"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Piketty: A segurança total não é suficiente


Thomas Piketty

É óbvio que o terrorismo se alimenta do barril de pólvora da desigualdade no Oriente Médio, que contribuiu largamente para criar. Daech, "Estado Islâmico do Iraque e do Levante", é diretamente relacionado com a decomposição do regime iraquiano, e mais geralmente com o colapso do sistema de fronteiras estabelecido na região em 1920.
Após a anexação do Kuwait pelo Iraque em 1990-1991, as potências aliadas enviaram suas tropas para retornar o petróleo para os emires - e as empresas ocidentais. Foi inaugurada um novo ciclo de guerras tecnológicas e assimétricas - algumas centenas de mortes na coalizão para "libertar" o Kuwait contra dezenas de milhares do lado iraquiano. Esta lógica tem sido empurrada ao limite durante a segunda guerra do Iraque entre 2003 e 2011: cerca de 500.000 iraquianos mortos para mais de 4.000 soldados norte-americanos mortos, tudo para vingar as mortes de 3000, do 11 de Setembro, que, no entanto, não tinham nada a ver com o Iraque. Esta realidade, amplificada pela assimetria extrema de vítimas e da falta de acordo político sobre o conflito israelo-palestino, agora é usado para justificar todos os abusos cometidos por jihadistas. Esperemos que a França e a Rússia com suas operações após o fiasco dos EUA, cause menos dano e menos vocações.

Concentração de recursos

Além dos confrontos religiosos, é claro que todo o sistema político e social da região é frágil e sobre-determinado pela concentração de recursos de petróleo em pequenos territórios sem população. Enquanto na área do Egito ao Irã, via Síria, o Iraque e a península Arábica, vivem cerca de 300 milhões de pessoas, vemos que as monarquias do petróleo incluem entre 60% e 70% de PIB regional, e apenas 10% da população, o que a torna a região mais desigual do planeta.

Deve-se ainda especificar que uma minoria de pessoas nas monarquias petrolíferas apropriaram uma parcela desproporcional desta produção, enquanto os grandes grupos (incluindo mulheres e trabalhadores migrantes) são mantidos em semi-escravidão. E são esses regimes que são militar e politicamente apoiados pelas potências ocidentais, muito felizes para obter algumas migalhas para financiar seus clubes de futebol, ou para vender-lhes armas. Não admira que as nossas lições de democracia e justiça social são mínimas na juventude do Oriente Médio.

Para ganhar credibilidade, deve ser demonstrado para a população que se está mais preocupado com o desenvolvimento social e a integração política da região do que com os nossos interesses financeiros e nosso relacionamento com as famílias dominantes.

Negação da democracia

Especificamente, o dinheiro do petróleo devem ir principalmente para o desenvolvimento regional. Em 2015, o orçamento total disponível para as autoridades egípcias a financiar todo o sistema educativo do país de quase 90 milhões de habitantes é menos de US$ 10 bilhões. A poucas centenas de quilômetros depois, as receitas do petróleo chegam a $300 bilhões para Arábia Saudita e seus 30 milhões de habitantes, e excedem $ 1 bilhão de dólares para o Qatar e os seus 300.000 habitantes. Tal modelo de desenvolvimento desigual só pode levar ao desastre. A sanção é criminosa.

Quanto ao grande discurso sobre a democracia e as eleições, deixaria de manter apenas os resultados só quando nós organizamo-las. Em 2012, no Egito, Mohamed Morsi foi eleito presidente em eleições regulares, o que não é comum na história eleitoral árabe. Em 2013, ele foi expulso do poder pelos militares, que imediatamente executaram milhares da Irmandade Muçulmana, cuja ação ainda é frequentemente possível para superar as deficiências do Estado egípcio. Poucos meses depois, a França passa a esponja para vender fragatas e capturar uma parte dos escassos recursos públicos do país. Esperemos que esta negação da democracia não terá as mesmas consequências mórbidas que a interrupção do processo eleitoral na Argélia em 1992.

Resta a questão de como as pessoas jovens que cresceram na França podem confundir Bagdá com os arredores de Paris, e aqui procurar importar o conflito que se desenrolava lá? Nada pode desculpar esta deriva sangrenta, machista e patética. Podemos apenas observar que o desemprego e o trabalho que a discriminação na contratação (particularmente enorme para as pessoas que passavam todas as caixas apropriadas em termos de qualificação, experiência, etc., como mostrado pelo recente trabalho, ver Também aqui) não deve ajudar. A Europa, que antes da crise financeira, geria para acomodar um fluxo migratório líquido de 1 milhão de pessoas por ano, com queda do desemprego, deve reviver o seu modelo de integração e criação de emprego. Esta é a austeridade que levou ao surgimento do egoísmo e identidade de tensões nacionais. É através do desenvolvimento social equitativo que o ódio será superado.

Coluna publicada no jornal Le Monde, em 22-23 de novembro 2015

A crítica da passagem do ano

Nunca me agradara esse negócio de passagem de ano; quando criança sempre desconfie, nenhum sinal no céu, e o pior de tudo: nunca um recesso sem ano nenhum, antes de passar de um ano para outro porque não um tempo sem tempo para fazer uma lavagem; depois, com as teorias sociológicas sobre o Brasil descobri que seria uma forma de expandir os feriados. Também na infância sempre foi ruim ouvir sem querer no primeiro dia do ano o programa policial, imperdível para minha mãe e meu pai; pra quê tanto expectativa se nas primeiras horas já retorna todo discurso embrulhador de estômagos dos programas policiais? 

Mas, enfim, prevalece o ritual, e ele é bom, o tempo é o mesmo, a época a mesma, quando elas passam só perceberá quem não for da época anterior. Um grande marco nas viradas de ano no Nordeste rural era verificar a "barra do ano", uma concentração de nuvens nas primeiras horas do ano novo, se ela existir o ano vai ser bom, ou seja, vai chover muito. É um simbolismo.  Os símbolos marcam essas datas, gerando as expectativas.

Os anos são dúplices, humanos e naturais ao mesmo tempo; são humanos pela invenção dos calendários, um elemento fabulosamente humano, presente em civilizações separadas pelo tempo e pela geografia, tão diferentes e com a mesma preocupação de sistematizar o tempo; naturais pelos movimentos da terra em torno do sol, com as estações se alternado, movimento fundamental, também, para as civilizações.

Tantos anos já findaram e se iniciaram em tantos calendários diferentes, e a humanidade sonhando e elaborando na sua existência sobre a terra, sempre o incerto do acaso marcando anos e homens que também por acasos viveram naquele tempo. 

Chomsky desmascara a “Guerra ao Terror”

Noam Chomsky, março de 2015 - Foto do Ministério da Cultura da Argentina/flickr
Entrevista de Noam Chomsky aC.J. Polychroniou*, publicada, em 3 de dezembro de 2015, no Truthout . Tradução de Camila Teicher para Outras Palavras.
A “guerra ao terror” transformou-se agora numa implacável campanha bélica global. Enquanto isso, as verdadeiras causas do surgimento e da expansão de organizações assassinas como o Estado Islâmico (EI) continuam a ser convenientemente ignoradas.
Após o massacre de Paris, em novembro, importantes países ocidentais, como França e Alemanha, estão a unir-se aos Estados Unidos na luta contra o terrorismo fundamentalista islâmico. A Rússia também se prontificou a se juntar ao clube, por ter as suas próprias preocupações quanto à propagação do fundamentalismo islâmico. Na verdade, os russos vêm travando a sua própria “guerra ao terror” desde o colapso do Estado soviético. Paralelamente, alguns dos fortes aliados dos EUA, como a Arábia Saudita, o Qatar e a Turquia, estão a apoiar direta ou indiretamente o EI, porém esta realidade também é convenientemente ignorada pelas forças ocidentais que combatem o terrorismo internacional. Só a Rússia ousou recentemente classificar a Turquia de “cúmplice dos terroristas” por ter abatido um caça russo que teria violado o seu espaço aéreo. (Vale lembrar que os caças turcos violam o espaço aéreo grego frequentemente há anos: 2.244 vezes somente em 2014.)
A “guerra ao terror” faz sentido? É uma política eficaz? E qual é a diferença entre a sua fase atual e as duas anteriores, ocorridas durante os mandatos de Ronald Reagan e George W. Bush? Além disso, quem realmente beneficia com a “guerra ao terror”? E qual é a relação entre o complexo militar-industrial americano e a produção da guerra? Noam Chomsky, crítico mundialmente renomado à política externa dos Estados Unidos, expôs seus pontos de vista sobre essas questões numa entrevista exclusiva com C.J. Polychroniou.
Obrigado por conceder esta entrevista. Gostaria de começar por escutar a sua opinião sobre os últimos acontecimentos na guerra contra o terrorismo, uma política que vem desde os anos do governo Reagan e que foi transformada subsequentemente numa doutrina de “cruzada” [islamofóbica] por George W. Bush, com um custo inestimável de vidas inocentes e efeitos profundos no direito internacional e na paz mundial. A guerra contra o terrorismo parece estar a iniciar uma fase nova e talvez mais perigosa, à medida que outros países entram na briga com agendas e interesses políticos distintos daqueles dos EUA e de alguns dos seus aliados. Em primeiro lugar, você concorda com essa avaliação da evolução da guerra contra o terrorismo e, se sim, quais são as prováveis consequências econômicas, sociais e políticas de uma guerra global e permanente ao terror, especialmente para as sociedades ocidentais?
As duas fases da “guerra ao terror” são bem diferentes, exceto num aspeto crucial. A guerra de Reagan degenerou rapidamente em conflitos terroristas e homicidas, e essa é precisamente a razão pela qual foi “desaparecida”
Noam Chomsky: As duas fases da “guerra ao terror” são bem diferentes, exceto num aspeto crucial. A guerra de Reagan degenerou rapidamente em conflitos terroristas e homicidas, e essa é precisamente a razão pela qual foi “desaparecida”. As suas guerras terroristas tiveram consequências terríveis na América Central, no sul da África e no Médio Oriente. A América Central, o alvo mais direto, até hoje não recuperou, e essa é uma das principais razões – raramente mencionada – para a atual crise de refugiados. O mesmo vale para a segunda fase, redeclarada por George W. Bush 20 anos depois, em 2001. Os ataques diretos devastaram grandes regiões e o terror tomou novas formas, especialmente com a campanha global de execuções (com drones) de Obama, que rompe novos recordes nos anais do terrorismo e - assim como outros exercícios similares - provavelmente gera mais terroristas devotos do que mata suspeitos.
A opinião pública mundial vê os Estados Unidos como a maior ameaça à paz por uma ampla margem.
O alvo da guerra de Bush era a Al-Qaeda. Uma série de intervenções militares - no Afeganistão, Iraque, Líbia, entre outros – conseguiu difundir o terror jihadista, antes restrito a uma pequena área tribal no Afeganistão, a praticamente todo o mundo, do oeste da África ao Médio Oriente e seguindo até ao sudeste da Ásia. Foi um dos feitos políticos mais notáveis da História… Paralelamente, a Al-Qaeda foi substituída por elementos muito mais cruéis e destrutivos. Atualmente, o Estado Islâmico é o recordista em brutalidades monstruosas, mas os outros candidatos ao título não ficam muito atrás. Essa dinâmica, que vem já de vários anos, foi estudada num importante trabalho do analista militar Andrew Cockburn, no seu livro Kill Chain [“Cadeia de Mortes”]. Ele documenta como, ao matar um líder sem resolver a raiz e as causas do fenómeno, essa figura costuma ser substituída muito rapidamente por alguém mais jovem, mais competente e mais cruel.
Uma das consequências dessas façanhas é que a opinião pública mundial vê os EUA como a maior ameaça à paz por uma ampla margem. Muito atrás, em segundo lugar, está o Paquistão, provavelmente engrandecido pela opinião dos indianos. Outros acontecimentos desse tipo já registados podem até mesmo criar uma guerra mais generalizada com um mundo islâmico inflamado, enquanto as sociedades ocidentais se sujeitam à repressão interna e à redução dos seus direitos civis e se colocam sob o fardo de enormes gastos, realizando assim os maiores sonhos de Osama Bin Laden e agora do EI.
Nas discussões sobre as políticas norte-americanas relacionadas com a “guerra ao terror”, a diferença entre as operações oficiais e as operações clandestinas quase desapareceu. Enquanto isso, a identificação de grupos terroristas e a seleção de atores ou Estados que apoiam o terrorismo não só parece ser totalmente arbitrária; em alguns casos, os acusados identificados questionam se a “guerra ao terror” é realmente uma guerra contra o terrorismo ou se, na verdade, é uma cortina de fumo para justificar políticas de conquista global. Por exemplo, embora a Al-Qaeda e o EI sejam indiscutivelmente organizações terroristas e assassinas, o facto de que alguns aliados dos EUA, como a Arábia Saudita e o Qatar, e até mesmo países-membros da NATO, como a Turquia, tenham apoiado ativamente o grupo é ignorado ou muito minimizado tanto pelos decisores políticos quanto pelos grande média dos EUA. O que você opina sobre isso?
Tudo isso também se aplica às versões de Reagan e Bush da “guerra ao terror”. Para Reagan foi um pretexto para intervir na América Central, no que o bispo salvadorenho Rivera y Damas, sucessor do arcebispo assassinado Oscar Romero, descreveu como “uma guerra de extermínio e genocídio contra uma população civil indefesa”. Foi ainda pior na Guatemala e muito grave nas Honduras. A Nicarágua era o único país que contava com um exército para se defender dos terroristas de Reagan; nos outros países, as próprias forças de segurança pública eram os terroristas.
No sul da África, a “guerra ao terror” foi o pretexto para apoiar crimes do regime de Pretória no seu país e no resto da região, com um saldo de vítimas terrível. Afinal, tínhamos que defender a civilização contra o que chamávamos de “um dos principais grupos terroristas” do mundo, o Congresso Nacional Africano de Nelson Mandela… O próprio Mandela permaneceu até 2008 na lista de terroristas criada pelos EUA. No Médio Oriente, o conceito de “guerra ao terror” levou ao apoio à invasão assassina do Líbano por Israel e muito mais. Com Bush, foi o pretexto para invadir o Iraque. E assim por diante.
O que está a acontecer na “história de horror síria” é indescritível. As principais forças de oposição ao EI em terra parecem ser os curdos, assim como no Iraque, onde figuram na tal lista americana de terroristas. Em ambos os países, eles são o principal alvo dos ataques da aliada norte-americana da NATO, a Turquia, que também apoia a célula da Al-Qaeda na Síria
O que está a acontecer na “história de horror síria” é indescritível. As principais forças de oposição ao EI em terra parecem ser os curdos, assim como no Iraque, onde figuram na tal lista americana de terroristas. Em ambos os países, eles são o principal alvo dos ataques da aliada norte-americana da NATO, a Turquia, que também apoia a célula da Al-Qaeda na Síria, a Frente Al-Nusra. Isso tudo parece ser quase igual para o EI, embora eles estejam empreendendo uma disputa de território. O apoio dos turcos à Al-Nusra é tão extremo que, quando o Pentágono enviou algumas dezenas de soldados que havia treinado, a Turquia teria alertado a Al-Nusra, que os aniquilou instantaneamente. A Al-Nusra e o seu íntimo aliado, o Ahrar al-Sham, também recebem apoio da Arábia Saudita e do Qatar, aliados dos EUA, e, ao que parece, é possível que estejam a receber armamento de última geração da CIA. Há registos de que eles usaram armas antitanque TOW, fornecidas pela agência norte-americana de espionagem, para causar importantes derrotas ao exército de Assad, possivelmente incitando os russos a intervirem. Além disso, a Turquia parece continuar a permitir que os jihdistas transitem pelas suas fronteiras com a Síria.
A Arábia Saudita, particularmente, é uma das maiores apoiantes dos movimentos jihadistas extremistas há anos, não só financiando-os, mas também difundindo as suas doutrinas islâmicas radicais com escolas corânicas, mesquitas e clérigos wahhabistas. Com muita imparcialidade, Patrick Cockburn descreve a “wahhabização” do islamismo sunita como um dos aspetos mais perigosos desta era. A Arábia Saudita e os Emiratos têm forças militares imensas e sofisticadas, porém quase não se envolvem na guerra contra o EI. Atuam no Iémen, onde estão a gerar uma enorme catástrofe humanitária e, muito provavelmente, como dito antes, estão a gerar futuros terroristas para serem nossos alvos na “guerra ao terror”. Enquanto isso, essa região e a sua população estão sendo dizimadas.
Para a Síria, a única pequena esperança parecem ser as negociações entre os vários elementos envolvidos, exceto o EI. Isso inclui pessoas muito terríveis, como o presidente do país, Bashar al-Assad, que não vão cometer suicídio político espontaneamente e, portanto, deverão estar envolvidas nas negociações, caso a espiral rumo à autodestruição nacional seja contida. Em Viena, passos estão a ser dados – embora com hesitação – nessa direção. Há mais coisas que podem ser feitas em terra, mas, para isso, é fundamental a mudança para o caminho da diplomacia.
O papel da Turquia na chamada guerra global contra o terrorismo deve ser visto como um dos gestos mais hipócritas nos anais modernos da diplomacia. Vladimir Putin não mediu palavras depois que o caça russo foi abatido, taxando a Turquia de “cúmplice dos terroristas”. O petróleo é a razão pela qual os EUA e os seus aliados ocidentais fazem vista grossa ao apoio de certas nações do golfo pérsico a organizações terroristas como o EI, mas qual é a razão para não questionar o apoio da Turquia ao terrorismo fundamentalista islâmico?
Foto de Alisdare Hickson/flickr
Foto de Alisdare Hickson/flickr
A Turquia sempre foi um importante aliado da OTAN, de enorme relevância geoestratégica. Durante os anos 1990, quando realizou algumas das maiores atrocidades de que se tem conhecimento na sua guerra contra a população curda, tornou-se o principal receptor de armas norte-americanas (além de Israel e Egito, uma categoria à parte). Essa relação passou por alguns momentos de conflito, especialmente em 2003, quando o governo acatou a posição de 95% da população e se recusou a se juntar aos EUA no ataque ao Iraque. A Turquia foi energicamente condenada por essa incapacidade de entender o significado de “democracia”. Paul Wolfowitz, aclamado pelos média como “o idealista-chefe” do governo Bush, repreendeu as forças militares turcas por permitirem que o governo adotasse essa posição indecorosa e exigiu que se desculpassem. No entanto, em geral, essa relação se manteve bem próxima. Recentemente, os dois países chegaram a um acordo sobre a guerra conta o EI: a Turquia concedeu aos EUA acesso às suas bases militares próximas à Síria e, em troca, prometeu atacar o grupo – mas, em vez disso, atacou seus inimigos curdos.
Embora este talvez não seja um ponto de vista aceite por muitos, a Rússia, ao contrário dos EUA, parece conter-se no uso da força. Supondo que você concorda com essa afirmação, na sua opinião, qual seria a razão disso?
Eles são a parte mais fraca. Não têm 800 bases militares em todo o mundo, não poderiam intervir em todos os lugares como os EUA vêm fazendo ao longo dos anos nem realizar algo como a campanha global de execuções de Obama. Também foi assim durante toda a Guerra Fria. Eles podiam usar as forças militares perto das suas fronteiras, mas não poderiam ter realizado algo como as guerras na Indochina, por exemplo.
A França parece ter se tornado o alvo preferido dos terroristas fundamentalistas islâmicos. Como isso se explica?
Na verdade, são muitos mais os africanos mortos pelo terrorismo islâmico. O Boko Haram está acima do EI, no ranking das organizações terroristas globais. Na Europa, a França tem sido o principal alvo em grande medida por razões que remetem à guerra da Argélia.
O terrorismo fundamentalista islâmico como o promovido pelo EI foi condenado por organizações como Hamas e Hezbollah. O que o EI deseja realmente, e o que o diferencia das outras chamadas organizações terroristas?
Devemos ser cuidadosos com o que chamamos de “organizações terroristas”. Os partidários do antinazismo usaram o terror, assim como o exército de George Washington, tanto que uma grande parte da população fugiu por medo do seu terror - sem falar na comunidade indígena, para a qual ele era o “destruidor de cidades”. É difícil encontrar um movimento de libertação nacional que não tenha usado o terror. O Hezbollah e o Hamas foram formados em resposta à ocupação e aos ataques de Israel. No entanto, independentemente do critério que usemos, o EI é bem diferente. Eles estão a tentar cunhar um território para controlar e fundar um califado islâmico. Isso é muito diferente do que fizeram os demais.
Após o massacre de Paris em novembro deste ano, Obama afirmou, numa conferência de imprensa com François Hollande, o presidente da França, que “o EI deve ser destruído”. Você acha que isso é possível? Se sim, como? Se não, por que não?
Um dos objetivos do EI é levar os “cruzados” a uma guerra com todos os muçulmanos. Nós podemos contribuir com essa catástrofe ou podemos tentar atacar as causas do problema e ajudar a criar condições nas quais a sua monstruosidade seja vencida pelas forças da própria região. A intervenção estrangeira é uma praga há muito tempo e provavelmente continuará a ser
É claro que as potências ocidentais têm a capacidade de matar todas as pessoas que estão nas áreas controladas por eles, mas nem isso destruiria o EI ou outro movimento ainda mais cruel que possivelmente se desenvolveria no seu lugar, devido à dinâmica que já mencionei. Um dos objetivos do EI é levar os “cruzados” a uma guerra com todos os muçulmanos. Nós podemos contribuir com essa catástrofe ou podemos tentar atacar as causas do problema e ajudar a criar condições nas quais a sua monstruosidade seja vencida pelas forças da própria região.
A intervenção estrangeira é uma praga há muito tempo e provavelmente continuará a ser. Existem propostas sensatas de como proceder nesse sentido, como, por exemplo, a de William Polk, um excelente académico do Médio Oriente com uma vasta experiência não só na região como também nos mais altos níveis de planeamento governamental dos EUA. O seu projeto tem apoio significativo das mais cuidadosas investigações sobre o poder de atração do EI, principalmente a de Scott Atran. Infelizmente, as probabilidades de que essas recomendações sejam ouvidas são mínimas.
A economia política bélica dos EUA parece estar estruturada de tal forma que as guerras seriam quase inevitáveis, algo de que o presidente Dwight Eisenhower aparentemente estava muito consciente quando alertou, no seu discurso de despedida, sobre os perigos de um complexo militar-industrial. A seu ver, o que será necessário para que os EUA se afastem do jingoísmo militarista?
Certamente, alguns setores da economia beneficiam com o “jingoísmo militarista”, mas não acho que essa seja a causa principal. Há considerações geoestratégicas e relativas à economia internacional muito importantes. Os benefícios econômicos - somente um dos fatores - foram discutidos na imprensa empresarial de maneiras interessantes durante o início do período pós-Segunda Guerra Mundial. Eles entenderam que os gastos governamentais maciços tinham salvado o país da Grande Depressão e muitos temiam que, se esses gastos fossem restringidos, o país afundaria novamente na crise. Uma discussão informativa na revista Business Week (12 de fevereiro de 1949) reconheceu que os gastos com o social poderiam ter o mesmo efeito “propulsor” observado com os gastos militares, mas afirmava que, para os empresários, “há uma enorme diferença social e econômica entre a propulsão do bem-estar e a propulsão das forças armadas”. Isso “não altera de facto a estrutura da economia”. Para o empresário, é só mais um negócio. Mas os gastos com bem-estar e obras públicas “alteram a economia: geram novos canais próprios; criam novas instituições; redistribuem a renda”. E podemos dizer ainda mais: os gastos militares quase não envolvem a população, mas os gastos com o social sim, além de terem um efeito democratizador. Por razões como essas, os gastos militares são muito mais priorizados.
Aprofundando um pouco mais nessa questão da relação entre a cultura política dos EUA e o militarismo, qual é a probabilidade de que o aparente declínio da supremacia norte-americana na arena global transforme os seus futuros presidentes em belicistas?
Os EUA atingiram o auge do seu poder após a Segunda Guerra Mundial, mas o declínio veio rapidamente; primeiro com a “perda da China” e, mais tarde, com o ressurgimento de outras potências industriais e o processo agonizante de descolonização e, nos últimos anos, com outras formas de diversificação do poder. As reações podem tomar muitos contornos. Um é o triunfalismo e a agressividade ao estilo Bush. Outro é a reticência ao uso de forças terrestres ao estilo Obama. E existem muitas outras possibilidades. O sentimento popular, que é algo que podemos ter a esperança de influenciar, é muito pouco considerado.
A esquerda deveria apoiar Bernie Sanders nas primárias do Partido Democrata?
Sim. A sua campanha está a ter um efeito benéfico. Levantou questões importantes que normalmente são omitidas e deslocou ligeiramente os democratas para uma direção mais progressista. As chances de que ele vença no nosso sistema de eleições compradas não são grandes e, mesmo que chegasse a ser eleito, seria extremamente difícil para ele fazer qualquer mudança significativa nas políticas. Os republicanos não vão desaparecer e, graças à divisão arbitrária dos distritos eleitorais e a outras táticas, eles provavelmente controlarão o Congresso com uma minoria de votos por alguns anos e é possível que tenham uma forte presença no Senado. É certo que vão bloquear qualquer pequeno passo numa direção mais progressista, ou mesmo mais racional. É importante reconhecer que esse já não é um partido político normal.
A campanha de Bernie Sanders está a ter um efeito benéfico. Levantou questões importantes que normalmente são omitidas e deslocou ligeiramente os democratas para uma direção mais progressista
Como bem observaram os respeitados analistas políticos do American Enterprise Institute, o antigo Partido Republicano agora é uma “insurgência radical” que abandonou a política parlamentar por motivos interessantes que não podemos explorar aqui. Os democratas também se deslocaram para a direita e a sua essência hoje não se distingue da dos republicanos moderados do passado – apesar de que algumas das políticas de Einsenhower o colocariam mais ou menos onde está Sanders no espectro político. Sanders, portanto, provavelmente não teria muito apoio do congresso e teria pouquíssimo apoio no âmbito estatal.
Nem preciso dizer que as hordas de lobistas e doadores abastados dificilmente seriam seus aliados. Até os ocasionais passos de Obama numa direção mais progressista foram bloqueados em sua maioria, embora possa haver outros fatores envolvidos, talvez racismo; não é fácil explicar em outros termos a ferocidade do ódio que ele evocou. Mas, em geral, no caso improvável de Sanders ser eleito, as suas mãos estariam atadas - ao menos, ao menos… (aquilo que sempre interessa no fim das contas) ao menos que os movimentos populares se desenvolvessem, criando uma onda que ele poderia surfar e que poderia (e deveria) impeli-lo para além de onde ele é capaz de ir sozinho.
Isso nos leva, acho eu, à parte mais importante da candidatura de Sanders: a mobilização de um número enorme de pessoas. Se essas forças puderem manter-se para além da eleição, em vez de se dissiparem depois que o show terminar, poderiam tornar-se o tipo de força popular de que o país tanto precisa para lidar de forma construtiva com os enormes desafios que vêm pela frente.
Esses comentários dizem respeito às políticas internas, que são as áreas em que ele se tem concentrado. As suas concepções e propostas de política externa parecem-me muito similares às ideias convencionais dos democratas liberais. Nada particularmente novo é proposto, a meu ver, e nisso incluo alguns pressupostos que, na minha opinião, deveriam ser seriamente questionados.
Uma última pergunta: o que você diria àqueles que mantêm a visão de que acabar com a “guerra ao terror” é ingênuo e equivocado?
Fácil: por quê? E uma pergunta ainda mais importante: por que vocês acham que os EUA deveriam continuar a fazer enormes contribuições para o terrorismo global a pretexto de uma “guerra ao terror”?
* C.J. Polychroniou é economista político/cientista político; lecionou e trabalhou em universidades e centros de investigação da Europa e dos Estados Unidos. Os seus principais campos de interesse são a integração econômica europeia, a globalização, a economia política dos Estados Unidos e a desconstrução do projeto político-econômico do neoliberalismo. Colabora regularmente com Truthout, de cujo projeto Public Intellectual é membro. Tem vários livros publicados e artigos divulgados em diversos periódicos, revistas, jornais e websites populares de notícias. Muitas das suas publicações foram traduzidas para idiomas, como croata, francês, grego, italiano, português, espanhol e turco.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Nova agenda de desenvolvimento guia ações para os próximos 15 anos


Decisão histórica tomada por 193 países entra oficialmente em vigor em 1º de janeiro; para o secretário-geral, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um "contrato social entre os líderes mundiais e a população".
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Imagem: ONU



Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.


O ano novo marca o lançamento oficial da "ousada e transformadora" Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, adotada por líderes mundiais em setembro, na sede da ONU em Nova York.
A nova Agenda pede aos países que comecem ações para alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, nos próximos 15 anos.

Modelo para o Sucesso
Para o secretário-geral, Ban Ki-moon, os 17 ODS são a "visão compartilhada de humanidade e um contrato social entre os líderes mundiais e a população".
O chefe da ONU disse ainda que os objetivos são "uma lista do que fazer para as pessoas e o planeta e um modelo para o sucesso".

Unanimidade
Os ODS foram adotados por unanimidade pelos 193 Estados-membros das Nações Unidas durante a Cúpula sobre o Desenvolvimento Sustentável, em setembro.
O documento aborda as necessidades das pessoas tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento, enfatizando que ninguém deve ser deixado para trás.

Três Dimensões
Ampla e ambiciosa em escopo, a nova Agenda aborda as três dimensões do desenvolvimento sustentável: social, econômico e ambiental, assim como aspectos importantes relacionados à paz, à justiça e a instituições eficazes.
A mobilização dos meios de implementação, incluindo recursos financeiros, desenvolvimento tecnológico e capacitação, assim como o papel das parcerias, são reconhecidos como fundamentais.

Mudança Climática
A Confêrencia das Nações Unidas sobre Mudança Climática, COP21, foi vista por muitos como o primeiro teste de vontade política para a implementação da nova Agenda.
Segundo o secretário-geral, "o acordo de Paris é um triunfo para as pessoas, para o planeta e para o multilateralismo".
Ban destacou que "pela primeira vez, cada país no mundo prometeu reduzir suas emissões, fortalecer a resiliência e agir nacional e internacionalmente para abordar a mudança climática ".

Contribuição de Todos
Para o chefe da ONU, "tornar esta visão uma realidade é principalmente responsabilidade dos países, mas também requer novas parcerias e solidariedade internacional. Todos têm uma contribuição a fazer".
Avaliações de progresso terão de ser feitas regularmente em cada país, envolvendo a sociedade civil, empresários e representantes de diversos grupos.

Avaliação
Os 17 ODS e suas 169 metas serão monitorados e avaliados usando um conjunto de indicadores globais que serão compilados em um relatório de progresso anual.
O Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável vai se reunir anualmente nas Nações Unidas e avaliar os avanços em nível global, identificando lacunas e questões emergentes e recomendando ação corretiva.

De volta para o Futuro


por Wagner Torres

Esse post é direcionado para aqueles que assistiram esse mega filme, pois o que Dona Dilma fez em 2014 para iludir os milhões de brasileiros com o marketing foi exatamente isso, ou seja, com a destruição da base tributária do IRPJ, CSLL e precisando demonstrar que não havia crise Dilma manteve a dinâmica do crescimento dos gastos de custeio.

Nesse contexto, sem dinheiro começou a se financiar junto aos bancos, ou seja, o mesmo fato que ocorreu na década de 80 e 90 quando os governadores se financiavam junto aos bancos estaduais.

Assim, a Lei de Responsabilidade Fiscal veda o financiamento do Tesouro junto aos bancos, ou seja, ela cometeu de crime de responsabilidade fiscal e o então Ministro da Casa Civil defendeu que o pagamento das pedaladas fiscais no montante de R$ 57 bilhões era uma forma de evitar o impeachment.

Então esse incompetente deveria avaliar que a catástrofe da política fiscal resultou na perda de 1,2 milhão empregos de 2014 e 2015.

A ironia desse processo é que até 2012 a negociação do Programa de Ajuste Fiscal dos Estados com a Secretaria de Tesouro Nacional era um processo, o qual se caracterizava como técnico pós 2012 passou a ser decisão política e o reflexo não é só o crescimento do endividamento, mas principalmente a fragilidade das contas públicas resultado do elevado serviço da dívida pública com o Tesouro Nacional e principalmente a farra da liberação dos empréstimos realizados pela Caixa Econômica Federal, BNDES e os financiamentos estrangeiros.

Hoje a explicação do Secretário do Tesouro Nacional interino para justificar o pagamento das pedaladas fiscais no montante de R$ 57 bilhões levou-me a refletir o que adianta o país ter um dos melhores Analistas do Tesouro Nacional do mundo se prevalece a decisão política e não técnica.

É nesse contexto que eu faço o meu último post de 2015 e com a certeza que o cenário para 2016 será bem pior do que 2015, pois continuaremos com a manutenção de nossa política insustentável, a qual minha projeção de redução do PIB que foi de US$ 800 bilhões de 2015 ante 2011 passará para US$ 900 bilhões de 2016 ante 2011 e o reflexo será o agravamento do abismo fiscal refletindo em um maior colapso dos sistemas público de saúde e educação.

Justiça suíça bloqueia 13 contas bancárias vinculadas ao escândalo FIFA



por Marco Antonio Moreno


Resultado de imagem para sepp blatter lee nelsonComo parte do pedido de auxílio judiciário mútuo entre os Estados Unidos e a Suíça pelo escândalo de corrupção envolvendo a FIFA, o Escritório Federal de Justiça, em Berna, na quarta-feira bloqueou 13 contas bancárias com cerca de $ 80 milhões de dólares correspondente aos representantes da FIFA. Ao mesmo tempo, as autoridades judiciais suíças entregaram a investigadores americanos documentos relacionados com o uso dessas contas bancárias. Esta é a primeira contribuição da Suíça no escândalo de corrupção da FIFA descoberto em 27 de maio e que envolve os principais líderes da organização, Joseph Blatter e Michel Platini.
No escândalo descoberto há sete meses e deixou a nível FIFA da máfia, 14 membros da organização foram indiciados pelo Departamento de Justiça americano por suborno, fraude eletrônica, extorsão e lavagem de dinheiro. A investigação iniciada pelo FBI e a Divisão Criminal do Internal Revenue Service dos Estados Unidos, notou a existência de uma rede criminosa destinada a negociar acordos comerciais e direitos de difusão maliciosa das partidas, bem como tudo relacionado com a produção e visibilidade de eventos. Apenas a empresa Nike afirma ter pago mais de US$ 40 milhões em subornos para tornar-se o único fornecedor de uniformes, calçados e acessórios da seleção brasileira. 

O escritório do  FBI em Nova York começou a investigar o executivo americano de futebol Chuck Blazer em 2010, quando ele foi pego omitindo renda em sua declaração de impostos. Pouco demorou o FBI para detectar que Blazer era apenas a ponta do iceberg, uma vez que grande parte dos rendimentos desportivos a nível mundial não é declarada, e isso é abertamente apoiado pelos principais autoridades desportivas.

Blazer foi condenado por 10 acusações criminais, em Novembro de 2013, incluindo conspiração, lavagem de dinheiro, fraude bancária, fraude fiscal e crime organizado. Isto deu o mínimo de prisão de 20 anos a Blazer. Mas o FBI convenceu-o a recrutá-lo como um espião e fazer gravações secretas das reuniões da FIFA e telefonemas com os principais executivos. As informações proporcionadas por Blazer por este meio permitiu ao FBI desvendar o emaranhado escuro que envolve o mundo do futebol e que agora tem na mira Blatter e Platini, dois dos personagens mais obscuros do mundo do futebol. A investigação ainda está em pleno desenvolvimento e é um dos cantos escuros revelados neste fatídico 2015 que agoniza.