"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Sílvio Romero - A função da crítica

Não deixa de ser coisa perigosa o publicar neste pais um livro de crítica. Além da falta absoluta que existe aqui desta ciência e disciplina de espírito, acresce que os nossos ledores, grandes e pequenos, como bons burgueses, estão tranquilíssimos com tudo quanto os cerca, e repelem soberbamente aquilo que os possa perturbar.

Seus prejuízos contra o espírito crítico, quando pretendem revestir-se de um aspecto sério, resumem-se nisto: “este país é novo, e sua literatura nascente; a crítica longe de acoroçoar desanima; ela é, pois, muito prejudicial.” É coisa que se me tem repetido algumas dúzias de vezes. O disparate é transparente. Aquilo envolve uma falsa idéia do que seja a nova ciência de críticar, sua força e seu alcance. Em que pode prejudicar ao desenvolvimento espiritual de um povo o estudo que mostre-lhe quais as suas conquistas históricas e suas aptidões imanentes? Longe de ser-lhe nocivo, é-lhe de todo animador; e, para mostrá-lo, basta lembrar o exemplo da Alemanha, cuja literatura tomou o soberbo ascendente, que a distingue, fundada na crítica, depois do grande movimento provocado por Lessing.

A nós que temos vivido de contrafações indigestas, a nós que não temos vida própria, que somos um dos povos mais deteriorados do globo; que, espécie de contrabandistas do pensamento, não temos a forma das grandes conquistas e das grandes verdades da ciência, só a crítica, a tão desdenhada crítica, nos pode preparar um futuro melhor.

Ela, aqui, não deve limitar-se ao empenho de mostrar o largo caminho que nos cumpre trilhar; deve, antes de tudo, desobstruir o terreno, juncado de velhos preconceitos e falsidades; deve alçar o látego destruidor e desfazer as legendas, para afirmar a luz.

Neste ponto interrompe-me um pobre de espírito: “mas isto é escrever com paixão; é ser bilioso...” A frase é da moda; mas não cheira bem.

Sim, e escrever com paixão, isto é, com pureza e verdade; é ser apaixonado, isto é, ter a nobreza das boas convicções e até dos bons estímulos.

Para certa gente, escrever sem paixão eu sei o que quer dizer: é faltar à consciência e à dignidade, ter a cabeça cheia de parvoíces, que se derramam sobre o papel; é chafurdar-se constantemente no pestilento pélago dos elogios mentidos e das bajulações indecorosas. Escrever sem paixão é repetir, em todos os tons possíveis, as velhas frases louvaminheiras, que povoaram este país de gênios e de prodígios, de sábios e de brilhantes; gênios e sábios em alguns medíocres, que nos têm dado uns folhetins... prodígios e brilhantes alcatifando os nossos rios gigantescos e as nossas selvas seculares...

Quem ousa desafinar no meio do geral concerto é apontado nada menos do que como “um invejoso das glórias alheias”.

A inveja vem a ser assim o incentivo que dirige o crítico no Brasil!...

Em que vale, portanto, o sacrifício de proclamar a verdade a este povo, correndo o risco de ser apontado como o possuidor de um sentimento repugnante?

Em nada.

Resta, porém, sempre a consolação de haver contribuído com alguma coisa para derrocar o podre edifício de velhos erros, e limpar a atmosfera que nos sufoca. Di-lo-ei, pois:

A vida espiritual brasileira é pobre e mesquinha, desconceituada e banal para quem sabe pensar a luz de novos princípios. Aferida pelo moderno método de comparação, inaugurado há muito nas literaturas europeias, ostenta-se caprichosamente estéril. A força de desprezarmos a corrente de nossa própria história e pormo-nos fora do curso das idéias livres, eis-nos chegados ao ponto de não passarmos de ínfimos glosadores das vulgaridades lusas e francesas; eis-nos dando o espetáculo de um povo que não pensa e produz por si..

Todos os nossos pequeninos movimentos literários são eloquentes para atestá-lo.

Basta considerar, por agora, a renovação romântica deste século com seu fruto predileto, o Indianismo. Nas grandes nações da Europa, como a Inglaterra e a Alemanha, o romantismo foi, em parte, uma volta aos sentimentos populares, uma ressurreição do passado no que ele tinha de mais aproveitável. Não assim entre nós. O nosso velho lirismo, com sua veia epigramática, que teve um cultor em Gregório de Matos, e um representante em Gonzaga, foi esquecido. A velha modinha foi abandonada, seu alcance desdenhado, sua música preterida e as imitações francesas nos assoberbaram. Desprezada a vida histórica, atiramo-nos aos desvarios do ultrarromantismo posterior à revolução de Julho, com todos os seus enganos e meticulosas fascinações. A crítica não nos ensinou a produzir; os elementos da nossa história e do nosso pensamento não foram elucidados. O papel dos três concorrentes da nossa população não foi indicado, e um falso sentimento de nacionalidade jogou-nos para o caboclo, e glorificamo-lo.

Compreendo que na aridez do século passado, quando a literatura da metrópole dava o triste espetáculo de homens que acalentavam frases e tropos retóricos, julgando produzir idéias, compreendo que, então, dois homens de talento elevado, Durão e Basílio, escrevendo na Europa, voltados para a pátria e aproximando-se da natureza, nos decantassem o selvagem.

A romântica brasileira, porém, que não entendeu nem a Basílio, nem a Durão, apostou-se a desdenhar os outros elementos da vida nacional, concentrando-a exclusivamente no caboclo.

Eis toda e falsidade.

Nossa poesia popular não foi estudada; nossas lendas, nossos costumes ficaram despercebidos; a ciência da crítica, que renovara o antigo terreno da filologia, das criações mitológicas e religiosas, o antigo terreno das primeiras manifestações humanas, nos ficou de todo fora do alcance.

Dizem que um dos méritos do movimento romântico europeu é haver contribuído para tão fecunda renovação.

No Brasil passaram-se as coisas diversamente. A romântica brasileira teve o prestígio de falsificar e obscurecer o estudo de nossas origens, e acumular trevas sobre os três primeiros séculos de nossa existência.

Aqueles que, como o escritor destas linhas, pretendem preparar o balanço do que fomos para indicar o que devemos fazer na hora atual, são espíritos que de todo romperam com as tradições de desconceituado sistema.

Atravessamos uma época de crise para o pensamento nacional: na política e na literatura o momento é grave. Numa, como noutra, nos falta a força própria. Bem como na ordem social nos falha a vida do município e a dignidade do trabalho independente, assim nas letras falece-nos o peso das convicções maduras e a sublime audácia dos espíritos emancipados.

E, todavia, é força dizê-lo, a velha romântica brasileira, com seu Indianismo; a pobre filosofia que nos ensinam, com suas sofisticarias indignas, estão mortas, como desacreditados se acham os dois bandos políticos, que tanto nos hão degradado. E é mister caminhar... O futuro, pois, deste povo não está nos poetas decrépitos, que lhe insuflam os males instintos; nos seus romancistas fabulistas, que lhe desnorteiam o critério; nos seus parlamentos e ministros, que o degradam e conspurcam com a mentira; nos seus grandes mágicos, que sabem todas as línguas e todas as ciências...

O futuro deste país deve estar nas convicções sinceras, nos caracteres intransigentes, sacrificados a honra, disseminados por aí além, desdenhados pelos poderosos do dia; e que ousam dizer a verdade ao povo, como ao rei; não a pretendida verdade dos declamadores; mas a verdade da história, a verdade da ciência.

Pelo que me toca, ela é Mein Eins und Alles, na frase do poeta. Isto só me basta. Estou acostumado com o abandono e o desdém.

Para concluir:

Os diferentes capítulos que formam este opúsculo foram quase todos, em épocas diversas, publicados no Recife e recebidos com indiferença por uns, e com indignação por outros. Fiquei satisfeito... Hoje que aparecem formando o seu corpo natural num volume, desejo-lhes o mesmo acolhimento. Isto para mim é um sintoma; neste país aquilo que muito agrada, tenho a certeza de que não presta.

Este pequeno volume faz parte de uma série de trabalhos meus aparecidos pela maior parte na imprensa provinciana, e que agora vão saindo em livros, sob a designação Oito anos de jornalismo.

A Filosofia no Brasil, já publicada, é o primeiro volume da série, a que também pertencem os Cantos do fim do século, já aparecidos, e outras obras, que seguir-se-ão. São trabalhos escritos e publicados para ocorrer às necessidades da colaboração jornalística, durante oito anos (1869-1876), que vivi em Pernambuco.

Hoje, passando por indispensáveis alterações, aparecem formando cada um seu todo compacto e natural. E que o pensamento de dar-lhes, oportunamente, essa forma, presidiu a sua confecção.

Possa a circunstância de que foram todos eles escritos entre os dezoito e os vinte e cinco anos, isto é, feitos por um moço, ainda naquele tempo, com a alma cheia de todas as santas ilusões da idade dos sonhos, servir-lhes de desculpa aos defeitos, se e que, non le plus esclave, mais le plus valet de tous les peuples, para falar como P. L. Courrier, sente ainda algum pendor para a equidade.

Pré-sal, Petrobras, Rio de Janeiro e a maldição do petróleo


Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

preço das ações da Petrobras, de 2008 a 2016

Onde estão os fantásticos recursos do “ouro negro” que jorrariam do fundo do oceano?
Onde estão as promessas da redenção nacional do pré-sal?
Dez anos depois da descoberta das jazidas de petróleo nas profundezas abissais do oceano Atlântico o Brasil está em pior condição econômica do que estava no triênio 2006 a 2008. A esperança do Eldorado do pré-sal virou desesperança e pesadelo. O mito do “bilhete premiado” e do “passaporte para o futuro” virou a realidade da “maldição do petróleo”. Nem sempre achar petróleo é uma boa notícia. Depende dos custos de extração e da forma como a produção e o consumo deste recurso mineral é administrado. Depois de vislumbrar o paraíso, o Brasil agora vive a abominação de seu inferno astral.
As descobertas das jazidas de petróleo do pré-sal foram apresentadas, ainda no governo Lula, como a salvação nacional e como meio para reativar o crescimento econômico, alavancar a educação e incrementar a saúde pública no país. O que o ano de 2015 mostrou exatamente o contrário de tudo que foi prometido, com uma grande estagflação, empobrecimento da população, crise geral da educação brasileira. No primeiro ano da “Pátria Educadora” o MEC perdeu 10% do orçamento. Segundo a última PNAD, do IBGE, há 2,8 milhões de crianças e adolescentes, ou 6,2% dos brasileiros entre 4 e 17 anos, fora da escola e um a cada cinco jovens brasileiros (20,3%) de 15 a 29 anos não trabalhava nem estudava (geração nem-nem). A escola não atrai os jovens e o Brasil fica na lanterninha dos principais índices globais de qualidade da educação.
A despeito das promessas do programa “Mais médicos”, o SUS está em frangalhos e o país assiste a volta de epidemias como a febre amarela, o agravamento dos casos de dengue (que bateram recorde em 2015), além do espalhamento do vírus zika e a multiplicação dos casos de microcefalia. E o pior de tudo é que este desastre nacional deve continuar em 2016 e não tem horizonte próximo para melhorar.
Evidentemente, muitas das dificuldades atuais do pré-sal se devem ao preço internacional do petróleo que caiu de mais de US$ 100 o barril, em 2014, para cerca de US$ 45 na média de 2015 e para algo em torno de US$ 30, em janeiro de 2016. A conjuntura tem sido extremamente adversa para a produção nacional de hidrocarbonetos. Mas a despeito das variações da conjuntura, o problema é estrutural, já que os encargos econômicos da produção de petróleo das profundezas do oceano Atlântico são muito elevados. Artigo de Fred Pearce, de 13/01/2015, mostra que o preço de equilíbrio (break-even) do barril do petróleo para o retorno dos investimentos no pré-sal é de US$ 120,00. Este número é muito superior ao que os “especialistas” divulgam e mostra as dificuldades para viabilizar o mito do petróleo como salvação nacional. A Agência Internacional de Energia alerta que vários projetos petrolíferos “offshore” ao redor do mundo tornaram-se economicamente inviáveis.
Os erros de avaliação da diretoria da Petrobras e a corrupção sem precedentes – conforme denunciado pelo Ministério Público e a Polícia Federal – tornou a maior empresa nacional na empresa mais endividada do mundo e com as maiores perdas acionárias. A Petrobras, hoje em dia, vale menos que a Alibaba ou o Uber, empresas do setor de serviços que possuem maior valor no mercado de capitais. A dívida bruta da Petrobras atingiu no 3º trimestre de 2015 o nível recorde de R$ 506 bilhões. Em janeiro de 2016 as ações preferenciais (que dão ao acionista preferência na distribuição de dividendos) chegou perto de R$ 4, o menor valor desde 1999 e valendo menos que um litro de gasolina. Ou seja, as ações valem o mesmo do que no século passado, antes das descobertas do pré-sal, mas a dívida é muitas vezes maior. Em dólar, as ações chegaram a mais de US$ 25 e agora estão praticamente a US$ 1. Infelizmente, é um tombo espetacular e nunca visto na história desse país e que prejudica os interesses nacionais e a capacidade de investimento do país.
A crise da Petrobras tem afetado toda a cadeia produtiva da indústria nacional. A politica de favorecer os “campeões nacionais” não deu certo, como demonstra o fracasso de Eike Batista e de várias empreiteiras de grande porte. A política de “conteúdo nacional” também tem fracassado na medida que toda a cadeia de produção de petróleo está em crise. A empresa Sete Brasil, criada para construir sondas e plataformas no Brasil e incentivar a indústria naval e siderúrgica, está em crise, com um rombo de mais de R$ 30 bilhões. Os estaleiros contratados, que foram ampliados no Brasil, com empresas nacionais e internacionais, para dar impulso à política de conteúdo nacional nos equipamentos comprados pela Petrobras, estão demitindo a mão de obra e correm o risco de fechar ou reduzir muito o porte. A situação de paralisia é geral. Cálculos financeiros mostram que os custos da refinaria Abreu e Lima (que passaram de US$ 2,5 para US$ 18 bilhões) tornam a refinaria impagável. Nestes casos, em última instância, a população brasileira pagará a conta. Toda a indústria nacional que dependia dos investimentos da Petrobras está em crise.
Como resultado, a Petrobras informou, em janeiro de 2016, que o Conselho de Administração da estatal reduziu o plano de investimentos da companhia para o período 2015-2019 para US$ 98,4 bilhões, queda de US$ 32 bilhões ante a projeção inicial, principalmente devido à otimização do portfólio de projetos e do efeito cambial. De acordo com a Petrobras, esses ajustes na carteira de investimentos resultaram em uma redução da projeção de produção de petróleo no Brasil de 2,185 milhões de barris por dia (bpd) em 2016 para 2,145 milhões de bpd e de 2,8 milhões de bpd em 2020 para 2,7 milhões. O sonho de um Brasil exportador de petróleo está cada vez mais distante e o Brasil continuar um importador líquido de petróleo e derivados, o que prejudica o balanço de pagamentos do país.
Sem dinheiro para os investimentos requeridos no pré-sal e para pagar a monstruosa dívida, a Estatal está colocando à venda diversos ativos, como a fatia de 36% que detém da Braskem, estimada em cerca de R$ 5,8 bilhões. Outros ativos estão sendo vendidos, em um claro processo de privatização aos pedaços. Com o baixo preço do petróleo no mercado internacional, tirar petróleo do pré-sal está dando prejuízo. No curto prazo não vale a pena investir na extração do pré-sal. Assim, a lista de ativos à venda cresceu significativamente diante da crise. Segundo o jornal Folha de São Paulo, a intenção da estatal é se desfazer de termelétricas, usinas de biodiesel e etanol, fábricas de fertilizantes, sua transportadora de gás natural (TAG) e a fatia na petroquímica Braskem, além de operações na África, na Argentina, no Japão e nos EUA. A queda dos investimentos da Petrobras contribui para piorar o quadro recessivo do PIB brasileiro e a desnacionalização da economia.
Mas é exatamente o Rio de Janeiro – o estado que mais se beneficiou da exploração do petróleo até recentemente – que tem sofrido mais com toda esta situação. A crise na indústria naval e no complexo petroquímico do Comperj tem provocado muito desemprego, reforçando a queda na arrecadação do Estado e dos municípios. Um terço da riqueza fluminense vem da exploração de petróleo. Quase 70% de toda a produção nacional saem do Rio. Porém, isso não impediu que o estado chegasse no fundo do poço, em uma grave crise financeira que causou caos na saúde e na educação públicas. O Rio sofre da doença chamada “óleo dependência”.
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) e outras entidades do setor de saúde denunciaram o que chamaram de a pior crise na saúde pública já vivida no estado. A crise financeira do governo estadual deixou os hospitais sem luvas, esparadrapo, algodão e remédios. As UPAs enfrentam problemas em atender casos de emergência mais complexos por falta de recursos. A segurança das UPAs está comprometida e há greves de vigilantes. A dívida do governo com fornecedores no setor da saúde era de R$ 231 milhões no final de 2015.
A situação não é diferente na educação. Com o acúmulo de R$ 285 milhões em dívida e sem salários e 13° pagos, os professores ameaçaram não iniciar o ano letivo, pois as escolas estaduais tiveram um péssimo fim de ano, com falta de matérias de ensino e de merenda escolar. Sem a limpeza adequada, as escolas acabam por ficarem sujas. A dívida total com as empresas de alimentação chega a R$ 11,6 milhões. A crise também atinge a UERJ, pois a universidade estadual está em petição de miséria.
A crise também afeta programas como o Disque-Denúncia e o Minha Casa, Minha Vida. No setor de Assistência Social, as dívidas chegam a R$ 24,8 milhões em alimentação, e R$ 10,7 milhões em programas de proteção a crianças e adolescentes. O Ibama embargou dia 14/01 o acesso de visitantes ao Zoológico do Rio de Janeiro e aplicou multa diária de R$ 1 mil contra a secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro (SMAC), a qual a Fundação RioZoo está subordinada. A má aparência dos animais é visível. Muitos parecem estar magros e cansados; a água onde deverias se refrescar está suja. Em algumas áreas o mato está alto. Muitos animais estão sofrendo, muito além do próprio fato de estarem confinados e sujeitos à escravidão animal. Segundo comunicado do Ibama, de acordo com a norma que regulamenta o setor, os zoológicos têm que cumprir funções sociais que justifiquem sua existência, entre elas, educacionais, científicas e de conservação das espécies animais.
A crise atinge a maioria dos municípios do Estado. Neste sentido, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, anunciou, no final de 2015, um processo de reequilíbrio financeiro. Ele indicou alguns dos fatores que contribuem para a crise econômica: a queda do preço do petróleo que tem impacto relevante nas contas do estado e também uma queda de R$ 2 bilhões na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), além de uma previsão de menos R$ 2,2 bilhões em royalties de petróleo. Porém, o quadro só piorou neste início de 2016, ano das Olimpíadas do Rio. Entre as medidas que pretende adotar em 2016, Pezão estuda uma reforma da Previdência estadual porque, segundo ele: “o petróleo sumiu”.
O fato é que foi um erro atrelar o desenvolvimento nacional, estadual e municipal sobre as bases da exploração de uma riqueza mineral cara para extrair e que agrava o aquecimento global. O Brasil e o Rio de Janeiro precisam abandonar a “maldição do petróleo”. O século XXI tem que ser a Era da sociedade da informação e do conhecimento e não da produção de commodities e da regressão produtiva provocada pela reprimarização das exportações. Tem que ser também a Era das energias renováveis e da descarbonização da economia. A Petrobras para sobreviver precisa fazer uma reprogramação geral e ir além do petróleo e dos combustíveis fósseis.
Referências:
ALVES, JED. Uma dúvida sobre o pré-sal e o sonho da (in)segurança. Ecodebate, RJ, 12/03/2010
ALVES, JED. Vamos nos preparar para o fim do mundo (do petróleo). Ecodebate, RJ, 27/07/2010
ALVES, JED. Petróleo do pré-sal: “ouro em pó” ou “ouro de tolo”? . Ecodebate, RJ, 11/04/2014
ALVES, JED. Petrobras no fundo do poço profundo do pré-sal. Ecodebate, RJ, 19/11/2014
ALVES, JED. A mistificação do pré-sal está afundando o Brasil. Ecodebate, RJ, 08/04/2015
ALVES, JED. O mito do pré-sal como redenção nacional. Ibase, Rio de Janeiro, Revista Trincheiras, agosto 2015
ALVES, JED. A roça e a mina: O mito do pré sal está afundando o Brasil. Entrevista ao IHU, 14/04/2015
PEARCE, Fred. Could Global Tide Be Starting To Turn Against Fossil Fuels. E360, Yale, 13/01/2015

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 29/01/2016

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Depreciação do real é insuficiente para alavancar indústria

Da Assessoria de Imprensa da FEARP
A depreciação do real não tem sido suficiente para alavancar a demanda interna da indústria brasileira. É o que mostra o Boletim Indústria do Ceper/Fundace, produzido com o apoio de pesquisadores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP). O estudo observou que a retração da demanda interna está ocorrendo a uma velocidade muito mais rápida do que o estímulo proveniente do câmbio.
Efeitos da depreciação do real são restritos a alguns setores exportadores
Os pesquisadores afirmam que os efeitos da depreciação do real são restritos a alguns setores exportadores, além de outros que dão suporte às empresas exportadoras, enquanto a retração da demanda interna atinge praticamente toda a indústria brasileira que produz, sobretudo, para atender o mercado doméstico.
Ainda segundo os pesquisadores, a indústria do estado de São Paulo sofre relativamente mais com a queda da demanda agregada interna. “Como boa parte da indústria paulista atende a demanda interna nacional, a crise que assola o País vem afetando fortemente o seu desempenho”, descrevem no levantamento.
O Boletim traz também indicadores do índice de confiança, situação atual e de expectativas para o setor. Desde junho de 2014, os indicadores têm ficado abaixo de 100 pontos, o que significa que existe um pessimismo dos empresários da indústria com os negócios e expectativas para os próximos seis meses.
Também desde junho de 2014, o nível de utilização da capacidade instalada, compreendido como o percentual de ocupação dos fatores capital e trabalho, apresentou tendência de queda, como consequência da forte retração da demanda apresentada ao longo de 2015.
“O agravamento nas condições da economia brasileira para o empresário industrial, a piora nas expectativas, além da forte retração na demanda, ajudam no entendimento da grande destruição de emprego que ocorreu nesse setor, em 2015″, conforme trecho do estudo.
Em relação ao volume produzido da indústria geral, na extrativa e na de transformação, as informações sobre a variação acumulada mês contra mesmo mês do ano anterior mostram que o volume produzido em 2015 em comparação a 2014 diminuiu consideravelmente.
Mesmo a indústria extrativa, que vinha mantendo variação positiva até setembro de 2015, apresentou uma retração de 10,3% na produção de novembro em relação ao mesmo mês do ano anterior.
As variações na produção da indústria geral e da indústria de transformação apresentaram retrações ainda mais expressivas: menos 12,4% e menos 12,7%, respectivamente,em novembro de 2015 em relação a novembro de 2014.
O Boletim Indústria está disponível para acesso no site da Fundace.
Indicadores
A Sondagem Industrial é realizada com base em dados sobre volume de produção, nível de utilização da capacidade instalada, estoques de produtos finais, perspectivas para os próximos meses quanto à demanda, compra de matéria-prima e exportação. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) é construído com questionamentos feitos aos empresários industriais das áreas extrativistas e de transformação sobre condições atuais e para os próximos seis meses quanto às condições gerais internas da empresa, da economia brasileira e do estado de São Paulo.

A produção dos indicadores regionais é resultado de uma parceria entre a FEARP e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Sua execução fica a cargo do Centro de Pesquisa em Economia Regionais da Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (Ceper/Fundace). Os indicadores foram desenvolvidos pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI), que realiza os levantamentos junto com Federações das Indústrias de diversos estados do País.
Ceper
O Centro de Pesquisa em Economia Regional foi criado em 2012 e tem como objetivo desenvolver análises regionais sobre o desempenho econômico e administrativo regional do País. Sua criação reúne a experiência de diversos pesquisadores da FEARP em pesquisas relacionadas ao Desenvolvimento Econômico e Social em nível regional, a análise de Conjuntura Econômica, Financeira e Administrativa de municípios e Gestão de Organizações municipais, entre outros.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Aspectos positivos e negativos da migração econômica


por 

Branko Milanovic
Branko Milanovic
Eu sempre fui um crente forte que a geografia determina a visão de mundo (eu acho que se acredita ter dito Gaulle o autor de que "a história é geografia aplicada"). Quando você passar um mês na Europa para viajar para vários lugares, você simplesmente não pode evitar o maior problema na Europa de hoje: a migração.
Então deixe-me fazer brevemente algumas questões-chave (de novo). Eu discuto-as em muito maior comprimento no terceiro capítulo de meu próximo livro A desigualdade global: uma nova abordagem para a era da globalização.
Para um economista, é claro que a maioria (não todos, voltarei a isso mais tarde) os argumentos econômicos são fortemente a favor da migração. Se vantagem comparativa e divisão do trabalho tem qualquer significado que eles devem manter em todo o mundo; eles não são certamente válidos somente dentro dos limites das fronteiras nacionais desenhadas arbitrariamente. Foi muito bem, e profeticamente, perguntado por Edwin Cannan há um século: "se ... na verdade, [é] verdade que há uma coincidência natural entre o interesse próprio e o interesse geral, por que... se esta coincidência se estender, como os processos econômicos fazem, através das fronteiras nacionais"[?] (citado de 1942 endereço presidencial de Frenkel para a Sociedade Econômica Sul-Africana; Tony Atkinson trazido à minha atenção esta referência imerecidamente obscura).
Se este não fosse o caso, poderíamos igualmente plausivelmente argumentar que não deve haver limites para a circulação de trabalhadores entre as regiões de um mesmo país. Uma vez que quase ninguém diria para que, logicamente, que o mesmo princípio de livre circulação deve realizar internacionalmente. Em outras palavras, livre circulação dos trabalhadores leva à maximização da produção mundial. Sabemos também que a migração, pelo aumento dos rendimentos dos migrantes (que geralmente são pobres), é a força mais potente para a redução da pobreza global, bem como para a redução da desigualdade global.
Por enquanto, tudo bem. Mas, pode-se argumentar, não faria a migração, reduzir os salários dos trabalhadores nativos com quem os migrantes competem? Embora estudos empíricos encontrem o efeito negativo sobre os trabalhadores nativos comparáveis ​​a ser pequenos (e não devemos esquecer que também existem trabalhadores nativos que se beneficiam da migração, se as suas competências são complementares com as dos migrantes), os efeitos podem não ser zero. Mas há um ponto de Lant Pritchett que vem para o resgate: à migração, Pritchett argumenta, devemos aplicar os mesmos princípios que aplicamos para o comércio. Nós não somos contra o livre comércio, mesmo que tenha efeitos negativos sobre alguns produtores nacionais. Os efeitos de primeira ordem do comércio livre são positivos, e nós lidamos com os efeitos negativos como de segunda ordem por compensar os perdedores (pagando prestações de desemprego ou reconversão dos trabalhadores). Os mesmos princípios devem aplicar-se à migração.
Assim, temos aparentemente resolvido, de um ponto de vista econômico, o problema da migração. Deve ser uma força para o bem e se há problemas ou objeções, elas devem resultar de motivos extra-econômicos, como a coesão social, a preferência por uma determinada homogeneidade cultural, a xenofobia e similares. No entanto, eu acho que isso não é tão simples. Também pode haver alguns efeitos econômicos negativos a serem considerados. Vejo três deles.
Em primeiro lugar, o efeito da heterogeneidade cultural ou religião na formulação de políticas econômicas. Na década de 1990, Bill Easterly começou uma indústria verdadeira de estudos argumentando que a heterogeneidade étnica ou religiosa torna a política econômica menos eficiente, sem prejuízo do constante conflito e negociatas: eu deixo você desvalorizar se você me deixar impor controles de preços. A literatura estava preocupado principalmente com a África (tentando explicar seu mal desempenho no crescimento), mas não há nenhuma razão para não aplicá-lo para a Europa também. A lógica do efeito de Easterly é que os grupos disputam os projetos ou políticas que beneficiam seus membros, em condições em que a confiança entre os grupos, por causa de diferenças religiosas ou étnicas, é baixo. Assim, um grupo gostaria da desvalorização da moeda se os seus membros estão envolvidos em atividades de exportação ou de substituição de importações, e outro preferem proteção para os bens de seus membros que estão produzindo principalmente. É verdade que os papéis econômicos das minorias na Europa não são tão claras como eles estão na África: os muçulmanos no Reino Unido não tem preferência por baixas ou altas taxas de, uma vez que não estão concentrados em indústrias específicas da mesma forma que os grupos étnicos na Nigéria que vivem no Delta têm um incentivo para pedir uma elevada percentagem das receitas do petróleo. No entanto, este problema de dificuldade de coordenação política na presença de diversidade religiosa ou étnica deve ser mantido em mente. Ele pode se tornar mais importante no futuro, como a Europa se torna mais diversificada.
Em segundo lugar, as diferenças culturais podem levar à erosão do Estado-Providência. Este foi o ponto trazido vinte anos atrás por Assar Lindbeck. As raízes do Estado social europeu (mais claramente visto no "Nosso Lar" sueco no início na década de 1930) foram sempre fortemente nacionalistas, com base em uma comunidade homogênea e ajuda mútua entre seus membros. Ele contou com a uniformização de normas ou afinidades entre os membros. Mas se  a uniformização não existir mais, a observância de algumas normas sobre as quais o estado de bem-estar é construído (por exemplo, para não pôr em doentes quando não se é, ou não beber no trabalho) é abalada, e o estado de bem-estar começa a ser corroído. Se você não observar as mesmas normas como eu, e se beneficiar às minhas custas, eu perco o interesse em financiar tal acordo. A migração representa, assim, uma importante ameaça para a integridade do Estado de bem-estar na Europa. Não é por acaso que os atuais movimentos nos países nórdicos pode ser, sem dar-lhe um significado pejorativo, descrito como um estado de bem-estar para a população nativa, ou de forma diferente, como o nacional-socialismo.
Em terceiro lugar, a migração pode ter efeitos negativos importantes nos países emissores. Observou-se um par de anos atrás por Paul Collier, em seu livro Êxodo: Como a Migração está mudando o nosso mundo. Eu estava inclinado a rejeitá-lo como xenofobia velada que não se atreve a expressar suas opiniões abertamente, até que eu li vários artigos sobre os efeitos de grande emigração de países menores da Europa de Leste no verão passado. Estes países têm vindo a perder um número significativo de seus médicos, enfermeiros ou engenheiros para os países mais ricos do Ocidente e do Norte da Europa. Agora, pode-se dizer que os salários mais elevados, eventualmente, para os médicos no Oriente será suficiente para mantê-los em casa ou talvez trazer médicos de outros lugares, dizer da Nigéria para a Hungria. Mas essa abordagem ignora o comprimento de tempo que leva não só para treinar médicos, mas para os mercados enviarem os sinais corretos e para as pessoas a agir sobre eles.
Como Paul Krugman bem disse: "Se a história não importa, o ajuste seria instantâneo". Mas, enquanto os modelos econômicos poderiam supor um ajustamento tal instantânea, na vida real isso não acontece. Nos intervalos milhares de pessoas podem morrer por causa da má saúde. Do mesmo modo, a perda de alguns especialistas pode ser, especialmente em países pequenos, muito difícil de compensar. Se o seu país treina dez engenheiros de saneamento de água e anualmente se todos eles se movem para condados mais ricos em breve você vai encontrar-se sem ninguém capaz de controlar a qualidade da água.
Temos que tomar esses efeitos econômicos negativos da migração também em conta. Eu não acho que os três efeitos que listei aqui (e, talvez, poderiam haver outros) são suficientemente fortes para anular os efeitos econômicos positivos. Mas eles não podem ser inteiramente desconsiderados ou ignorados.
Sobre Branko Milanovic
Branko Milanovic é um economista Sérvio-Americano. Especialista em desenvolvimento e desigualdade, ele é Professor Visitante Centro de Pós-Graduação da Universidade da Cidade de Nova York (CUNY) e um erudito sênior filiado ao Estudo do Rendimento do Luxemburgo (LIS). Foi economista principal no departamento de pesquisa do Banco Mundial.

A história do PIB mundial

por Michael Roberts
Houve uma série de dados econômicos divulgados hoje que confirmaram que a expansão econômica mundial desde o fim da Grande Recessão em meados de 2009 está em apuros. A "recuperação", desde então, já foi a mais fraca desde a década de 1930.
Agora, os dados relativos ao último trimestre de 2015 de grandes economias capitalistas mostrou que o crescimento econômico, medido pelo crescimento real do PIB, foi diminuindo.Em números preliminares para a economia dos EUA, o crescimento mais importante e a mais rápida das principais economias, no Q4 de 2015, o PIB real cresceu apenas a uma taxa anual de 0,7%, acentuadamente abaixo do ritmo de 2% registrada até o Q3 de 2015. Isso significava que a economia dos EUA havia se expandido em termos reais (após a inflação descontada) de 2,4% em 2015, a mesma taxa que em 2014. Mas o sinal preocupante foi que no 4º trimestre de 2015, a taxa foi de apenas 1,8%, praticamente a mesma taxa que a economia do Reino Unido alcançou no último trimestre.
PIB dos EUA
E as perspectivas para 2016 são provavelmente piores. No início desta semana, os números de encomendas de bens duráveis ​​nos EUA, uma medida de futuras compras de investimento por parte de empresas dos Estados Unidos, mostrou uma queda de 4,3% em dezembro, fazendo uma queda de 7,5% em relação ao ano passado.
Bens duráveis ​​dos EUA
De fato, os números do PIB real divulgados hoje mostraram que o investimento das empresas contratadas a um ritmo anual de 1,8%, sofreu a primeira queda trimestral em mais de dois anos. Em 2015, o investimento aumentou apenas 2,9%, a menor taxa desde 2010.  E é o investimento que impulsiona uma economia não capitalista de consumo, como argumentei ad nauseam neste blog.
Ônibus US inv
E no início desta semana, temos os números para a próximo mais importante rápido crescimento da economia capitalista, a do Reino Unido. No último trimestre de 2015, o PIB real do Reino Unido cresceu a uma taxa de apenas 0,5% (ainda mais lento do que os EUA) e o ritmo mais lento em três anos. Para 2015 como um todo, o PIB real aumentou 2,2% face a 2.9% em 2014. Além disso, a economia foi apenas 1,9% maior no último trimestre - um sinal de que a expansão econômica estava enfraquecendo. O mais significativo foi que, enquanto o PIB real do Reino Unido passou acima do seu pico pré-crise que é só por causa de a população britânica ter aumentado, com o afluxo de migrantes, principalmente da Europa Oriental. O PIB real per capita é praticamente o mesma que era em 2008, oito anos atrás!
PIB do Reino Unido
E o crescimento do Reino Unido é liderado por uma expansão em «serviços». A manufatura está em contração. O principal setor de crescimento tem sido nos serviços financeiros e empresariais ao redor da cidade de Londres. O que um novo crash financeiro pode colocar em perigo
Na Zona Euro, a situação continua a ser pior do que nos EUA e no Reino Unido. A Espanha tem vindo a recuperar e registrou um aumento de 0,8% no último trimestre de 2015, liderada por "serviços" e pela propriedade. Mas a economia francesa está cambaleando, juntamente com um aumento de apenas 0,2%, alcançando assim uma taxa de crescimento de apenas 1,3% em 2015. A previsão no início de 2015 foi de 1,5%. O FMI prevê 1,6% para este ano. Que devem estar em dúvida. Quanto à Alemanha, a previsão para o último trimestre é de pouco ou nenhum crescimento.
E depois há o Japão. Lembre-se, há alguns anos, fomos informados de que o novo primeiro-ministro Abe tinha um plano para obter a economia japonesa passando por uma mistura de injeções monetárias (quantitative easing), estímulo fiscal (gastos do governo) e das reformas neo-liberais do mercado de trabalho.  Economistas keynesiana como Paul Krugman e Noel Smith estavam muito interessados ​​no 'Abenomics' como uma confirmação da eficácia da política keynesiana, especialmente no que incluiria uma depreciação do valor do iene para impulsionar as exportações e o crescimento.
Bem, hoje o Banco do Japão anunciou que estava introduzindo uma "taxa de depósito negativo" para os bancos que mantêm dinheiro nele. Com efeito, seria penalizar os bancos japoneses para manter o excesso de dinheiro com o Banco do Japão. Esta é uma tentativa desesperada para arrancar com a economia e um importante reconhecimento de que as atuais políticas "keynesianas" tinham miseravelmente falhado.  O PIB real está rastejando e as despesas das famílias reais está caindo, uma queda de 4,4% em dezembro de um ano atrás, enquanto a produção industrial contraiu 1,4% face ao período homólogo.
japan-casa-de gastos
O Banco do Japão atuou apenas um dia depois de um dos principais arquitetos da Abenomics, Akira Amari, foi  forçado a renunciar como ministro da Economia na sequência de alegações de que ele e seus assessores receberam subornos de uma empresa de construção.
O resto da Ásia está a abrandar também.  Nós todos sabemos sobre a China, onde o crescimento desacelerou para seu ritmo mais lento em uma década.  Mas Taiwan também anunciou que sua economia cresceu pouco em 2015. Em outra parte o produtor de energia, Canadá, está em uma 'recessão técnica ', dois trimestres de contração do PIB real e como relatado anteriormente, as chamadas grandes economias emergentes do Brasil, Rússia e África do Sul estão em depressões profundas.
E outra grande economia emergente, estreitamente ligada com os EUA, o México também produziu dados do PIB real, que mostrou uma desaceleração no último trimestre de 2015-0,6% de 0,8% no 3º trimestre. No geral, o México cresceu 2,5% em termos reais em 2015, ligeiramente abaixo de um fraco 2,6% em 2014.
É uma nova recessão global iminente?  Um monte de economistas mainstream e economistas keynesianos de esquerda foram convidados a dar suas opiniões pelo jornal The Guardian do Reino Unido.  Até onde eu possa lê-lo, apenas um era franco que uma recessão global estava chegando, embora este foi Albert Edwards, que fez esta previsão para seis anos e mesmo agora, quando a recessão chegaria não foi especificado. Os outros não conseguimos sair de cima do muro.
A minha posição tem sido que é o trabalho da economia fazer previsões, tal como qualquer outra ciência, mesmo que isso seja muito mais difícil com as ciências sociais, onde a tomada de decisão humana está envolvida. Mas, assim como previsão do tempo, as suas previsões só serão tão boas como seus fundamentos teóricos e pesquisas empíricas. Com base na legislação de Marx do movimento sob o capitalismo, a rentabilidade, endividamento e investimento são os principais indicadores de crescimento ou queda.  Pelos indicadores, como já argumentei em posts anteriores, uma recessão global está chegando.
E como afirmei no início deste ano, o calendário de que tem muito mais próximo; talvez este ano, mas provavelmente até o final de 2017, o mais tardar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A brusca nova normalidade chinesa


Joseph Stiglitz

A mudança na China de crescimento impulsionado pelas exportações para um modelo baseado em serviços domésticos e consumo das famílias tem sido muito mais instável do que por alguns antecipado, com oscilações do mercado de ações e volatilidade das taxas de câmbio incitando temores sobre a estabilidade econômica do país. No entanto, pelos padrões históricos, a economia da China tem ainda um bom desempenho - próximo 7% de crescimento anual do PIB, alguns podem dizer  muito  bem - mas o sucesso na escala que a China tem visto ao longo das últimas três décadas gera grandes expectativas.

Joseph StiglitzHá uma lição fundamental: "Os mercados com características chinesas" são tão voláteis e difíceis de se controlar como os mercados com características americanas. Mercados invariavelmente assumem uma vida própria; eles não podem ser facilmente ordenados. Na medida em que os mercados podem ser controlados, é através da definição das regras do jogo de uma forma transparente.

Todos os mercados precisam de regras e regulamentos. Boas regras podem ajudar a estabilizar os mercados. Regras mal concebidas, não importa quão bem intencionadas, podem ter o efeito oposto.

Por exemplo, quando do crash da bolsa em 1987 nos Estados Unidos a importância de ter disjuntores foi reconhecida; mas se projetado de forma inadequada, essas reformas podem aumentar a volatilidade. Se existem dois níveis de disjuntor - a curto prazo e uma suspensão de longo prazo de negociação - e eles estão muito próximos uns dos outros, uma vez que o primeiro é acionado, os participantes do mercado, realizando a segunda é provável que se produza, dessa forma, uma debandada fora do mercado.

Além disso, o que acontece nos mercados só pode ser fracamente acoplado com a economia real. A recente Grande Recessão ilustra isso. Enquanto o mercado de ações dos EUA tem tido uma recuperação robusta, a economia real se manteve no marasmo. Ainda assim, no mercado de ações e volatilidade da taxa de câmbio pode ter  reais  efeitos. A incerteza pode levar a um menor consumo e investimento (que é por isso que os governos devem apontar para regras que reforcem a estabilidade).

O que é mais importante, porém, são as regras que regem a economia real. Na China de hoje, como nos EUA há 35 anos, há um debate sobre se as medidas do lado da oferta ou da procura são mais susceptíveis de restaurar o crescimento. A experiência dos Estados Unidos e muitos outros casos fornecem algumas respostas.

Para começar, as medidas do lado da oferta podem ser melhor realizadas quando há pleno emprego. Na ausência de procura suficiente, melhorar a eficiência do lado da oferta simplesmente leva a mais subutilização de recursos. Mover o trabalho de baixa produtividade para frear o desemprego não aumenta a produção. Hoje, a deficiente demanda agregada global exige que os governos tomem medidas que aumentem os gastos.

Esses gastos podem ser colocados para muitos bons usos. Necessidades críticas hoje da China incluem a redução da desigualdade, decorrentes da degradação ambiental, a criação de cidades habitáveis, e investimentos em saúde pública, educação, infra-estrutura e tecnologia. As autoridades também precisam fortalecer a capacidade regulatória para garantir a segurança dos alimentos, edifícios, medicamentos e muito mais. Retornos sociais de tais investimentos excedem em muito os custos de capital.

O erro de China no passado tem sido confiar demais em financiamento de dívida. Mas a China também tem um amplo espaço para aumentar sua base fiscal de maneiras que aumentem a eficiência e/ou a equidade global. Os impostos ambientais pode levar a melhor ar e qualidade da água, mesmo quando geram receitas substanciais; impostos de congestionamento iriam melhorar a qualidade de vida nas cidades; impostos sobre propriedade e ganhos de capital iriam incentivar um maior investimento em atividades produtivas, promovendo o crescimento. Em suma, se projetado corretamente, as medidas de equilíbrio orçamentário - aumentando os impostos em conjunto com os gastos - poderiam fornecer um grande estímulo para a economia.

Também não deve a China cair na armadilha de enfatizar as retrógradas medidas do lado da oferta. Nos EUA, os recursos foram desperdiçados quando casas de má qualidade foram construídas no meio do deserto de Nevada. Mas a primeira prioridade não é derrubar as casas (em um esforço para consolidar o mercado imobiliário); sim assegurar que os recursos sejam distribuídos de forma eficiente no futuro.

Na verdade, o princípio básico ensinado nas primeiras semanas de qualquer curso de economia elementar é esquecer o passado - não chorar sobre o leite derramado. Aço de baixo custo (fornecido a preços abaixo do custo médio de longo prazo de produção, mas igual ou superior ao custo marginal) pode ser uma vantagem para outras indústrias.

Teria sido um erro, por exemplo, destruir o excesso de capacidade da América em fibra óptica, em que as empresas norte-americanas ganharam enormemente na década de 1990. O valor "opção" associado com potenciais usos futuros deve sempre ser contrastado com o custo mínimo de manutenção.

O desafio para a China, uma vez que confronta o problema do excesso de capacidade é que aqueles que de outra forma perderiam seus empregos irão exigir alguma forma de apoio; as empresas vão argumentar para uma ajuda robusta para minimizar suas perdas. Mas se o governo tomar medidas do lado da procura eficazes com as políticas ativas do mercado de trabalho, pelo menos, o problema do emprego poderia ser tratado de forma eficaz, e ideal - ou pelo menos razoável ​​- as políticas de reestruturação econômica poderiam ser projetadas.

Há também um problema macro-deflacionário. A pressão sobre o excesso de combustíveis com os preços descendente, com externalidades negativas sobre empresas endividadas, que experimentam um aumento em sua verdadeira alavancagem (ajustadas pela inflação). Mas uma abordagem muito melhor do que a consolidação do lado da oferta é a expansão agressiva do lado da procura, o que contraria as pressões deflacionistas.

Os princípios econômicos e fatores políticos são assim bem conhecidos. Mas muitas vezes o debate sobre a economia da China tem sido dominado por propostas ingênuas para a reforma do lado da oferta - acompanhado de críticas das medidas do lado da demanda adotadas após a crise financeira global de 2008. Essas medidas estavam longe de ser perfeitas; elas tinham que ser formuladas em tempo real, no contexto de uma emergência inesperada. Mas elas foram muito melhor do que nada.

Isso é porque a utilização dos recursos de forma sub-ótimas é sempre melhor do que não usá-las em tudo; na ausência do estímulo pós-2008, a China teria sofrido desemprego substancial. Se as autoridades apoiarem as reformas do lado da procura melhor desenhadas, eles terão uma maior margem para as reformas do lado da oferta mais abrangentes. Além disso, a magnitude de algumas das reformas necessárias do lado da oferta terão acentuada diminuição, precisamente porque as medidas do lado da procura vãoreduzir o excesso de oferta.

Este não é apenas um debate acadêmico entre economistas keynesianos e do lado da oferta ocidentais, agora que está sendo jogado para fora do outro lado do mundo. A abordagem política da China irá influenciar fortemente o desempenho econômico e as perspectivas em todo o mundo.


Project Syndicate


Sobre Joseph Stiglitz
Joseph Stiglitz é professor universitário na Universidade de Columbia e um laureado com o Nobel de Economia.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Donald Trump ea economia dos EUA


A eleição presidencial norte-americana está a apenas 11 meses de distância e a economia dos EUA parece estar a abrandar. Oito anos após a eleição de Barack Obama na profundidade da Grande Recessão, as políticas econômicas da administração e as previsões de recuperação sustentada pelo consenso econômico falharam.
A última estimativa do Atlanta Fed para o crescimento real do PIB dos EUA no último trimestre de 2015 é apenas uma taxa anual de 0,7%.
Atlanta

Se isso acaba por ser direito com a primeira estimativa oficial esta semana, então a economia norte-americana terá crescido (após a inflação) por apenas 1,8% em 2015, abaixo dos 2,4% em 2014. Além disso, a produção industrial e a produção industrial tem reduzido a gotas e as vendas no varejo, uma medida de quanto está sendo comprado nas lojas, também diminuiu acentuadamente.
Manuf EUA

E o mais importante, os lucros corporativos estão caindo e as empresas estão relatando menos lucros em seus resultados trimestrais. Quando os lucros caem, o investimento e o emprego, em seguida, acabará por fazê-lo.
Os mercados de ações em todo o mundo estão preocupados com a desaceleração na China e o colapso dos preços do petróleo. Recessões têm sido vistas em muitos produtores de energia e de commodities, como a Rússia, Brasil, África do Sul e até mesmo no Canadá. E, assim, neste momento, a Reserva Federal dos EUA decidiu elevar sua taxa de juros, alegando que tudo estava bem na América. Em vez disso, há um risco crescente de que os EUA poderiam entrar em uma nova recessão em 2016 ou 2017 - justamente, na hora da eleição de um novo Presidente. E quem for eleito, tem alguma ideia de como evitar uma nova recessão?
No lado republicano, é-nos oferecida uma gama de neo-conservadores, lobby pró-armas, anti-aborto, direitos anti-gay, anti-trabalhistas, anti-bem-estar, anti-impostos, multi-milionários, negadores das alterações climáticas, mas o mais barulhento e mais popular (entre os partidários do Partido Republicano) de que, aparenta, ser Donald Trump.
Vamos deixar de lado as provocações de Trump sobre gays, imigração, muçulmanos e "liberais" e, em vez ter um olhar para as políticas econômicas que ele defende para a América. A liderança do partido republicano representa Wall Street, os grandes magnatas corporativos e o complexo industrial-militar. Mas os ativistas do Partido Republicano são na sua maioria pequenos empresários e, "classe média" composta por branco trabalhadores do sexo masculino dos subúrbios da América que contam ou estão informados de que o que está errado com a economia americana é demasiado governo, demasiado altos impostos e demasiado livre comércio e a imigração de que não se protegem os americanos. Este é o pequeno-burguês clássico (para usar a expressão de Marx).
São essas pessoas que o bilionário Trump agrada. Então suas propostas econômicas resumem-se a redução de impostos, reduzindo os gastos do governo (mas não o seguro saúde necessário para seus partidários idosos), a tributação de importações para "proteger" os empregos americanos e reduzir a burocracia.
Mas, é claro, o plano econômico de Trump não realmente ajuda a sua base de apoio. Ele quer cortar o imposto de renda para todos e os impostos corporativos. Os maiores beneficiários desta política seria os muito ricos. Principais bilionários veriam os seus impostos declínarem de 36 por cento para 25 por cento, e as corporações teriam direito a um corte de 35 por cento a 15 por cento. Em média, a maioria das pessoas iriam ver a sua factura fiscal reduzida em cerca de 7 por cento de sua renda após impostos, mas a poupança para o topo 0,1 por cento dos ricos seria $ 1,3 milhões em poupança, o que equivale de 19 por cento de sua renda.
Estes cortes de impostos, se implementada, seria, de acordo com o Centro de Política Tributária uma perda de receitas do governo no valor de $ 25 trilhões  ao longo dos próximos dez anos. Então, só para chegar a 2025 sem aumentar o déficit, os gastos do governo teriam que ser cortados em cerca de 20 por cento. A maior lacuna no plano fiscal Trump, de acordo com Robertson Williams do Centro de Política Tributária, é "passar pela" disposição que permitiria trabalhadores contratados independentes que o seu rendimento tributado fosse a menor taxa de 15 por cento (este é novamente uma política voltada para a base de Trump.
Trump diz que irá aumentar as tarifas sobre bens estrangeiros para ajudar a indústria americana e impor sanções punitivas sobre a China e México, que são os dois maiores parceiros comerciais da América. Isso iria quebrar o acordo NAFTA. Se os EUA impor tarifas (elevando os preços no mercado interno), a retaliação seriam seguidas pelos concorrentes comerciais. Tudo isso é um anátema para os próceres republicanos que seguem as exigências de Wall Street e grandes corporações de "livre comércio". Mas soa muito bem para os pequenos empresários autônomos e outros que estão lutando para fazer face às despesas, embora os serviços governamentais reduzidos iriam atingi-los também
Assim, os estrategistas do capital em Wall Street e Main Street estão ficando preocupados. Parece que Trump poderia realmente ganhar a nomeação republicana. A fraqueza dos outros candidatos e seu apelo para ativistas é ganhar o dia. Claro, é provável que Hillary Clinton, se for escolhida como a candidata democrata, bateria facilmente Trump no escrutínio presidencial. E, em geral, seria melhor do que Trump. Mas Clinton está sendo empurrada para a esquerda pela campanha de Bernie Sanders e sua eleição provavelmente envolveria uma tributação mais elevada, mais regulamentação e algumas concessões ao trabalho. Seria mais muito preferível encontrar um outro candidato republicano ou, agora parece que, mesmo um terceiro corredor do partido.
Então, a conversa é que o bilionário Michael Bloomberg, o proprietário da empresa de serviços financeiros e ex-prefeito de Nova York, poderia ser o homem que intervir e derrotar Trump. Aparentemente, Bloomberg está explorando uma corrida independente à presidência e está disposto a gastar US $ 1 bilhão para financiar uma campanha. Mas o respaldo a Bloomberg é uma estratégia arriscada para o capital. Muitas das posições da Bloomberg sobre questões sociais desde ambiente ao controle de armas estão estreitamente alinhadas com os democratas. Assim, a sua candidatura poderia simplesmente ferir as chances de Hillary Clinton e tirar Trump da disputa para a Casa Branca.
Então, os financistas republicanos de Wall Street ainda estão pensando em encontrar um outro republicano. O bilionário Charles Koch, o homem que financia muitos grupos do Tea Party dentro dos republicanos, comentou ao Financial Times que estava "desapontado" com a atual safra de candidatos presidenciais republicanos e especialmente críticos de Trump e Cruz. "É difícil para mim obter um alto nível de entusiasmo ", disse ele," porque as coisas que eu estou apaixonada e acho que este país precisa urgentemente não estão a ser abordadas ".
O que ele está propondo? Aparentemente, para corrigir a convenção com o dinheiro: "Deputados estaduais que são republicanos, congressistas, senadores, membros do comitê locais devem juntar-se com os doadores para que eles não enviem o partido ao suicídio" Os doadores e os seus aliados handpick seu candidato ", winnowing o campo".
Isso é o que acontece com o Tweedledee republicano. Mas o que está acontecendo com o Democrata? Lá, Clinton está enfrentando um forte desafio de Bernie Sanders, o senador "socialista" de Vermont. Que novamente é outro sinal de que trabalhadores sindicalizados, os trabalhadores do setor público e da classe trabalhadora ativos democratas estão fartos com o domínio do estabelecimento Democrata, financiado por fundos hedge e grandes empresas e tão amarrado às suas necessidades políticas. Sanders pediu um salário digno para todos, o investimento público, rompendo os bancos etc.
Estas políticas são suaves em seu impacto sobre a economia capitalista em tempos de sucesso, mas eles são inaceitáveis ​​em uma economia capitalista ainda lutando para crescer após a Grande Recessão e possivelmente voltando em crise econômica. Assim, para o capital, seria um desastre se Sanders ganhou a nomeação democrata porque representaria uma nova ameaça para a rentabilidade do capital.
Mas Sanders também se opõe por elementos reformistas liberais supostamente no lado democrata. Economista keynesiano Top e NYT blogger Paul Krugman, lançou uma série de posts contra Sanders. Krugman se opõe não particularmente porque ele é contra medidas moderadas de Sanders, mas porque Krugman os considera irrealista na cara de um Congresso republicano eo poder de Wall Street e os meios de comunicação. Então nós 'liberais' deveria se contentar com Hillary para que possamos obter algumas coisas, como fizemos com Obama!
Como Krugman disse, "aceitar pães meio como sendo melhor do que nada: a reforma de saúde que deixa o sistema de reforma em grande parte privado, financeiro que restringe seriamente abusos de Wall Street sem quebrar totalmente o seu poder, impostos mais altos sobre os ricos, mas nenhum ataque em grande escala em desigualdade."
Programa mais radical Sanders 'está condenado. Você vê, se Obama não podia fazer nada num momento em que Bush e os republicanos foram desacreditados com a Grande Recessão em 2008, há ainda menos chance agora. Claro, este argumento pressupõe que Obama nunca defendeu qualquer coisa radical para controlar o sector financeiro, reduzir a desigualdade ou ajudar de trabalho. Pelo contrário, Obama nomeou banqueiros de Wall Street para socorrer as instituições financeiras, Ben Bernanke para ajudar os bancos com dinheiro e uma equipe do Tesouro que teve como objetivo reduzir os gastos do governo.
Mas Krugman argumenta que uma campanha por uma "revisão radical das nossas instituições" é um sonho, porque o 'grande público' nunca vai apoiá-lo. Você vê, mesmo Roosevelt não poderia realizar um programa radical na profundidade da Grande Depressão devido à oposição de "racistas do sul" com o partido Democrata. Na verdade, Roosevelt nunca foi interessado em erradicar o racismo e segregação no sul e os democratas do sul não se opôs a medidas econômicas radicais. A oposição veio de Wall Street e economia mainstream; o ex por causa de seus interesses pessoais; e este último por causa de sua crença cega no mercado.
Krugman tem razão quando diz que a "coisa que FDR foram criados complementos, não substitutos: a Segurança Social não substituir as pensões privadas, ao contrário da proposta Sanders para substituir o seguro de saúde privado com único-pagador. E Segurança Social originalmente cobria apenasmetade da força de trabalho, e, como resultado, em grande parte excluídos os afro-americanos ".
Roosevelt começou com grande conversa sobre mudanças radicais na economia americana. Em seu discurso inaugural sobre a eleição em 1933, Roosevelt disse que "no longo prazo, é o problema do controle por um planejamento adequado a criação e distribuição dos produtos que a nossa vasta máquina econômica é capaz de produzir ... Too muitos dos chamados líderes da Nação não conseguem ver a floresta por causa das árvores. Muitos deles não conseguem reconhecer a necessidade vital de planejamento para objetivos definidos. A verdadeira liderança exige a fixação diante dos objectivos eo mobilizador da opinião pública em apoio a estes objectivos. "Havia uma necessidade de um" papel federal de modo assertivo que o governo nacional do país iria ser chamado para supervisionar todas as formas de transporte e de comunicações e outros utilitários que têm um caráter definitivamente pública ".
Mas esse objetivo radical de planejamento do governo sobre o lucro capitalista logo foi abandonada em favor de orçamentos equilibrados (como recomendado pelo Tesouro) e caminhadas taxas de juros (como recomendado pelo Wall Street eo Fed), como um artigo recente na ASSA 2016 por Jan Kregel mostra(WhatWeLearnedFromTheGlobalFinancia_preview (2). O resultado foi que a depressão continuou e só terminou quando os Estados Unidos entraram na guerra mundial e controle estatal introduzido de produção capitalista e poupança forçada para o esforço militar. Em seu livro, terminar a Depressão agora, Krugman admitiu que foi apenas "keynesianismo militar'que acabou com a depressão não Keynes ou o New Deal. Mas não era mesmo o keynesianismo mas a remoção (temporária) do modo de produção capitalista.
De acordo com Krugman, não há nada que possamos fazer. Para usar a frase de Margaret Thatcher, "não há alternativa" (TINA): "O ponto é que, enquanto o idealismo é bom e essencial - você tem que sonhar com um mundo melhor - não é uma virtude, a menos que ele vai junto com realismo hardheaded sobre a significa que pode alcançar seus fins. Isso é verdade mesmo quando, como FDR, você monta um maremoto político no escritório. É ainda mais verdadeiro para um democrata moderno, que vai ter sorte se o seu partido controla ainda uma casa do Congresso em qualquer ponto desta década. "
Então é isso. A economia dos EUA está se dirigindo para baixo novamente. As políticas dos últimos oito anos sob Obama não virou as coisas ao redor. E há a perspectiva de um oligarca demagogo populista em execução como o candidato republicano, assustando o juízo da maioria da classe dominante financeira. A resposta de Krugman é simplesmente aceitar que qualquer coisa que possa realmente melhorar a vida de maioria não está ligada e apoiar Clinton é a única coisa a fazer - na esperança de que algumas migalhas cairão maneira das pessoas como uma nova recessão teares.