"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Da "política da miséria"

Victor Nunes Leal observou na década de 1940 em seu livro "Coronelismo: Enxada e voto" que "melhorias" nas cidades tinham dono, era a política da miséria, e como nas cidades faltava tudo, ele sempre fala neste livro de "amesquinhamento das municipalidades", as tais "melhorias" rendiam votos. E rendem, até hoje aqui no interior, nos sertões, do país nós vemos inaugurações de simples praças.

“A falta de espírito público, tantas vezes irrogada ao chefe político local, é desmentida, com freqüência, por seu desvelo pelo progresso do distrito ou município. É ao seu interesse e à sua instância que se devem os principais melhoramentos do lugar. A escola, a estrada, o correio, o telégrafo, a ferrovia, a igreja, o posto de saúde, o hospital, o clube, o campo de football, a linha de tiro, a luz elétrica, a rede de esgotos, a água encanada -, tudo exige o seu esforço, às vezes um penoso esforço, esforço que chega ao heroísmo. E com essas realizações de utilidade pública, algumas das quais dependem só de seu empenho e prestígio político, enquanto outras podem requerer contribuições pessoais suas e de seus amigos, é com elas que, em grande parte, o chefe municipal constrói ou conserva sua posição de liderança" (Victor Nunes Leal).

E sempre tem o dono de equipamentos públicos, não sabemos o esforço deles para não colocarem o nome nas paredes; aqui em Caicó-Rn um candidato a Deputado se tornara logo responsável pela abertura da Liga Norterriograndense contra o Câncer na cidade.

Mas como me referi acima esta é a "política da miséria", ela só é possível quanto falta tudo nas cidades, são amesquinhadas, e do outro lado compensa a debilidade política da população; na medida em que a inclusão cresce nós passamos da política da miséria para a política dos direitos, uma cobrança incessante por direitos, sem serem tidos como esmola, em cima dos oligarcas e eles se desesperam.

A inauguração é um ato de amostragem para que babões saíam dizendo quem é o "pai da praça", no sectarismo bestial de bacuraus e bicudos é inclusive frequente as perturbações do tipo: "Não vá naquele hospital não que lá é dos bicudos ou dos bacuraus etc"... Essa é a "política da miséria", que só chamamos política por conveniência.

E nem queiram imaginar a compra de votos com exames, e a venda passiva de muita ente até hoje; em todo caso, como dissemos, a exigência de direitos cresceu muito nos últimos anos, e isso é sempre um alento...

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