetará a cadeia alimentar de animais marinhos, nem a saúde humana quando ingeridas por intermédio dos peixes”, afirmou à IPS. “A existência do problema do microplástico até agora é especulativo. Ainda não temos noção de quanto isto afeta os oceanos”, ressaltou.
Os ODS relacionados com os oceanos devem ajustar-se a quatro critérios: serem viáveis, factíveis, mensuráveis, alcançáveis. Ao contrário, por exemplo, da redução da acidificação do oceano (cuja única causa é o dióxido de carbono) que facilmente cumpre os quatro critérios, o problema do lixo não é tão simples, em parte porque “o que aparece na praia não é necessariamente um sinal do que ocorre no oceano”, destacou Sweeney.
“O lixo que chega aos mares desloca-se por longas distâncias, tornam-se internacionais. É difícil encontrar o seu dono”, explicou Sweeney. Os dejetos acumulam-se em torvelinhos no meio do oceano, um fenómeno de circulação da água que costuma atrair os materiais que flutuam. “O risco de não conhecer a magnitude exata desses dejetos é que nos leva a pensar que é muito grande para manejar”, destacou o coordenador do GPA. Mas, mediante a sensibilização, gera-se um “impulso” e agora torna-se prioritário a diferentes níveis.
“Eliminar a contaminação dos oceanos é uma pretensão que não veremos em vida, mesmo se pararmos de deitar lixo no mar, o que ainda não conseguimos. O custo é impensável. A maioria do lixo está fora do nosso alcance. Além disso, limpar a superfície dos dejetos flutuantes levará muito tempo”, acrescentou. “Embora haja diferentes causas para a contaminação marinha em cada país, o denominador comum é que consumimos mais e geramos mais lixo, e a maioria é plástico”, enfatizou.
Além disso, a falta de informação e de alto custo para limpar a contaminação, os meios de execução ou de financiamento das metas dos ODS relacionados com o oceano representam um desafio adicional para as regiões. Na Grécia, tomou-se consciência da crise quando Evangelos Papathanassiou, diretor de investigação do Centro Helénico de Investigação Marinha em Attiki, a 15 quilómetros de Atenas, relatou à imprensa ter encontrado uma máquina de costura a quatro mil pés (1.219 metros) de profundidade no Mar Mediterrâneo.
“A contaminação marinha derivada da aquicultura, do turismo e do transporte é mais urgente no Mar Negro e no Mar Mediterrâneo, mas não recebem a atenção que merece”, destacou Sweeney. Para que a nova era de desenvolvimento tenha sucesso, os seres terrestres devem prestar urgente atenção ao mar e ao oceano, que pede ajuda aos gritos.
Um desafio adicional
Em países da Ásia Pacífico como China, Japão, Rússia e Coreia do Sul foram criadas práticas replicáveis, segundo Alexander Tkalin, coordenador do Plano de Ação do Pacífico Nordeste do Pnuma. “Coreia do Sul e Japão são grandes doadores e ambos adotaram leis específicas relacionadas com os desperdícios que chegam aos mares”, contou à IPS.
“O Japão mudou a legislação para incentivar a limpeza de dejetos marinhos, ajustando a lei sob a qual, normalmente, se paga multa por contaminar, mas agora o governo paga às municipalidades para que limpem as praias depois de um tufão, quando raízes e restos do solo marinho estão espalhados na praia”, acrescentou Tkalin. Na Holanda e nos Estados Unidos também há programas sólidos sobre lixo marinho, como no Haiti, segundo Sweeney.
Envolverde/IPS

Quem está com o dinheiro da Indústria da seca?

Uma grande lacuna no Nordeste é para onde foi os recursos da Indústria da seca e suas obras inúteis que não tinham fim, por que a fonte de lucro era a seca em si aliada da alta de infra-estrutura de convivência.

O Rio Grande do Norte tinha até os anos 2000, uma ausência de eletricidade nas comunidades rurais absurdas, eu vivi em uma comunidade rural do município de Caicó-RN, onde, a luz elétrica só chegara em 2005. Mas o mais impressionante eram as farras com essa obra, volta e meia se iniciava a abertura dos caminhos pelo mato onde passariam as redes e tudo desaparecia; o hoje senador e então governador do estado por dois mandatos (1982-1986, 1990-1994) José Agripino Maia instituiu o programa Energia do Pau Amarelo, fracasso total, que na maioria das comunidades se restringia a uma tábua amarela em cima das casas que não acendia nada.

Outra obra fatal era a substituição de casas de taipa, eu também vivia em uma, e como a energia se dizia "agora vem", mandava-se pedras há um mês da eleição e nada da obra.

Eram estados predatórios, conforme ensina o sociólogo espanhol Manuel Castells, uma casta usa-o para enriquecer, e como tudo é muito recente os mesmos são grandes empresários e mandam nesses estados até hoje.

Somente a partir dos anos 2000 a organização dos movimentos sociais na ASA Brasil, articulação do semi-árido, conseguiu barrar essa farra substituindo as bestiais frentes de trabalho por obras de convivência, como as cisternas e técnicas de produção familiar. A última indústria no RN que eu presenciei foi em 1998 onde, o hoje ministro da previdência social, Garibaldi Filho, era o governador do RN.

Dramática mudança do PIB global: China supera EUA e BRICS aproximam-se do G-7

O FMI publicou significativos dados que acentuam as tendências nos primeiros 10 lugares do PIB global medido pelo poder de compra: A China afasta os Estados Unidos (EUA) do primeiro lugar e os BRICS aproximam-se do G-7. 

Por Alfredo Jalife-Rahme

Hong-Kong manifestação pela democracia – Occupy Central, 1 de setembro de 2014 – Foto de Calvin YC/flickr










Na sua dramática Perspectiva econômica mundial, o FMI publicou significativos dados mas nada surpreendentes que acentuam as tendências nos primeiros 10 lugares do PIB global medido pelo poder de compra (Purchasing Power Parity: PPP): A China (17,6 trilhões de dólares) afasta os Estados Unidos (EUA) – 17.4 trilhões de dólares – do primeiro lugar (http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2014/02/weodata/index.aspx) e os BRICS, dos mercados emergentes da incipiente ordem multipolar, aproximam-se do G-7, das oxidadas economias avançadas hoje paralisadas pelas suas dívidas impagáveis, como desenterra o demolidor ReporteGenebra (http://www.jornada.unam.mx/2014/10/01/opinion/022o1pol).
O FMI prevê que nos próximos cinco anos a China superará em 20 por cento o PIB dos EUA e aborda a diferença entre o poder de compra (PPP) e o menos usado PIB nominal que expressa a sua cotação em dólares (http://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2007/03/basics.htm).
Digamos com a humildade do rigor, que eu já tinha previsto a ascensão irresistível tanto da China como dos BRICS em contraponto aos EUA e ao G-7 no meu livro “Rumo à desglobalização”(http://www.alfredojalife.com/hacia-la-desglobalizacion/)” de 2007, que foi premonitório e no meu outro livro “O híbrido mundo multipolar” (http://www.alfredojalife.com/el-hibrido-mundo-multipolarun-enfoque-multidimensional-2010/)” de 2010.
O ex-diretor do FMI, o franco-israelita Dominique Strauss-Kahn, tinha previsto que em 2015 a China afastaria os EUA do primeiro lugar, o que, provavelmente, lhe valeu a sua defenestração pela via erótica.
O dado mais espetacular é a irrupção da Indonésia no nono lugar, com 2,55 trilhões de dólares – o maior país islâmico do mundo com 254 milhões de habitantes– que afasta para um humilhante décimo lugar a Grã-Bretanha (GB: 2,43 trilhões de dólares), a outrora potência imperial de três séculos, hoje em aguda decadência.
Outro dado relevante – pouco publicitado, mas que repete o lugar do ano passado – é ostentado pela Índia, que ocupa um portentoso terceiro lugar (7,27 trilhões de dólares): antes do quarto e quinto lugares do Japão (4,78 trilhões) e da Alemanha (3,6 trilhões)!
A subestimada Índia acaba de brilhar com a colocação do seu satélite em Marte: façanha tecnológica que partilha com os EUA, a Rússia e a União Europeia.
Não há nada de novo sobre Rússia e Brasil, que ocupam respectivamente o sexto (3,55 trilhões de dólares) e sétimo lugar (3,07 trilhões), afastando a França para um penoso oitavo lugar (2,58 trilhões).
Quando a desinformadora mídia israelo-anglo-saxônica o consideravam derrotado, destaca-se, pelo contrário, que o quinteto BRICS (32,17 trilhões de dólares) se aproxima do G-7 (34,42 trilhões). Fenomenal!
A propósito, o relatório do FMI coloca negativamente o enfatuado “México neoliberal itamita1” no oitavo lugar... mas dos países mais endividados do mundo!
Os realistas britânicos do desinformador The Economist já se deram conta de que não é simples tentarem o insensato isolamento da Rússia, sexta potência geoeconómica com as quintas reservas de divisas globais, e exortam a “habituar-se à liderança da Rússia” (http://actualidad.rt.com/actualidad/view/142386-europa-rusia-ucrania-politica) que, na minha opinião, fornece o seu dissuasivo guarda-chuva nuclear aos BRICS.
Aos analistas oficiosos da China desagradou “o primeiro lugar no mundo” pois “estimar a verdadeira força da economia de um país é um assunto muito complicado” (http://english.peopledaily.com.cn/business/n/2014/1010/c90778-8792783.html).
Consideram que “o primeiro lugar no mundo” baseado unicamente no poder de compra não é persuasivo “quando o seu cálculo continua em aberto face à sua ampla má interpretação”.
Acontece o contrário quando se mede o PIB per capita da China pelo poder de compra: um patético 121º lugar, com 6 mil 629 dólares, ainda que 30 vezes maior do que o de 1980: 34 anos espantosos!
A China ainda fica longe do per capita dos EUA (51 mil 200 dólares), 15º lugar do mundo e primeiro do G-7, se descontarmos os quatro paraísos extra-territoriais fiscais/bélicos da Grã-Bretanha: Bermudas (quarto lugar: 86 mil dólares); Jersey (oitavo: 57 mil); as ocupadas ilhas Malvinas (décimo: 55 mil 400), e a Ilha de Man (décimo terceiro: 53 mil 800), deixando de lado os enclaves piratas britânicos de Guernsey (16º lugar), as ilhas Caimão (17) e Gibraltar (20) (https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2004rank.html?countryname=Qatar&countrycode=qa&regionCode=mde&rank=1#qa).
O desempenho dos BRICS medido pelo PIB per capita é ainda medíocre: Rússia (77º lugar: 18 mil e 100 dólares), Índia (169: 4 mil, pior que a China!), Brasil (105: 12 mil e 100) e África do Sul (108: 11 mil e 500).
O primeiro per capita do mundo é o Qatar (102 mil 100 dólares!), verdadeiro artefacto do gás, enquanto o “México neoliberal itamita” se afunda no 88º lugar com uns banais 15 mil e 600, atrás do minúsculo e pressionado Líbano (15 mil e 800).
Destaque-se que Macau (88 mil e 700 dólares) e Hong Kong (52 mil e 700) – ambos pertencentes à China dentro do esquema de “um país, dois sistemas” –, ostentam respetivamente os terceiro e décimo quinto lugares do ranking do PIB per capita.
Chama a atenção que os paraísos fiscais britânicos se encontrem entre os primeiros lugares mundiais do PIB per capita, o que denota a pirataria consubstancial do abutre modelo neoliberal global e dos seus espoliadores “derivados financeiros”.
Argumentam os analistas oficiosos chineses que ainda que a sua economia continue a crescer à taxa atual, “serão precisos pelo menos 35 anos (sic) para a China atingir o per capita dos EUA”, pelo que “é ridículo asseverar que o PIB da China supera o dos EUA”. Tudo é tão relativo…
Acrescentam que a China “se encontra desfasada a respeito de outros países no softpower económico”, já que “não é tão sofisticada como EUA, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, Israel e Coreia do Sul em inovação”. Terão descontado os seus enclaves paradisíacos de Macau e Hong Kong?
Argumentam persuasivamente que “o investimento em I&D em ciência e tecnologia é somente 60 por cento em relação ao dos EUA”, quando “existe uma imensa brecha entre a China e os EUA em termos de softpower” (nota: a cibertecnologia aplicada às finanças e os seus especulativos “derivados” cotados por “supercomputadores”).
As alegações dos oficiosos analistas da China estão parcialmente certas, já que no Índice de Desenvolvimento Financeiro do Fórum Económico Global de Davos (https://pt.scribd.com/doc/242576985/WEF-FinancialDevelopmentReport-2012-pdf), descontando o primeiro lugar de Hong Kong – que pertence soberana e cadastralmente à China –, as praças financeiras de Wall Street e a City de Londres ocupam o segundo e terceiro lugar no ranking global face ao 23º lugar da China e superam o resto dos BRICS: Rússia (39), Índia (40), Brasil (32) e África do Sul (28).
O 45º lugar do “México neoliberal itamita”, castrado “sem bancos de investimentos nacionais”, é atroz, apesar da sua alucinante miragem financeira de traço itamita.
Ainda que esperados, os dados dramáticos do FMI expõem o intervalo/intermezzo do declínio de um poder hegemónico (EUA) face à ascensão irresistível de uma nova potência (China) que avançará mais, conforme avançar o tempo, sem guerras pelo meio e medo (http://www.jornada.unam.mx/2014/10/08/opinion/022o1pol).
Artigo de Alfredo Jalife-Rahme (alfredojalife.com) publicado no jornal mexicano La Jornada a 12 de outubro de 2014. Tradução de Carlos Santos para esquerda.net

1 Referente ao ITAM – Instituto Tecnológico Autónomo do México, universidade privada do México. Os seus licenciados (popularmente conhecidos como itamitas) têm ocupado “os mais altos cargos de governo: secretários federais, senadores, embaixadores e até mesmo um presidente” (veres.wikipedia.org)- Nota do tradutor

Os Estados Unidos a caminho de um choque

Os EUA vivem um forte declínio. Tudo está a correr mal. E, tomados pelo pânico, são como o motorista de um automóvel potente que perdeu o controle e não sabe como reduzir a velocidade.

Immanuel Wallerstein

O presidente Barack Obama disse aos Estados Unidos, e em particular ao seu Congresso, que é preciso fazer alguma coisa de muito peso no Oriente Médio para impedir um desastre. A análise do suposto problema é muito obscura, mas os tambores patrióticos estão a bater mais aceleradamente e quase toda a gente, de momento, os acompanha. Uma cabeça mais fria poderia dizer que estão todos a esbracejar em desespero acerca de uma situação que foi criada fundamentalmente pelos Estados Unidos. Não sabem o que fazer, por isso deixam-se tomar pelo pânico.
A explicação é simples. Os Estados Unidos vivem um forte declínio. Tudo está a correr mal. E, tomados pelo pânico, são como o motorista de um automóvel potente que perdeu o controle e não sabe como reduzir a velocidade. Em vez disso, acelera-o em direção a um grande choque. O carro gira em todas as direções e derrapa. É autodestrutivo para o motorista, mas o embate pode provocar um desastre em todo o resto do mundo também.
As atenções concentram-se em descobrir o que Obama fez e não fez. Mesmo aqueles que mais o defendem parecem duvidar. Um comentarista australiano escrevendo no Financial Times resumiu tudo numa só frase: “Em 2014, o mundo ficou subitamente cansado de Barack Obama”. Pergunto-me se Obama não está cansado de Obama. Mas é um erro pôr a culpa toda apenas em cima dele. Virtualmente ninguém, entre os líderes dos EUA, fez propostas alternativas mais sensíveis. Muito pelo contrário. Há os belicistas que querem que ele bombardeie toda a gente imediatamente. Há os políticos que pensam que vai fazer uma enorme diferença o resultado das próximas eleições nos Estados Unidos.
Uma rara voz de bom senso surgiu numa entrevista no New York Times com Daniel Benjamin, que foi o principal conselheiro antiterrorismo do Departamento dos Assuntos Estrangeiros durante o primeiro mandato de Obama. Ele considerou uma “farsa” a chamada ameaça do EIIL, onde “membros do governo e altas patentes militares descrevem por todo o lado a ameaça em termos assustadores que não se justificam”. Ele afirma que o que têm vindo a dizer não se baseia em “provas confirmadas” e apenas demonstra a facilidade com que as autoridades e a mídia pode “levar as pessoas ao pânico”. Mas quem presta atenção ao sr. Benjamin?
De momento, e com a ajuda de horríveis fotografias exibindo a decapitação de dois jornalistas norte-americanos pelo Califado, as sondagens mostram que nos Estados Unidos há um apoio enorme a uma ação militar. Mas quanto tempo irá este apoio durar? Vai manter-se enquanto parecer que não há resultados concretos. Mesmo o comandante do Estado Maior Conjunto Martin Dempsey, ao defender a ação militar, diz que vai durar pelo menos três anos. Multipliquem três por cinco e podemos chegar perto da sua duração. E o povo dos EUA vai de certeza desencantar-se com rapidez.
Por enquanto, o que Obama está a propor é algum bombardeamento na Síria, sem envio de tropas dos EUA “no terreno”, mas um aumento de tropas especiais (mais de 2000 neste momento) que dão treino no Iraque (e provavelmente noutros lugares). Quando Obama se candidatou à Presidência em 2008, fez muitas promessas, como é normal num político. Mas o seu principal compromisso era sair do Iraque e do Afeganistão. Não vai cumpri-lo. A verdade é que vai meter os Estados Unidos em mais países.
A coligação de Obama vai oferecer “treino” aos que definem como “os bons”. E parece que este treino vai ocorrer na Arábia Saudita. Bom para a Arábia Saudita. Podem verificar todos os formandos, e avaliar em quais podem confiar e em quais não podem. Isto pode permitir que o regime saudita (que está pelo menos tão confuso quanto o dos EUA) pareça estar a fazer alguma coisa, e ajudá-los a sobreviver algum tempo mais.
Há sempre formas de afastar este cenário catastrófico. Mas elas implicam uma decisão de afastar-se da política de guerra e procurar acordos entre todo o tipo de grupos que não gostam uns dos outros e não confiam uns nos outros. Estes acordos políticos não são desconhecidos, mas são muito difíceis de obter e frágeis quando obtidos pela primeira vez, até se consolidarem. Um elemento fundamental em acordos como esses, a serem aplicados, é um menor envolvimento dos Estados Unidos, não maior. Ninguém confia nos Estados Unidos, nem mesmo quando momentaneamente apelam ao apoio dos EUA para fazerem isto ou aquilo. O The New York Times observa que, no encontro que Obama realizou para formar a sua nova coligação, o apoio dos países do Oriente Médio presentes era “tépido” e “relutante”, porque há uma “desconfiança crescente em relação aos Estados Unidos em todos os lados”. Assim, mesmo que os acompanhem de alguma forma limitada, ninguém vai demonstrar gratidão por qualquer apoio dos EUA. O fato é que as pessoas do Oriente Médio querem gerir o seu próprio espetáculo, não alinhar com a ideia daquilo que, segundo os Estados Unidos, é bom para eles.
Immanuel Wallerstein
Comentário n.º 385, 15 de setembro de 2014
Tradução, revista pelo autor, de Luis Leiria para o Esquerda.net
Immanuel Wallerstein
Sociólogo e professor universitário norte-americano.

Crise financeira mundial: a bolha de carbono está implodindo?

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves
setor de energia lidera queda da bolsa de valores
[EcoDebate] O mundo das finanças está passando por um período de instabilidade e o setor energético, novamente, joga um papel central no processo de turbulência. Ironicamente, todas as recessões mundiais anteriores foram precedidas por aumento do preço do petróleo e demais combustíveis fósseis, mas a crise atual está sendo agravada pela queda do preço dos hidrocarbonetos e pela baixa rentabilidade do capital investido pelas empresas de energia.
Em artigos anteriores aqui no EcoDebate, já havia abordado os temas sobre os desafios financeiros do mundo (ALVES, 09/10/2013), sobre a “bolha de carbono” (ALVES, 05/02/2014) e sobre o choque de oferta energética (ALVES, 28/05/2014). Uma nova crise energética e financeira era fácil de ser prevista em decorrência da teoria do Pico do Petróleo e da elevação dos custos de produção de energia. Evidentemente, ninguém saberia dizer a data exata do início do estouro das bolhas e suas consequências. Todavia, há sinais sérios acontecendo agora, em outubro de 2014.
No momento em que a economia americana parecia estar se recuperando, com crescimento do PIB e redução do desemprego, surge uma crise no mercado de capitais. O índice da Bolsa de Nova Iorque, DJIA (Dow Jones Industrial Average), atingiu seu pico máximo de 17.280 pontos em 19 de setembro de 2014. Até o final de setembro se manteve pouco acima dos 17 mil pontos. No dia 08/10 estava em 16.994 pontos. No dia 15/10 fechou a 16.142 pontos. E no dia 16/10 (quando este artigo foi escrito) fechou a 16.117 pontos. Os ganhos de 2014 foram eliminados.
A quinta-feira, dia 16 de outubro de 2014, foi marcada por queda em todas as bolsas do mundo. Em Londres, o índice Financial Times caiu 2,83%. Em Lisboa a desvalorização foi de 3,21%. Em Madri, o índice Ibex-35 registrou baixa de 3,59%. Em Frankfurt, o DAX recuou 2,87%. Paris perdeu 3,63%. E Milão teve desvalorização de 4,44%.
Na Ásia não foi diferente, segundo a Bloomberg. O índice Nikkei 225 que estava em 16.311 pontos em 29/09/2014, fechou em 14.738 pontos na quinta-feira, 16/10. Em Hong Kong, o índice Hang Seng perdeu 1,03%, aos 22.900,94 pontos. Em Seul, o índice sul-coreano Kospi, recuou 0,37%, para 1.918,83 pontos. Mesmo com dados positivos da economia chinesa, o índice Xangai Composto perdeu 0,72%, aos 2.356,50 pontos, e o índice Shenzhen Composto recuou 1,35%, para 1.332,90 pontos.
A BOVESPA fechou a quinta-feira a 54.298 pontos, abaixo dos 56.135 de 15/10 e bem abaixo do pico de 61.896 pontos de 02/09/2014. Independentemente dos resultados eleitorais, o IBOVESPA tende a acompanhar o cenário internacional. As dificuldades da economia brasileira tendem a se agravar em 2015.
Em artigo publicado há 5 meses (ALVES, 28/05/2014), escrevi o seguinte: “As análises internacionais dizem que, dentre outras bolhas financeiras, uma ‘bolha de carbono’ pode aprofundar uma nova crise econômica mundial, pois os mercados estão investindo pesado em reservas de combustíveis fósseis, mas devido ao alto custo de extração e por serem incompatíveis com a segurança climática, podem nunca vir a ser usadas. Segundo o instituto britânico Carbon Tracker, a ‘bolha de carbono’ é o resultado de um excesso de valorização pelos mercados globais das reservas de carvão, gás e petróleo detidas por empresas de combustíveis fósseis. Uma análise do desempenho econômico da indústria petrolífera mostra uma situação preocupante. A estudiosa Gail Tverberg, atuária e decrescentista, com base em uma apresentação de Steven Kopits, Diretor da Douglas-Westwood, mostra que as grandes empresas de petróleo, de capital aberto, estão em dificuldade, pois aumentaram as despesas de capital (Capex) – gastos como exploração, perfuraçãoe implantação de novas plataformas de petróleo offshore – mas tiveram a producão de petróleo bruto reduzidas desde 2006. O mercado financeiro esperaria que a produção de petróleo brutosubisse quando o Capex aumentasse, mas Kopits mostra que, de fato, desde 2006, o Capex tem continuado a aumentar, mas a produção de petróleo caiu. Ou seja, o dinheiro está indo para o ‘buraco’, mas o petróleo não está saindo na proporção esperada”.
De fato, são as empresas de energia que estão liderando a queda do mercado acionário em outubro de 2014. O pior desempenho nas bolsas de valores dos Estados Unidos este ano tem ocorrido nos setores de energia, com as empresas de “Oil & Gas Drilling” caindo cerca de 25% e as empresas de equipamentos e serviços do setor de petróleo e gás caindo cerca de 20%. As empresas que trabalham com combustíveis fósseis possuem ativos em torno de US$ 6 trilhões.
Todavia, os preços do petróleo têm sido especialmente atingidos recentemente pela desaceleração da economia internacional. O máximo alcançado em 2014 pelo óleo cru (WTI), foi de US$ 107 o barril e o preço do óleo cru (Brent) chegou a US$ 113 o barril. Na quinta-feira, 16/10/2014, estavam perto de US$ 80,00 o barril. Neste nível de preços as empresas não conseguem pagar os custos de produção e o prejuízo é uma consequência inevitável. A Petrobrás que já teve suas ações (PETR3.SA) valendo R$ 61,70 em 26/05/2008, chegou a R$ 19,02 em 15/10/2014 e a R$ 17,64 em 16/10/2014. Para além das denúncias de corrupção, a situação da Petrobrás é realmente preocupante.
O mercado de petróleo é altamente especulativo e sofre alta volatilidade. A recente queda do preço do petróleo tem a ver com a menor demanda global, mas também com outros fatores. A Arábia Saudita, por exemplo, tem se recusado a cortar sua produção interna, não só para aumentar sua fatia de mercado – mas segundo algumas teorias conspirativas – para ferir as economias da Rússia e do Irã, inimigos dos sauditas (além do Estado Islâmico – ISIS). Os sauditas estão dizendo que estão dispostos a manter o barril de petróleo a US$ 80-90 por um ano ou dois, no sentido de atingir seus objetivos. Neste sentido, os sauditas tem se recusado a atender os pedidos de outros membros da OPEP, como a Venezuela, que estão sofrendo com as baixas receitas da exportação de petróleo.
Mas o baixo preço do petróleo também afeta a produção de gás de xisto dos Estados Unidos e as areias betuminosas do Canadá, deixando toda a indústria de combustíveis fósseis exposta à especulação do mercado acionário. Desta forma, em vez de ajudar a recuperação econômica, o baixo preço dos hidrocarbonetos tem aprofundado a crise financeira internacional e pode acelerar o processo de “estagnação secular”.
Para o Brasil, a queda na cotação do preço do barril de petróleo reduz os gastos da Petrobras com a importação de derivados e diminui a defasagem dos preços dos combustíveis entre o mercado externo e interno. Isto é uma boa notícia para o controle da inflação. Porém, por outro lado, pode inviabilizar o desenvolvimento dos principais projetos do pré-sal. A avaliação geral é que uma cotação do petróleo abaixo de US$ 80 significa prejuízo na produção do pré-sal. Significa também que não haverá royalties para a educação e a saúde. O “passaporte para o futuro” pode virar pesadelo.
Sem dúvida vivemos em uma sociedade de risco. Os mercados especulativos aumentam a volatilidade dos preços e a instabilidade internacional. Uma crise financeira pode reduzir o preço do barril do petróleo ou o aumento dos combustíveis fósseis pode provocar uma crise financeira. Ainda não sabemos se a “bolha de carbono” murchou definitivamente. Mas os acontecimentos de outubro de 2014 tende a ser só o começo de um longo processo que vai afetar toda a população mundial na medida em que se aprofunde as consequências do abismo energético.
Referências:
ALVES, JED. Bolha de Carbono: crise ambiental ou crise financeira? EcoDebate, 05/02/2014
ALVES, JED. O choque de oferta energética e o decrescimento. EcoDebate, 28/05/2014
KILGORE, Tomi. An ugly, new bear market for energy stocks, Market Watch, Oct 15, 2014
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Publicado no Portal EcoDebate, 20/10/2014

Agricultura familiar é vital para segurança alimentar e desenvolvimento sustentável globais, diz FAO

A agricultura familiar detém 75% dos recursos agrícolas no mundo. É crucial, portanto, aumentar sua produtividade, diversificar os meios de subsistência e estimular práticas sustentáveis.

A agricultura familiar deve exercer função cada vez mais importante na luta global contra a insegurança alimentar, uma vez que mais de 800 milhões de pessoas no mundo ainda não têm acesso devido a alimentos saudáveis e nutritivos, afirmaram funcionários das Nações Unidas nesta quinta-feira (16), em ocasião do Dia Mundial da Alimentação.

As propriedades agrícolas geridas por famílias detêm cerca de 80% da produção de alimentos e 75% dos recursos agrícolas no mundo. Por isso, são agentes essenciais para o desenvolvimento sustentável e para a erradicação da insegurança alimentar. Além disso, tendem a apresentar rendimento mais elevado do que produções de maiores dimensões dentro dos mesmos países e ambientes agroecológicos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ressaltou a importância dos agricultores familiares para o desenvolvimento global. “Eles gerenciam a grande maioria das propriedades agrícolas do mundo. Eles preservam recursos naturais e a agrobiodiversidade. Eles são o pilar dos sistemas de agricultura e de alimentação inclusivos e sustentáveis”, disse Ban.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) disse, em relatório divulgado nesta quinta-feira (16) — Estado da Alimentação e da Agricultura (SOFA 2014) –, que a agricultura familiar é, assim, confrontada com um triplo desafio.

Suas metas devem ser o aumento do rendimento agrícola para responder à necessidade mundial de segurança alimentar e de melhor nutrição, a sustentabilidade ambiental para proteger o planeta e a garantia do aumento da sua capacidade produtiva, além da diversificação dos meios de subsistência que lhes permitam sair da pobreza e da fome.

Tendo em vista os objetivos do Dia Mundial da Alimentação, a FAO afirmou que é preciso encorajar a atenção à produção agrícola e alimentar, a cooperação econômica e técnica entre países em desenvolvimento e a participação da população rural no seu processo de desenvolvimento – em especial das mulheres e das categorias menos privilegiadas.

“Em todos os casos, os agricultores familiares precisam ser os protagonistas da inovação, sendo esse o único caminho para que os mesmos tomem posse do processo e as soluções propostas respondam às suas necessidades”, disse o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva.

Além disso, a agência da ONU defendeu a ampliação dos esforços nacionais, bilaterais, multilaterais e não governamentais no alcance desses objetivos. Para isso, afirmou serem essenciais a transferência de tecnologias aos países em desenvolvimento e o fortalecimento da solidariedade nacional e internacional no combate à insegurança alimentar, à má nutrição e à pobreza.

Fonte: ONU Brasil

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A culpa é dos oficiais?

Por que uma nação grande e rica em recursos naturais padeceu de tanta pobreza ao longo de sua história? Há quem ponha a culpa na colonização portuguesa, no colonialismo de exploração; de fato viajantes ingleses do século XIX afirmavam em seus escritos que o país se livraria de seus maus hábitos com "ordem" britânica, esses viajantes foram os primeiros a escrever sobre o Brasil e costumavam condenar a leviandade das mulheres, e todo tipo de libertinagens.

A Coreia do Sul se desenvolveu a partir do impulso do Estado suserano dos Estados Unidos, conforme o sociólogo Manuel Castells; uma ditadura violenta, mas promoveu o estado desenvolvimentista e conseguiu colocar a Coreia do Sul entre as nações mais desenvolvidas. Castells também lembra que a falta de um patriciado rural nos países tigres do Leste Asiático propiciaram o grande desempenho, segundo ele esse tipo de aristocracia é relutante  transformações. De ato José Murilo de Carvalho lembra que mesmo as legislações penais brasileiras não atingiram de início o trabalhador rural.

Então, foi uma falta de apatia com as transformações econômico e sociais que nos mantiveram no atraso, até hoje o país não tem educação? E veja que o Estado suserano dos Estados Unidos sul-coreano realizara reforma agrária e investiu pesado em educação e por qual motivo, então, a Ditadura Militar ou as Ditaduras não conseguiram ou fizeram o mesmo no Brasil, apesar dos mesmos custos de perseguições e tudo que qualquer ditadura propicia, como o foi a sul-coreana.

O Brasil, conforma dizia Darcy Ribeiro, é uma nação diferente de todas as outras e, portanto, sua composição especial é um grande mosaico cultural interessantíssimo, que não cabe nos exclusivismos de nenhuma teoria. Talvez a melhor definição seja  de Machado de Assis; a divisão entre um Brasil real e um Brasil oficial, caricato e burlesco; esse Brasil oficial, portanto, teria impedido o esplendor real desse maravilhoso povo. Mas quem é o Brasil oficial? Ah, até que é fácil, os negadores da brasilidade, sempre prontos a mandarem tudo que é nosso para o espaço, inclusive o que seria o progredir das pessoas, assim dizia Darcy.

Greenpeace: Rastreamento de caminhões revela destruição silenciosa da floresta amazônica

Em investigação o Greenpeace monitorou o trajeto de caminhões no Pará e conseguiu estabelecer os vínculos de uma cadeia predatória de exploração de madeira ilegal que opera livremente na região e comercializa com os mercados nacional e internacional

Por Greenpeace

Um caminhão de carga aguarda para ser carregado com madeira ilegal em uma área próxima a Santarém, no Estado do Pará, o centro da indústria madeireira na Amazônia. (© Otávio Almeida/Greenpeace)

Entre agosto e setembro de 2014, o Greenpeace esteve em campo, no Pará, para monitorar as rotas de caminhões madeireiros que fazem o trajeto entre as áreas públicas de florestas no oeste do Estado, e as serrarias da região. De acordo com a investigação, nenhuma das áreas exploradas possuía qualquer tipo de autorização.

Durante o dia, os caminhões se dirigem até áreas remotas de florestas, onde são carregados com toras de madeira. À noite, quando a fiscalização é menor, dezenas deles tomam as estradas da região, nas proximidades de Uruará e Placas, e seguem até as serrarias de Santarém e arredores.

Estima-se que aproximadamente 80 caminhões cruzam a cada noite a balsa pelo rio Curuá-Una, na PA-370, que vai até Santarém. O tráfego na balsa é mais intenso entre as 11 da noite e 1h30 da madrugada.

Santarém concentra o principal polo da indústria madeireira no Pará, estado que mais produz e exporta madeira da Amazônia. Segundo dados do Imazon, entre agosto de 2011 e julho de 2012, cerca de 78% das áreas com atividades madeireiras no Pará não tinham autorização de exploração.

Madeireiras lavanderia

As três serrarias que receberam essa madeira foram: Rainbow Trading Importação e Exportação LTDA, Comercial de Madeiras Odani LTDA e Sabugy Madeiras LTDA. Cada uma delas tem um histórico de ilegalidades e somam, juntas, o recebimento de multas de cerca de R$ 1,5 milhão pelo Ibama nos últimos dez anos.

De acordo com os documentos oficiais, a Rainbow Trading recebe madeira de áreas de planos de manejo florestais autorizados. Porém, análise de imagens de satélite mostra que não houve nenhuma atividade madeireira na maioria dessas áreas de manejo, o que indica que esses planos estão servindo para fornecer créditos e documentação oficial para 'lavar' a madeira ilegal. Enquanto isso, as terras públicas de onde a madeira está sendo roubada apresentam sinais claros de exploração, com madeira estocada em grandes clareiras abertas na mata e diversas estradas ligando esses caminhos.

bastecidas com madeira ilegal, estas serrarias exportam regularmente para a Europa, China, Japão e Estados Unidos – a despeito das leis que proíbem a comercialização de madeira ilegal em alguns desses mercados. Somente entre janeiro e agosto de 2014, por exemplo, uma destas serrarias teve relação comercial com França, Bélgica, Holanda e Suécia.

Chega de Madeira Ilegal!

Em maio de 2014, quando lançou a campanha Chega de Madeira Ilegal, o Greenpeace revelou como o sistema de controle de madeira está sendo burlado para acobertar madeira de origem ilegal. Uma série de falhas no sistema tem permitido que madeira extraída de forma ilegal e predatória seja vendida nos mercados nacional e internacional com ares de legalidade, tornando o mercado um parceiro oculto da destruição silenciosa da floresta.

"A madeira ilegal é a porta de entrada para o desmatamento. A abertura de estradas por madeireiros torna a floresta mais suscetível à degradação e fragmentação. E, por passar despercebida pelos olhos dos satélites, esse tipo de destruição florestal nem entra na conta das emissões de gases do efeito estufa”, afirma Marina Lacôrte, da Campanha da Amazônia do Greenpeace. “Dadas às falhas estruturais do sistema de controle de madeira no Brasil e a histórica falta de governança na Amazônia, documentos oficiais não são suficientes para garantir a legalidade da madeira. Nossa investigação levanta muitas questões para as autoridades responsáveis em assegurar a origem responsável do produto – desde a floresta até o mercado”.

O Greenpeace exige que o governo brasileiro reveja todos os planos de manejo aprovados na Amazônia desde 2006 como primeiro passo para uma revisão robusta do sistema de controle de madeira, com processos públicos, transparentes e integrados. O governo federal deve promover o aumento da capacidade de ação dos órgãos ambientais estaduais e federais, com mais recursos para ações de monitoramento e fiscalização, a fim de permitir que o crime seja combatido antes que milhares de árvores tenham sido abatidas.

"Ao manter as portas abertas para receber madeira ilegal, o mercado se torna cúmplice da destruição da Amazônia. Empresas que comercializam madeira da Amazônia devem parar de comprar a menos que tenham garantias, por meio de mecanismos próprios, de que aquela madeira não tenha contribuído para o desmatamento, degradação florestal, perda de biodiversidade e impactos sociais negativos, como a violência contra a população local", finaliza Marina.

Vítimas de cólera no Haiti querem levar a ONU a tribunal

As Nações Unidas recusam-se a compensar as vítimas do surto de cólera que as forças de manutenção de paz trouxeram do Nepal para o Haiti, matando mais de 8500 pessoas. Artigo de Rosa Freedman, em The Conversation.

Tropas da ONU no Haiti. Foto David A. Frech/Wikimedia Commons










Em outubro de 2010, um surto de cólera teve início no Haiti pela primeira vez em mais de 100 anos. A estirpe que chegou ao Haiti tinha sido identificada numa região do Nepal, de onde um contingente de tropas de manutenção de paz tinha chegado dias antes do início do surto. Ficou provado que as Nações Unidas falharam no controle da doença antes das suas forças de paz entrarem no Haiti.
A fraca gestão de resíduos no acampamento das forças da ONU resultou no depósito das fezes infectadas num afluente do rio principal do Haiti. Nos primeiros 30 dias, as autoridades haitianas registraram quase 2.000 mortes de cólera. No pico de julho de 2011, a epidemia infectava uma pessoa a cada minuto - e quatro anos depois, o país ainda luta para se ver livre da doença.
Mas no passado dia 30 de setembro, um juiz de Nova Iorque deu um raio de esperança às vítimas de cólera em busca de justiça, ao decretar audições sobre se as Nações Unidas podem ou não responder em tribunal. As alegações orais estão marcadas para 23 de outubro.
O assunto reveste-se de grande sensibilidade, politica e legalmente - este é um momento seminal não apenas para os queixosos deste caso mas também para a própria ONU. Até agora, ela tem-se escondido atrás de um manto de imunidade que a protege de ser levada a um tribunal nacional. Mas as alegações que o juiz irá ouvir vão questionar se essa imunidade deve ou não existir - potencialmente colocando a ONU numa posição muito desconfortável.
Direitos e responsabilidades
A ONU não contesta que foram as suas forças de paz a trazer a cólera para o Haiti; nem está a tentar absolver-se da culpa pelas condições no interior do acampamento. Em vez disso, simplesmente recusou-se a compensar as vítimas do surto de cólera.
E também não formou comités de queixas locais, apesar de ter um claro dever legal para o fazer, ao abrigo da Convenção dos Privilégios e Imunidades das Nações Unidas. Com esse fracasso, negou às pessoas o seu direito humano fundamental de ter acesso a um tribunal e procurar compensação - um direito constante nos sistemas legais de todo o mundo.
Supostamente, a ONU tem imunidade absoluta face aos tribunais nacionais. Isso faz sentido; a ONU tem de conseguir trabalhar sem temer disputas levianas ou politizadas. Contudo, essa imunidade não pode ser usada como desculpa para violar direitos humanos.
Os direitos humanos, afinal de contas, são um dos três pilares das Nações Unidas; tal como os seus Estados-membros, a organização está obrigada pela lei internacional a defendê-los. E a contrapartida dessa imunidade é que a ONU tem de fornecer mecanismos alternativos de resolução de disputas. Essa obrigação está consagrada na Secção 29 da Convenção de Privilégios e Imunidades, bem como no Acordo sobre o Estatuto das Forças.
No passado, a ONU usou acordos de montante único, comissões de queixas, mediação e arbitragem para assegurar que as pessoas conseguem materializar o seu direito de aceder a um tribunal e a uma compensação. Mas as vítimas de cólera no Haiti não tiveram direito a nenhum destes mecanismos, nem a quaisquer alternativas.
Ao invés, a ONU apenas ignorou as suas queixas. O secretário-geral, Ban Ki-Moon, sublinhou a imunidade absoluta como barreira para as pessoas apresentarem queixa contra a organização e deixou bem claro que as compensações não farão parte do pacote à saída do Haiti.
Tudo muda
O processo da cólera foi levantado pelo Instituto para a Justiça e democracia no Haiti (IJDH), em representação de milhares de queixosos. O IJDH prepara um desafio significativo à imunidade da ONU, e já entregou muitos Amicus Curiae de académicos e profissionais do direito internacional europeus e norte-americanos.
A jurisprudência em diferentes tribunais e jurisdições mostram que a imunidade absoluta das Nações Unidas tem sido desafiada, embora sem sucesso, em factos que constam de muitos processos. A fundamentação para esses casos é que a imunidade legal da ONU viola o direito dos queixosos a ter acesso a um tribunal e a uma compensação judicial - e em todos os processos até agora, a ONU tem argumentado que a capacidade das pessoas acederem a mecanismos alternativos de resolução de disputas significa que os seus direitos foram cumpridos.
Mas as vítimas haitianas não têm nenhum mecanismo alternativo através do qual possam resolver o seu litígio. Está criado o pano de fundo para o primeiro desafio bem sucedido à ONU.
Se as Nações Unidas continuam a ignorar as vítimas de cólera, podem bem vir a acabar por ver torpedeada a sua imunidade legal absoluta. Isso será uma vitória para as vítimas de cólera, mas também criará um precedente para o qual a ONU não está preparada. Podemos passar a assistir em breve a processos apresentados contra a ONU noutras jurisdições.
Parece claro que a melhor alternativa para toda a gente seria a ONU aceitar a responsabilidade pelo surto de cólera e oferecer um método alternativo de resolução de litígios enquanto essa oportunidade ainda está em cima da mesa. De outra forma, as operações de paz das Nações Unidas em todo o mundo poderão vir a ficar em breve sob um nível de escrutínio que nunca sentiram até agora.

Rosa Freedman é Professora assistente de Direito na Universidade de Birmingham. Publicado no portal The Conversation

A comicidade da história

A política muito séria tem sempre o seu lado humorístico, as vezes cômico as vezes tragicômico. Diz-se que Pedro I proclamou a independência do Brasil em um jegue e que no início da "revolução de 30" Getúlio Vagas despachava com um secretário quase surdo quando começara um tiroteio, e este perguntou: "tanto tiro, será a revolução?" Getúlio responde: "Vai ver que é".

O Golpe de 1964 fora desferido por uma tropa que só tinha munição para meia-hora? Dizem que as tropas do general Mourão seriam postas à carreira até por balinheira liga de soro, e o presidente João Goulart depois de correr teria dito que não queria sangue derramado. 

Coreia do Norte fazendo testes com mísseis: dizem que é um aperto aí eles jogam foguetes só com pólvora para o mar na tentativa de causar clamor nos rivais; para outros desfiles militares da União Soviética eram feitos com com armamento de papelão.

Outro dia disseram que o candidato à presidência da república do Brasil, pastor Everaldo, lascou um peido na bancada do Jornal Nacional, e agora deslancha nas redes nesses aplicativos de telefone que fazem das pessoas escravos.

O ditador da Coreia do Norte estava desaparecido e falaram que foi por causa de uma contusão por causa dos sapato usados para fazê-lo ficar mais alto ou que estava muito gordo e esconderam-no.

Na "Revolta de Princesa" ocorrida em 1930 na Paraíba onde a cidade de Princesa Isabel liderada pelo Coronel José Pereira se declara independente daquele estado, diz-se que os aviões usados por José Américo de Almeida, ministro de Washington Luís, para amedrontar e supostamente bombardear a cidade eram sucatas velhas que sabe-se lá como voaram. E os cabocos passaram fogo no bicho, dizendo: "não matamos mas tiramos pelo menos as penas do rabo".

Na antiguidade grega as tragédias em três partes eram acrescidas de uma quarta, a comédia, e dessas só resta  O Ciclope; foram bem escondidas e destruídas por que o humor é o elemento mais democratizante da história e não agrada quem tem tendências sérias demais, ou seja, totalizantes.

A mudança climática é uma ameaça global aos direitos humanos, ONU


GENEBRA (17 de outubro de 2014) - A mudança do clima interfere no gozo dos direitos humanos reconhecidos e protegidos pelo direito internacional, disse o grupo de peritos independentes das Nações Unidas em uma carta aberta * a todos os Governos envolvidos na atual rodada de negociações sobre o clima. 

A chamada pelos direitos humanos dos especialistas vem antes da reunião da próxima semana em Bonn (20-25 de Outubro) do Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre a Plataforma de Durban para Ação aprimorada, para discutir a aplicação dos princípios da Convenção de Mudanças Climáticas, bem como as medidas de mitigação e a adaptação aos impactos das mudanças climáticas. 

"Apelamos aos Estados Partes para incluir no acordo de 2015 clima a linguagem que prevê que as Partes, em todas as ações relacionadas com a mudança climática, respeitem, protejam, promovam e cumpram os direitos humanos para todos. E instamos os Estados Partes na COP 20 em Lima para lançar um programa de trabalho para garantir que os direitos humanos sejam integrados em todos os aspectos de ações climáticas", afirmaram. 

"Exortamos os Estados Partes na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) para reconhecer os efeitos adversos da mudança do clima sobre o gozo dos direitos humanos e adotar mitigação e adaptação, para evitar mais danos de forma urgente e ambiciosa", disseram eles. 

Os peritos instaram os Estados Partes na UNFCCC "para garantir a plena coerência entre as suas obrigações de direitos humanos solenes e os seus esforços para combater as alterações climáticas, um dos maiores desafios dos direitos humanos do nosso tempo." 

Eles também chamaram atenção para os impactos desiguais das mudanças climáticas sobre o gozo dos direitos humanos em todo o mundo, e particularmente os efeitos desproporcionais das mudanças climáticas sobre os mais vulneráveis. "Um cuidado especial deve ser tomado para antecipar, prevenir e remediar os efeitos negativos sobre as pessoas que vivem na pobreza, que podem incluir os povos indígenas, minorias, migrantes e pessoas deslocadas, idosos, pessoas com deficiência e crianças, bem como para capacitar e proteger os direitos das mulheres ", disseram. 

Além disso, os especialistas observaram que o Estado tem a responsabilidade de assegurar a proteção dos defensores dos direitos humanos contra toda violência, ameaça, retaliação, discriminação, pressão ou qualquer outra ação arbitrária como consequência de suas atividades legítimas, inclusive em relação ao clima alterar. 

"As responsabilidades dos Estados-Partes em todos os aspectos acima não devem ser vistas como restritas a suas fronteiras", sublinharam. "A mudança climática é uma ameaça global aos direitos humanos que requer cooperação global para resolver, de acordo com o princípio da cooperação internacional firmemente enraizado na Carta das Nações Unidas, e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, e uma série de tratados e declarações de direitos humanos. Os Estados devem colaborar de boa fé para proteger o meio ambiente que suporta e permite o pleno gozo dos nossos direitos humanos. " 

Os especialistas destacaram a necessidade de urgência do tema, devido aos prazos que se aproximam para negociações sobre o clima para chegar a uma solução concreta. Após a reunião do ADP em Bonn, a Conferência das Partes da UNFCCC se reúne no mês de dezembro em Lima (COP 20), com o objetivo de adotar um novo instrumento jurídico em sua próxima reunião, em Paris, em dezembro de 2015 (COP 21). 

(*) Leia a carta aberta assinada por 28 especialistas em direitos humanos da ONU:http://www.ohchr.org/Documents/HRBodies/SP/SP_To_UNFCCC.pdf