"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Os eleitores expiatórios

A tradição judaico cristã para lidar com a culpa manifesta-se apontando um culpado, mesmo que seja o próprio sujeito quando o fato adverso ocorre. É a forma de se eximir ou de assumir todo o peso da culpa. Isso constituiu a crítica de Nietzsche sobre a cultura Ocidental; para ele a forma trágica para lidar com o fato adverso era saber retirar mais forças na hora da tragédia.

O inverso disso é tentar se sentir livre da culpa. No tempo em que Aarão reinava sobre os judeus, diz-se que em uma festa anual Aarão matava um boi para si e para os outros sacerdotes e para o povo destinava dois bodes, um matava-se e servia e sobre o outro colocava as mãos a fim de transportar para o animal todos os pecados cometido pelo povo.

Temos os culpados, estamos livres e agora precisamos demonstrar isso. Eu vi o adesivo no carro que dizia: A culpa não é minha, eu votei no Aécio. Bom, então a preocupação era só para ter algo e não pelo fato de haver uma nação envolvida?

Temos os bodes expiatórios que devem arcar com todos os problemas, lavamos as mãos. Ah, nunca pensem que uma nação se faz se eximindo da culpa.

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