Os drones levam os EUA à guerra sem fim

Um relatório liderado por John Abizaid, o general que sucedeu a Tommy Franks no comando das tropas estadunidenses no Iraque, reconhece que não há nenhuma indicação que o uso de drones tenha travado o crescimento de grupos extremistas islâmicos. Artigo de Lauren McCauley, Common Dreams.

Recommendations and Report of the Task Force on United States Drone Policy é um documento resultante de um estudo feito por peritos militares e dos setores de inteligência e política externa, reunidos pelo Stimson Center.
As principais conclusões do relatório foram as de que os drones assassinos, enquanto “pilares da estratégia americana contra o terrorismo”, permitiram políticas que “não teriam sido adotadas na ausência de veículos aéreos não-tripulados," particularmente a interpretação “extraordinariamente ampla” da Autorização para o Uso de Força Militar.
Ecoando as preocupações de muitos grupos anti-guerra, o relatório nota que o aumento do uso de drones letais “pode ser um caminho sem retorno para guerras contínuas e mais violentas”.


O relatório continua:
As missões aparentemente de baixo risco e baixo custo permitidas pela tecnologia dos veículos aéreos não-tripulados podem encorajar os EUA a executá-las mais frequentemente, perseguindo alvos que poderiam não ser considerados suficientemente importantes se aeronaves tripuladas ou forças de operações especiais tivessem de ser colocadas em risco.
Os drones também criaram uma espécie de escala de risco mais maleável, na medida em que podem entrar em combate mesmo sem nenhuma expectativa de resultado satisfatório.
O relatório argumenta que o uso de drones numa “guerra sem precedentes e em expansão” faz crescer as questões estratégicas, legais e éticas.
Entre os riscos estratégicos, o grupo argumenta que a morte de civis pode “aumentar o sentimento anti-americano e tornar-se uma ferramenta potente no recrutamento das organizações terroristas.”
Mais além, o relatório diz que o facto dos EUA estarem a criar alvos individuais dentro de estados soberanos “pode encorajar que outros estados sigam esta estratégia nas suas plataformas militares ou entidades comerciais.”
Citando o fracasso por parte do governo norte-americano em executar uma análise pesando os custos e benefícios de continuar a sua guerra de drones, o relatório admite que “não há nenhuma indicação de que a estratégia norte-americana para destruir a Al Qaeda tenha refreado o crescimento de grupos extremistas islâmicos sunitas, dissuadido grupos xiitas extremistas ou avançado em direção de um plano de longo prazo dos interesses de segurança dos EUA.”
Apesar das críticas feitas à falta de transparência do governo americano em relação aos riscos inerentes ao uso dos drones, a conclusão do relatório é de que os drones continuarão a ser uma ferramenta fundamental nas operações militares.
O grupo de estudiosos elaborou uma lista de recomendações, colocada à parte do relatório, para dar formar e guiar os EUA em sua política de drones:
— Realizar uma revisão estratégica do papel dos drones em ataques contra o terrorismo;
— Aumentar a transparência sobre os alvos dos ataques de drones;
— Transferir da CIA para os militares a responsabilidade geral por ataques letais de drones;
— Desenvolver um mecanismo de fiscalização e controlo para ataques fora de campos de batalha;
— Fomentar o desenvolvimento de normas internacionais para o uso de força letal fora dos campos de batalha tradicionais;
— Avaliar os desenvolvimentos tecnológicos relacionados aos drones e criar uma agência de investigação e desenvolvimento voltada para os interesses de segurança nacional de maneira consistente com os valores norte-americanos;
— Reverr e mudar as regras da FAA (Administração Federal de Aviação) e do controlo de exportação de artigos relacionados com drones, com o intuito de minimizar os encargos regulatórios no desenvolvimento da indústria norte-americana, salvaguardando os interesses da segurança nacional e assegurando o desenvolvimento e uso responsável das aeronaves não-tripuladas;
— Acelerar o processo para alcançar os requisitos da FAA
Em resposta ao lançamento do relatório, Steve Vladeck, co-editor do blog Just Security, e também parte de um dos “grupos de trabalho” que deram assessoria informal à equipa que o redigiu, afirmou: “Eles não concordarão necessariamente com todas as recomendações (ou vão achar que elas vão longe demais), mas dado o bipartidarismo e o alto nível de sua composição, correrão um risco enorme se as ignorarem”. 
Tradução de Roberto Brilhante. Publicado no portal Carta Maior

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