"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 21 de maio de 2016

Crise do emprego, a geração perdida e a impopularidade do governo


Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

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As mobilizações de junho de 2013 que ocorreram nas principais capitais do Brasil e que agitaram principalmente os jovens, foram reflexos da crise econômica que se abateu sobre as regiões mais dinâmicas do país.
O mercado de trabalho vinha criando vagas e abrindo oportunidades para os jovens, em especial, os mais escolarizados. A taxa de ocupação (População economicamente ativa – PO/População em idade ativa – PIA) aumentou entre março de 2002 e dezembro de 2012 nas 6 regiões metropolitanas. O nível de ocupação sempre foi maior em Belo Horizonte (BH), São Paulo (SP) e Porto Alegre (PoA), do que em Salvador, Recife e Rio de Janeiro (RJ), segundo dados da PME do IBGE.
Mas de 2013 para a frente, os jovens sentiram o esfriamento do mercado de trabalho. A dimensão da crise não estava clara, mas os jovens na rua mostraram que existia algo errado. O governo Dilma Rousseff e os ideólogos do PT cometeram um erro grave de não perceber a real causa da insatisfação da juventude. O bloco governista considerou que as manifestações eram de direita e que existia que aquelas manifestações contra o governo eram sinais de um fascismo impregnado na sociedade brasileira. A esquerda governista não teve a humildade de perceber que as manifestações contrárias ao governo petista tinham bases reais e não reconheceram os erros cometidos nos anos anteriores.
O que já estava ruim em 2013 piorou muito em 2015 e 2016. A taxa de ocupação de jovens de 18 a 24 anos caiu em todas as 6 Regiões Metropolitanas. No Rio de Janeiro, Recife e Salvador a taxa ficou abaixo de 45% (isto quer dizer que 55% destes jovens não tinham emprego). Em Belo Horizonte a taxa de ocupação caiu de quase 70% para menos de 50%. Em São Paulo e Porto Alegre a taxa caiu mais ainda há mais jovens ocupados do que desocupados e fora da PEA.
O gráfico abaixo mostra que o número de jovens de 18 a 24 anos ocupado subiu de 3 milhões em março de 2002 (taxa de 52,4%) para 3,3 milhões (taxa de 62,5%) em dezembro de 2012, embora a PIA de 18 a 24 anos estivesse diminuindo. Porém, em dezembro de 2014 o número de jovens na PO tinha caído para 2,9 milhões e a taxa de ocupação abaixou para 58,5%. Mas a situação piorou muito com a estagflação de 2015, sendo que o número de jovens na PO caiu para 2,4 milhões em fevereiro de 2016, representando uma taxa de ocupação de 49,6%. Nunca, na série da PME, a taxa de ocupação de jovens de 18-24 anos foi tão baixa e nunca tinha ficado abaixo de 50%. A diminuição absoluta do número de jovens abriu uma janela de oportunidade para melhorar a taxa de ocupação e a qualidade do emprego e dos salários. Mas a crise jogou tudo por terra, parindo uma geração perdida.

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Essa crise no mercado de trabalho e a falta de perspectiva para os jovens é uma das causas da queda de popularidade da presidenta Dilma Rousseff. Na consulta à opinião pública em março de 2013, a Datafolha apurou um índice de ótimo e bom da avaliação do governo de 65%. A avaliação regular estava em 27% e o índice de ruim e péssimo estava em apenas 7%. Esta avaliação excepcional tinha sido poucas vezes atingida na história da República. Porém, em julho de 2013, os índices tinham passado para 30% de ótimo e bom; 43% de regular e 25% de ruim e péssimo. Ou seja, a estagnação do mercado de trabalho, especialmente para os jovens, explica grande parte desta queda de popularidade (nota-se de que a operação Lava-jato contra a corrupção foi lançada só em 2014). Após as manifestação, o governo começou a tomar uma série de medidas para estimular a economia e para ampliar as políticas sociais visando recuperar a popularidade e ganhar as eleições de 2014. De fato, os índices de ótimo e bom voltaram para a casa dos 40% no segundo semestre de 2014 e garantiram a reeleição.

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Houve um colapso do emprego a partir de dezembro de 2014, logo após as eleições presidenciais. Junto com a perda de vagas caiu também os indicadores de avaliação da presidenta Dilma. O índice de ruim e péssimo, que estava em 20% na época das eleições subiu para 62% em março de 2015 e 71% em agosto de 2015. O índice de ótimo e bom que estava em 40% na época das eleições caiu para 8% em agosto de 2015. Toda a sociedade brasileira sentiu que houve um golpe chamado estelionato eleitoral.
Como consequência, e reforçando os efeitos da crise e da queda da popularidade da presidenta Dilma Rousseff, as manifestações de rua do dia 13 de março de 2016 foram as maiores da história do Brasil. Estima-se em mais de 6 milhões de pessoas nas ruas de todas as capitais das UFs e de centenas de cidade pelo Brasil afora. O destino do governo foi selado nas ruas.

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Existem muitas teorias conspirativas para explicar a queda da presidenta Dilma Rousseff que deixou o Palácio do Planalto no dia 12 de maio de 2016. Muitos estudos precisam ser feitos para descrever com detalhes este período histórico. Mas sem dúvida a crise no mercado de trabalho e a falta de perspectiva para a juventude brasileira foi um fator decisivo para o que ocorreu no Brasil.
O gráfico abaixo mostra a taxa de ocupação (PO/PIA) dos jovens de 18-24 anos, segundo a PME, e o índice de ótimo/bom da pesquisa de avaliação do governo Dilma Rousseff. Nota-se que existe uma relação entre as duas curvas. De 2011 a dezembro de 2012 a taxa de ocupação dos jovens cresce e também a avaliação positiva do governo. Mas no primeiro semestre de 2013 a taxa de ocupação cai e também o índice de aprovação do governo. No segundo semestre de 2013 ambos se recuperam. O mesmo acontece em 2014 com ambos os indicadores caindo no primeiro semestre e se recuperando no segundo semestre. Em 2015 existe um colapso na taxa de ocupação dos jovens e um colapso na popularidade da presidenta Dilma.

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Os jovens são o futuro do Brasil. Jovens sem futuro significa Brasil sem futuro. Jovens sem oportunidades no mercado de trabalho significa uma economia capenga, falta de mobilidade social ascendente e carência de força de trabalho para financiar as contribuições à previdência social e para garantir a qualidade de vida dos idosos. Não dar opções para uma geração perdida é fazer com que o Brasil também fique perdido.
O novo governo precisa aprender a lição dos últimos anos e dar esperança para essa geração perdida. Senão quem vai estar perdido é o novo governo e os governantes que não conseguirem dar alento para os filhos da população brasileira. Mas a juventude pode envelhecer antes de ficar adulta e o Brasil pode ficar decrépito precocemente.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 20/05/2016

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Economia brasileira: ponto de ruptura



O impeachment foi um marco não só para reflexão mas, também, para a ação. Esses 180 dias serão significativos para a tomada de decisão de que caminho seguir para superar as pedras e da escolha da rota adequada ao desenvolvimento do País.
Algumas das pedras fundamentais (mais pesadas) a remover são:
1. Redução da dívida pública, superação do déficit e adequação/racionalização dos gastos públicos.
2. Redução/eliminação da corrupção, tendo como princípio não só regras eficazes para impedir, como punições severas para os corruptos e corruptores.
3. Adequação da carga tributária que, hoje, leva o brasileiro a doar mais de quatro meses do ano de seus esforços para suprir os encargos do País, tendo como peso os gastos públicos, a corrupção, a burocracia e a ineficiência pública.
4. Melhorar aspectos fundamentais como: saúde, educação, segurança e infraestrutura. 
5. Outros aspectos complementares.
Evidentemente a reconfiguração da situação econômica poderá exigir alguns sacrifícios temporários, mas que serão superados se forem tomadas decisões e realizadas ações adequadas, não só conjunturais como, principalmente, estruturais.
Os atuais governantes, ainda que temporários, dão sinais de que tendem para a rota de adequação da gestão. Isto exigirá empenho, persistência, coerência e competência.
O sistema previdenciário exigirá medidas que, não só, se adequem ao aumento da sobrevivência das pessoas como, também, que corrijam e impeçam a apropriação indevida de aposentadorias por benefícios para os quais não contribuíram adequadamente pelo devido tempo. Da mesma forma, os gastos/desperdícios públicos que elevam o custo-País.
Feitas as devidas correções dos erros cometidos na gestão pública ao longo de muitos anos, com impedimento ao retorno dessas práticas, em poucos anos o País poderá trazer as contas públicas ao equilíbrio, possibilitando a redução da carga tributária, permitindo as empresas e as pessoas caminharem não só ao crescimento mas, também e principalmente, ao “ Desenvolvimento”.
Realizado este sonho, o potencial do País, por seus recursos, poderá posicioná-lo, no médio prazo, entre os três primeiros países do mundo. Isto ainda é um  sonho mas poderá tornar-se realidade.
É preciso acreditar e, pela constituição de eficazes  “Comunidades Cívicas”, que sabem e buscam o que é desejável, justo e possível, o sonho seja realizado.

Escrito por Humberto Dalsasso
Economista-Consultor Empresarial de Alta Gestão.

OMM diz que temperatura global atingiu recorde em abril

Agência da ONU diz que níveis históricos foram registrados pelo 12º mês consecutivo; 13 dos 15 meses mais quentes até agora ocorreram todos desde fevereiro de 2015; pela primeira vez,  níveis de concentrações de CO2 na atmosfera equiparam-se nos Hemisférios Norte e Sul.
Temperatura global de abril. Imagem: Nasa/OMM
Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.
Os níveis da temperatura global registraram um novo recorde em abril pelo 12º mês consecutivo. A informação é da Administração Atmosférica Nacional Oceânica dos Estados Unidos.
Segundo a agência, 13 dos 15 meses mais quentes em 137 anos ocorreram desde fevereiro de 2015.
Efeitos
A média da temperatura combinada nas superfícies terrestre e oceânica em abril foi de 1.10º Celsius acima da média do século 20, registrada em 13.7ºC.
A informação vem de bancos de dados separados da Nasa e das autoridades de meteorologia no Japão.
Já o secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, OMM, lembrou que abril trouxe mais um recorde. Petteri Taalas afirmou que o calor extraordinário notificado no ano passado ficará muito aquém dos níveis de 2016.
Para Taalas, os níveis atuais da temperatura resultam dos efeitos de mudança climática e da passagem do fenômeno El Niño.
Emissões
O chefe da OMM explicou que o El Niño está perdendo força e que provavelmente abrirá caminho daqui a alguns meses para o La Niña.
A agência da ONU  afirma que qualquer efeito de resfriamento do la Niña será temporário e não ajudará a aplacar as consequências do aquecimento global provocado por emissões de dióxido de carbono.
Taalas concluiu lembrando que a implementação rápida do Acordo de Paris sobre Mudança Climática torna-se cada vez mais importante caso a meta ambiciosa de manter o aquecimento na faixa de 1.5 ou 2º Celsius seja alcançada.
Pela primeira vez, as concentrações de CO2 no Hemisfério Sul equipararam-se aos níveis do Hemisfério Norte, ultrapassando a marca de 400 partes por milhão (ppm).

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Keynes e a Teoria Quantitativa da Moeda



Por Frances Coppola

"A melhor tese da Teoria Quantitativa da Moeda vem de Keynes", comentou Toby Nangle no Twitter, referindo-se ao presente número a partir de Keynes Carta Aberta a Roosevelt (ênfase de Toby): 
O outro conjunto de falácias, de que temo a influência, surge de uma doutrina econômica bruta vulgarmente conhecida como a Teoria Quantitativa da Moeda. Aumento da produção e aumento da renda irá sofrer um retrocesso, mais cedo ou mais tarde, se a quantidade de dinheiro é rigidamente fixado. Algumas pessoas parecem inferir daí que a produção e a renda podem ser aumentadas através do aumento da quantidade de dinheiro. Mas isso é como tentar engordar comprando um cinto maior. Nos Estados Unidos no dia-a-dia seu cinto é grande o suficiente para a sua barriga. É uma coisa mais enganosa de salientar a quantidade de dinheiro, que é apenas um fator limitante, em vez do volume de despesas, que é o fator operacional.

Mas é realmente Keynes defensor da Teoria Quantitativa da Moeda (QTM)? Bem não. Ele se opõe ao modo pelo qual ela é utilizada, e as políticas que são derivadas a partir dela. 


O QTM em si é uma identidade: 



MV = PY 



em que M é a quantidade de dinheiro em circulação, V é a sua velocidade, P é o nível geral de preços e Y é o produto. 



Como esta é uma identidade, não nos diz nada sobre a direção da causalidade. Na verdade, nesta forma, MV é a variável dependente e deve ser considerado como respondente às mudanças no PY, e não vice-versa. 



Mas a identidade pode igualmente ser escrito PY = MV. E nesta citação, o próprio Keynes usa desta maneira: 

Aumento da produção e aumento da renda irá sofrer um retrocesso, mais cedo ou mais tarde, se a quantidade de dinheiro é rigidamente fixada.

Podemos usar o QTM para explicar isso. Se M é fixo, então quando Y está subindo tanto V deve aumentar (o dinheiro deve circular mais rápido, o que implica que as pessoas gastam com mais frequência) ou P deve cair. Mas quando P está caindo, as pessoas tendem a adiar as compras, o que retarda a velocidade do dinheiro. Então, caindo P tende a ser associada com a queda, que não levanta, V. Assim, se M é fixa, Y acabará por estagnar ou mesmo cair. M deve ser autorizado a aumentar à medida que Y aumenta, mantendo o nível de preços estável. 


Assim, longe de usar isso, Keynes em utiliza o próprio QTM. 



E ainda assim ele é definitivamente crítico dele. Então o que é que ele realmente reclama? 



Sua objeção é a expansão ativa da oferta de dinheiro, a fim de estimular a produção. Isto é evidente a partir do último período: 

É uma coisa mais enganosa de salientar a quantidade de dinheiro, que é apenas um fator limitante, em vez do volume de despesas, que é o fator operacional.

Colocando isso de forma diferente, podemos dizer que, embora segurando M fixo, eventualmente, impede Y de subir (fator limitante), aumentando M quando Y está estagnado, não necessariamente chutá-a em ascensão. Se isso acontecer, depende da disposição das pessoas para aumentar os gastos. 


Os apologistas da QTM tendem a insistir que o aumento da oferta de moeda deve estimular os gastos: se as pessoas têm mais dinheiro elas vão gastá-lo. Mas isso depende de outras coisas. Coisas realmente bastante fundamentais, na verdade. 



O primeiro diz respeito ao que entendemos por "dinheiro". Na sua forma pura monetarista - e confesso que eu usei-o desta forma - M é definido como a base monetária, M0. Arqui-monetaristas irão dizer-lhe que o aumento da base monetária aumenta a atividade econômica, assim tudo que é necessário para obter economias em movimento depois de uma queda é lotes e lotes de QE. Receio nisto estou de acordo com Keynes. É beliche. O aumento da base monetária sozinha é incapaz de obter economias em movimento. Um breve olhar para o Japão é mais do que suficiente para nos dizer isso. 



O problema é que no sistema monetário moderno, apenas uma pequena proporção de dinheiro em circulação é a base monetária. O resto é o que chamamos de "massa monetária", que é criado pelos bancos no decorrer do empréstimo. E quando os bancos estão danificados, eles não se prestam. Não, deixe-me alargar isso. Quando balanços do sector privado estão danificados - as pessoas estão sobre-endividados, suas classificações de crédito são filmados em pedaços e eles estão lutando para pagar as suas dívidas existentes - os bancos não emprestam e as pessoas não pedir emprestado. 



É auto-reforço: os bancos apertam padrões de crédito para escorar seus balanços de alto risco apenas quando os balanços das famílias e empresas estão no seu mais frágil. Nós culpamos os bancos por não emprestar, enquanto exigimos ao mesmo tempo que se façam menos arriscado: culpamos empresas por não usar empréstimos para investir em novas capacidades, incentivando ao mesmo tempo as famílias a cortar gastos, a fim de pagar dívidas e poupar para o futuro. E no meio dessa pilha fumegante de padrões duplos e mensagens conflitantes, nós derramamos enormes quantidades de base monetária, na crença equivocada de que ele irá encorajar os bancos a emprestar e as pessoas a gastar. A verdade é que tem muito pouco efeito sobre qualquer um. 



Os bancos não usam base monetária para os empréstimos. Adicionam grandes quantidades de base monetária para o sistema não faz deles emprestar. Mais uma vez, um breve olhar em qualquer lugar que tem vindo a fazer QE em qualquer quantidade é facilmente o suficiente para nos dizer isso. A criação de dinheiro Broad não depende da quantidade de M0 no sistema. Depende da disponibilidade dos bancos para emprestar, e da vontade das famílias e das empresas para emprestar. E isso depende da saúde dos balanços do setor privado. Quando balanços do sector privado são bastante danificada, a massa monetária estagna, e nenhuma quantidade de base monetária fará qualquer diferença. 



Keynes não explicou exatamente por isso que a adição de base monetária para o sistema não faz diferença quando balanços do setor privado estão danificados. Por essa visão, precisamos olhar para Richard Koo. Mas Keynes compreendeu o efeito. Adicionando base monetária ao sistema quando os bancos não querem emprestar e as pessoas não querem gastar é como "empurrar um pedaço de corda". Ou talvez como líder um cavalo à água. Se o cavalo não quer beber, não vai, mesmo se for apresentado com o rio Nilo. 



Mas os bancos centrais também podem adicionar a massa monetária ao sistema, se comprar títulos diretamente de empresas e famílias em vez de bancos. Será que isso funciona melhor? 



Não muito, francamente. E isso me leva ao meu segundo ponto fundamental. Se o que você quer é incentivar as pessoas a gastar, você deve aumentar o dinheiro disponível para os mais propensos a gastar. 



Basta comprar os ativos dos ricos que não vai fazer muita diferença para a atividade econômica. Eles vão gastar o dinheiro, sim - em outros ativos. Mas para baixo no nível de base, as empresas vão ainda estar lutando para encontrar alguém para comprar seus produtos e serviços, porque as pessoas que compram essas coisas não são os ricos - eles são pessoas comuns que são mal pagos, sobre-endividados e lutando para fazer face às despesas. As pessoas com maior probabilidade de passar, uma vez mais dinheiro, são os pobres, não os ricos. Para que eu possa ter uma visão mais nuançada do que Keynes. Apertar o cinto pode fazer a mais gorda barriga, se a maneira em que o cinto é solto significa que as pessoas com mais dinheiro para gastar são os mais propensos a gastar. 



Isto pode ou não pode significar um aumento da massa monetária. Pode significar simplesmente redistribuição da massa monetária existente. Mergulhe os ricos, em suma. Ou tributar os seus investimentos improdutivos (sim, eu sei, isso é uma heresia). 



se dando atenção suficiente no QTM-terra para sutilezas de distribuição. E ainda a distribuição do dinheiro é tão importante quanto a sua quantidade. Se a maioria do dinheiro na economia é mantida por alguns, que distribuí-la entre si para comprar ativos de investimento, em seguida, adicionando mais dinheiro infla os preços desses ativos, enquanto a produção fica estagnada e os preços dos bens e serviços utilizados por pessoas comuns caem . 



Então, o dinheiro helicóptero seria muito melhor do que QE como um estímulo monetário. Mas, comoJohn Kay assinala , o dinheiro de helicóptero é o gasto deficitário, realmente. E isso me leva ao meu terceiro ponto fundamental. 



A expansão da base monetária com QE, reduzindo simultaneamente os gastos do governo e aumento de impostos para "consertar as finanças fiscais" é uma lavagem. Não, é pior do que isso. Ele transfere dinheiro de famílias que realmente iriam gastar esse dinheiro em bens e serviços, e empresas que investiriam-no para o crescimento futuro, para os bancos e os ricos, que só gastar em bens. Os efeitos riqueza de preços de ativos inflados pode na margem incentivar mais gastos entre aqueles tolos o suficiente para emprestar (ou dis-salvar) sobre a força de mais-valias latentes, enquanto as taxas de juros deprimidas que são a consequência inevitável de preços de ativos inflados podem também incentivar empréstimos por aqueles que lutam para dívidas de serviços, caso as taxas de juros foram maiores. Estou constantemente espantado que qualquer decisor político pensa que tal comportamento imprudente deve ser encorajado. 



Os gastos deficitários seriam tanto mais seguros e mais eficazes do que inundar bancos com reservas e explodir bolhas de preços de ativos. Mas temos amarrado nos em uma camisa de força ridícula por causa do medo totalmente injustificada da dívida pública. Então agora propomos dinheiro helicóptero e "QE do povo" como uma maneira de fazer gastos deficitários enquanto finge que não somos. alguém está realmente enganado? 



Deixo a última palavra para Keynes, a partir da mesma carta a Roosevelt. 

No campo da política interna, eu coloquei na linha de frente, pelas razões dadas acima, um grande volume de empréstimo gastos sob os auspícios do Governo. Ele está além da minha província para escolher objetos específicos de despesas. Mas deve ser dada preferência às que podem ser feitas para amadurecer rapidamente em grande escala, como por exemplo a reabilitação da condição física das ferrovias. O objetivo é começar a bola rolar. Os Estados Unidos estão prontos para rolar para a prosperidade, se um bom empurrão duro pode ser dada nos próximos seis meses. Não foi possível a energia e entusiasmo, que lançou o NIRA em seus primeiros dias, ser colocado atrás de uma campanha para acelerar as despesas de capital, como sabiamente escolhida como a pressão das circunstâncias licenças? Você pode, pelo menos, a certeza de que o país será melhor enriquecido por esses projetos que pela ociosidade involuntária de milhões.
Os gastos deficitários - mesmo vestidos como o dinheiro de helicóptero - é um conjunto muito menos assustador do que a estagnação e perda de produção. Vamos logo com isso. 

A morte da TV Brasil - atentado terrorista

Luiz Rodrigues - editorial

Circula na internet "boatos" dando conta da publicação amanhã (sexta-feira, 20) de uma medida provisória direcionada a modificar ou extinguir a Empresa Brasil de Comunicação encabeçada pela TV Brasil; emissora pública brasileira organizada para ser uma emissora de variedades, nos moldes das TV´s comerciais, só que sem fins lucrativos e voltada essencialmente para conteúdo educativos e/ou de interesse público, assim como ocorre na Europa, onde, em alguns países como Portugal e Inglaterra a RTP e a BBC, estatais desses dois países, respectivamente, possuem programação entre as maiores audiências naquelas nações; a Alemanha e a Espanha também possuem emissoras estatais aos moldes adotados pela TV Brasil.

Resultado de imagem para tv brasilNo mais, a EBC também conta com a Agência Brasil, agência de notícias na Internet produtora de conteúdo jornalístico, amplamente utilizada por outros portais na rede. A empresa assumiu ainda as emissoras públicas de rádio. Atualmente a TV Brasil detém os direitos de transmissão de três séries do Campeonato Brasileiro de Futebol, séries B, C e D, no último sábado a emissora transmitiu a primeira partida da Série B e faia neste final de semana transmissão de partidas da Série C. Transmite também o Campeonato Brasileiro de Futebol feminino e transmitiria as paraolimpíadas do Rio 2016.

Se vier a se efetuar a extinção da EBC e da TV Brasil se tratará não de um ato de governo, mas de um atentado terrorista. A programação das grandes emissoras comerciais são encabeçadas por programas policialescos e os programas de entrevista quando aparecem são na madrugada. O ato a ser praticado por Michel Temer configuraria uma atitude de pequenez, desprezo pela nação e egoísmo sectário da sua corja encabeçada por pastorecos neo-pentecostais.

Estudo revela como o vírus zika mata as células cerebrais

Análises de proteômica e transcriptômica desvendaram os mecanismos moleculares disparados pela infecção viral nas células progenitoras neurais, as precursoras dos neurônios
Estudos recentes têm mostrado que as células progenitoras neurais – um tipo de célula-tronco capaz de se transformar em neurônios e em células da glia – são os alvos preferenciais do vírus zika quando ele infecta o cérebro de bebês em gestação.
Uma nova pesquisa, divulgada por um consórcio de pesquisadores brasileiros, esmiuçou os mecanismos moleculares que são ativados durante a infecção viral e acabam levando essas células à morte.
Os resultados podem guiar os cientistas na busca por medicamentos capazes de evitar ou, ao menos, minimizar o dano causado pelo vírus no sistema nervoso central.
“Já se sabia que as células progenitoras neurais são as que mais morrem em decorrência da infecção pelo zika e, agora, nós mostramos como elas morrem. Os dados indicam que a replicação viral causa uma instabilidade genômica e isso resulta em interrupção do ciclo celular. A célula não consegue mais se proliferar, nem dar início ao processo de diferenciação e acaba entrando em apoptose [morte programada]”, disse Juliana Minardi Nascimento, pós-doutoranda do Laboratório de Neuroproteômica do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coautora do artigo.
As conclusões são baseadas em análises de proteômica (conjunto de proteínas presentes na célula) e de transcriptômica (do conjunto de genes expressos) feitas in vitro, com culturas tridimensionais de células progenitoras neurais.
“Em vez de cultivar as células em placas de vidro convencionais, nós as colocamos em rotação, sob condições bem específicas, para que assumam um formato tridimensional e formem as chamadas neurosferas. A formação de neurosferas marca o início do processo de diferenciação celular ou neurogênese”, explicou Nascimento, cuja pesquisa, intitulada “Proteômica quantitativa de linhagens neurais e organoides cerebrais derivados de células-tronco de pluripotência induzida de pacientes com esquizofrenia”, tem apoio da Fapesp.
A vantagem do modelo é que ele mimetiza melhor o funcionamento celular in vivo. “Na cultura bidimensional, elas só conseguem interagir com células que estão imediatamente ao seu lado. No modelo tridimensional, a comunicação ocorre com todas ao redor e fica mais parecido com o cérebro de um embrião em estágio rudimentar de desenvolvimento”, disse a pesquisadora.
Antes de dar início ao procedimento para a formação de neurosferas, os pesquisadores infectaram parte das células com o vírus zika. Foi usada uma amostra da linhagem brasileira isolada de um paciente de Pernambuco.
“As culturas ficaram em contato com o vírus durante duas horas e, depois, ele foi inativado e teve início o processo de indução de neurosferas. As células infectadas chegaram a se agregar em esferas, mas não progrediram muito. Após seis dias, as neurosferas começaram a se desmanchar e, após 12 dias, não restava praticamente nada nas culturas infectadas”, contou Nascimento.
No terceiro dia após a infecção, o grupo observou que as culturas expostas ao zika haviam crescido 40% menos que as do grupo controle. As análises de proteômica indicaram 458 proteínas alteradas, sendo que 199 delas estavam menos expressas do que nas células controle e 259 estavam com a expressão aumentada.
“Muitas proteínas de tradução [que traduzem o RNA mensageiro para formar uma nova proteína] estavam alteradas, o que é comum em infecções virais, pois esse tipo de patógeno usa o maquinário da célula para produzir suas próprias proteínas. Também notamos aumento na expressão de moléculas relacionadas ao reparo de DNA, como a BRCA1. Isso indica que a replicação viral estava gerando erros no material genético e deixando a célula instável”, disse Nascimento.
O que mais chamou a atenção dos pesquisadores, porém, foi a mudança no perfil de expressão de proteínas relacionadas ao ciclo celular.
“Os resultados indicam que o ciclo celular foi interrompido ainda muito no início, antes que a célula começasse a duplicar seu material genético. Também foi possível ver que essa pausa não foi motivada pelo início do processo de diferenciação, pois as proteínas relacionadas à neurogênese estavam diminuídas em relação às neurosferas controle”, disse Nascimento.
No sexto dia após a infecção, o número de neurosferas controle era 50% maior que o das expostas ao vírus. As células não infectadas também haviam avançado bem mais no processo de diferenciação em neurônio, o que ficou evidente pela maior presença de proteínas que funcionam como marcadores específicos para esse tipo celular.
“Nas neurosferas expostas ao zika a quantidade de marcadores relacionados a neurônios estava bastante diminuída. Por outro lado, observamos a presença de caspase-3 ativa, proteína indicadora de apoptose. Outro indício de que as células estavam morrendo foi a presença de núcleos muito condensados”, disse a pesquisadora.
Nas análises feitas no 12º dia após a infecção, observou-se um número dez vezes menor de neurosferas infectadas em comparação ao grupo controle. “Em experimentos in vitro, cerca de 21 dias podem ser necessários para obter um neurônio jovem funcional a partir de uma célula progenitora neural. Mas, neste estudo, mostramos que a maioria das células progenitoras infectadas pelo zika não dura nem 12 dias. É um processo de morte rápido”, disse.
Colaborações
Os experimentos in vitro foram conduzidos no Rio de Janeiro, sob a coordenação de Patrícia Garcez e Stevens Rehen, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor).
As análises de proteômica foram feitas na Unicamp e, além de Nascimento, contaram com a colaboração da pós-doutoranda Juliana Silva Cassoli e com a coordenação do professor Daniel Martins de Souza. Os ensaios de transcriptômica foram realizados em Belém, por colaboradores do Instituto Evandro Chagas. Os resultados estão submetidos para a análise de uma revista de alto impacto e, em função da relevância do tema para a saúde pública, foram colocados on-line antes mesmo da conclusão do processo de revisão por pares.
A versão preliminar do artigo Combined proteome and transcriptome analyses reveal that zika virus circulating in Brazil alters cell cycle and neurogenic programmes in human neurospheres (doi.org/10.7287/peerj.preprints.2033v1) pode ser lida em peerj.com/preprints/2033/.

A estagnação da taxa de atividade feminina no mundo

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

“O mundo precisa de justiça, não de caridade”
Mary Shelley

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O ano de 2015 marcou o septuagésimo aniversário da criação da Organização da Nações Unidas (ONU) e foi marcado por três grandes atividades: 1) a Terceira Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FpD3), em Addis Abeba, capital da Etiópia, de 13 a 16 de julho; 2) a Cúpula do Desenvolvimento Sustentável da ONU, em Nova Iorque, de 25 a 27 de setembro, para aprovação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS); e 3) a 21ª Conferência do Clima (Conferência das Partes, COP-21), em Paris, de 30 de novembro a 11 de dezembro, que aprovou o Acordo de Paris visando reduzir o ritmo de aumento do aquecimento global (ALVES, 2015).
Em outra atividade importante, a ONU Mulheres e o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (Desa) da Secretaria da ONU, divulgou no final de 2015 o relatório “El Progreso de las Mujeres en el Mundo 2015-2016: Transformar las economias para realizar los derechos”, em comemoração aos 20 anos da 4ª Conferência Mundial de Mulheres, ocorrida em Beijing, em 1995.
O mundo tem passado por grandes transformações e, sem dúvida, o empoderamento das mulheres e a redução das desigualdades de gênero representam um passo essencial do avanço civilizatório. Os 70 anos da ONU coincidiram com um período de grande crescimento demoeconômico que foi acompanhado de um aumento da renda per capita, redução das taxas brutas de mortalidade, elevação dos níveis de escolaridade, melhoria nas condições de habitação, ampliação e diversificação do consumo de bens e serviços, além do processo de descolonização e consolidação de regimes democráticos.
O documento “El Progreso de las Mujeres en el Mundo 2015-2016: Transformar las Economías para Realizar los Derechos” deixa claro que houve melhoria das condições de vida das mulheres, embora isso tenha ocorrido de forma diferenciada nas distintas áreas de atividade humana e não foi uniforme em termos nacionais e regionais. Não resta dúvidas de que, no geral, as desigualdades de gênero se reduziram desde o fim da Segunda Guerra Mundial e, em especial, depois da 4ª Conferência Mundial de Mulheres. O relatório mostra que desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, passando pelas quatro Conferências da ONU sobre a situação das Mulheres, os diversos governos do mundo assumiram compromissos juridicamente vinculantes no sentido de respeitar, proteger e garantir os direitos humanos das mulheres, reconhecendo o vínculo entre o empoderamento feminino e a prosperidade econômica. Houve inclusive a reversão de desigualdades como no caso da esperança de vida e da educação em que as mulheres superaram os homens (ALVES; CORREA, 2009).
Porém, um dado preocupante se refere à redução das taxas de atividade de homens e mulheres e uma estagnação do hiato de gênero no mercado de trabalho. Segundo o relatório, as taxas de atividade masculinas caíram de 81% em 1990 para 77% em 2013 e as taxas femininas diminuíram de 52% para 50% no mesmo período. A diferença entre as duas taxas era de 29 pontos em 1990 e caiu ligeiramente para 27 pontos em 2013.
Há ainda grandes diferenças regionais. As menores taxas de atividade das mulheres (em torno de 20%) e as maiores desigualdades estavam na região conhecida como MENA, onde havia um hiato de gênero acima de 50 pontos. Em seguida, os piores indicadores de atividade feminina e de desigualdade de gênero encontravam-se no Sul da Ásia – especialmente na Índia. Já as maiores taxas de atividade feminina (acima de 60%) e os menores diferenças de gênero (em torno de 16 pontos) estavam no Leste Asiático e na África Subsaariana. A América Latina tinha taxas de atividades de 82% para os homens e 40% para as mulheres em 1990, passando para 80% para os homens e 54% para as mulheres em 2013. Ou seja, as mulheres latino-americanas foram as que mais reduziram o hiato de gênero (de 42 pontos para 26 pontos de diferença) no período, embora estando aquém do Leste Asiático e da África Subsaariana.
No Brasil, as mulheres apresentaram inserção crescente no mercado laboral entre 1950 e 2012. Entretanto, as taxas de atividade começaram a cair a partir de 2013, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Emprego. A crise de emprego se acentuou em 2015 e está chegando a um ponto crítico em 2016. A queda das taxas de ocupação feminina pode gerar o efeito indesejado do desempoderamento das mulheres e até o des-desenvolvimento do país com o fim do bônus demográfico feminino (ALVES, 2016).
Parece que a estagnação do mercado de trabalho feminino é um fenômeno global. Mas no caso brasileiro ele está acontecendo de forma precoce e acentuada. É urgente que a deterioração das condições de trabalho seja interrompida e revertida.
Nesse momento em que o Brasil tem uma presidenta afastada e um presidente interino, é lamentável a instalação de um ministério misógino. Não há uma mulher no topo da hierarquia da Esplanada dos Ministérios em Brasília. Isso é um grande retrocesso. Dilma fez pouco para avançar na equidade de gênero (como mostra artigo do IPS) e tentou instrumentalizar as questões de gênero se fazendo de vítima. Temer simplesmente ignorou as questões de gênero e fez um “ministério das cuecas brancas”. Mesmo a colocação de uma mulher, depois das críticas, não muda a situação fundamental, pois é bom lembrar que “uma andorinha só não faz verão”. Falta um ministério com a diversidade suficiente para representar minimamente a sociedade brasileira.

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Porém, o empoderamento feminino é fundamental para o bem-estar social. O emprego feminino deveria ocorrer em todas as áreas e em todos os setores, especialmente no topo da hierarquia dos espaços de poder. Não resta dúvida de que a equidade de gênero e a emancipação feminina é uma condição para a emancipação do país e para a prevalência da justiça social.
Referências:
ALVES, José Eustáquio Diniz. “Os 70 anos da ONU e a agenda global para o segundo quindênio (2015-2030) do século XXI”. Rev. Bras. Estud. Popul., São Paulo, vol. 32, n. 3, p. 587-598, 2015. Disponível em
______; CORREA, Sônia. “Igualdade e desigualdade de gênero no Brasil: um panorama preliminar, 15 anos depois do Cairo”. In: ABEP, Brasil, 15 anos após a Conferência do Cairo, ABEP/UNFPA, Campinas, 2009, p. 121-223. Disponível em:http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/outraspub/cairo15/Cairo15_3alvescorrea.pdf
_______; Desafios da equidade de gênero no século XXI. Estudos Feministas, Florianópolis, 24(2): 292, maio-agosto/2016 p. 629-638

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 18/05/2016

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Dois terços da população mundial devem viver em cidades até 2030

Segundo relatório da ONU-Habitat, urbanização fornece a maior oportunidade para alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; em entrevista à Rádio ONU, diretor de pesquisa da agência afirmou que Brasil reduziu em 25% o número de pessoas vivendo em favela nos últimos 20 anos.
Segundo relatório da ONU-Habitat, dois terços da população global devem viver em cidades até 2030. Foto: Banco Mundial/Dominic Chavez
Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.
O Programa da ONU para os Assentamentos Humanos, ONU-Habitat, divulgou um relatório que afirma que dois terços da população global devem viver em cidades até 2030, com as cidades produzindo até 80% do Produto Interno Bruto, PIB, global.
O estudo, lançado nesta quarta-feira, defende ainda que a urbanização fornece a maior oportunidade existente para se alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Em entrevista à Rádio ONU, o diretor de Pesquisa e Formação da agência, Eduardo Moreno, explicou por quê.
Desenvolvimento Sustentável
"A urbanização é um vínculo visível, e muitas vezes invisível, que articula no espaço urbano quase todos os tipos de resposta que tem a ver com os Objetivos da Agenda de Desenvolvimento Sustentável. Se a urbanização é bem feita, bem planejada, é muito possível que vários outros objetivos de desenvolvimento sustentável possam ser realizados e o contrário pode também acontecer. As cidades são, sem dúvida, uma fonte muito importante de redução de crises que tem a ver com as questões internacionais em geral."
Ele afirmou também que o relatório faz diversas propostas sobre ações concretas que, segundo o especialista, poderiam ser "transformadoras" em relação ao "papel integral da cidade".
Brasil
Eduardo Moreno mencionou ainda dados sobre o Brasil.
"Quase todas as cidades brasileiras são hoje mais igualitárias do que eram há 20 anos, o que coloca o Brasil nos 25% das cidades do mundo que estão tendendo a reduzir desigualdades e abrir mais oportunidades. O Brasil também reduziu em cerca de 25% a população morando em favelas."
O relatório Relatório Global das Cidades 2016 se concentra em dados dos últimos 20 anos. A Conferência Habitat II ocorreu em 1996 e a próxima, Habitat III, está marcada para outubro deste ano, no Equador.