"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

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As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

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terça-feira, 19 de março de 2019

O centro da economia global está voltando para a Ásia

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves


O centro da economia global está voltando para a Ásia

A Ásia foi o centro econômico do mundo durantes milênios, em função, especialmente, do peso dos Impérios Persa, Hindu e Chinês. A Índia e a China são os dois países mais populosos do mundo há milênios e desenvolveram grandes civilizações que deram importantes contribuições para o avanço intelectual, espiritual e material da humanidade.
No passado, o centro econômico do mundo ficava na Ásia Central, ao norte da Índia e a oeste da China, refletindo os avanços civilizacionais desfrutados no Oriente Médio e Extremo Oriente. Até 1820, a Ásia respondia por dois terços da riqueza mundial, mas foi superada rapidamente pelo Ocidente graças à Colonização da América e à Revolução Industrial e Energética que garantiu a riqueza e o poderio da Europa e dos Estados Unidos.
Em 1900, o centro econômico havia mudado para o norte da Europa, que deu um salto muito à frente do resto do mundo durante o século XIX. Na primeira metade do século XX até 1950, o centro mudou para o Atlântico Norte, refletindo a ascensão econômica e populacional dos Estados Unidos, como mostra o relatório “Urban world: Cities and the rise of the consuming class”, do McKinsey Global Institute (Junho de 2012).
Mas o relatório também mostra que a tendência de Ocidentalização do mundo deu um “cavalo de pau” em meados do século passado, voltou a se direcionar para o norte da Europa e agora essa tendência está se direcionando para o Oriente, em uma velocidade impressionante. O que levou séculos para se deslocar para o oeste, desde as Grandes Navegações iniciadas por Cristóvão Colombo em 1492, agora faz o caminho de volta para o leste em questão de décadas.
A McKinsey calculou onde o centro econômico ponderando o PIB nacional pelo centro geográfico de gravidade de cada país. O relatório liga a grande mudança na economia global à tendência de urbanização, observando que as economias em rápido crescimento sempre têm cidades em rápido desenvolvimento. Até 2025, prevê o relatório, dois terços do crescimento econômico mundial virão de um grupo de 600 cidades, sendo 440 delas em países em desenvolvimento. Por exemplo, o crescimento urbano da China está ocorrendo 10 vezes mais rápido do que a urbanização no Reino Unido, o primeiro país a se industrializar. A China está criando megacidades (população de 10 milhões ou mais) a uma taxa de uma por ano.
De acordo com o relatório da McKinsey, o centro de gravidade econômico vem mudando para leste na última década a uma taxa de 140 km por ano e, em 2025, terá retornado a um lugar na Ásia central, ao norte de onde foi no ano 1.000 DC. “Não é uma hipérbole dizer que estamos observando a mudança mais significativa no centro de gravidade econômico da Terra na história”, conclui o relatório.

O gráfico abaixo, com dados do FMI, mostra como mudou a correlação de forças entre as economias dos principais países ocidentais, da Ásia emergente e da Chíndia (China + Índia). A queda dos países ocidentais foi grande e a ascensão dos países orientais foi surpreendente. A linha azul mostra a participação no PIB global dos EUA mais o Canadá e mais a União Europeia (com 28 Estados-membros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Chipre, República Checa, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Polônia, Portugal, Romênia, Reino Unido e Suécia), enquanto a linha laranja mostra a participação da Ásia Emergente (30 países: Bangladesh, Butão, Brunei, Camboja, China, Fiji, Índia, Indonésia, Kiribati, Laos, Malásia, Maldivas, Ilhas Marshall, Micronésia, Mongólia, Mianmar, Nauru, Nepal, Palau, Papua-Nova Guiné, Filipinas, Samoa, Ilhas Salomão, Sri Lanka, Tailândia, Timor-Leste, Tonga, Tuvalu, Vanuatu e Vietnã).


participação do PIB global dos EUA, Canadá, União Europeia, da Ásia emergente e da Chíndia

Os 30 países ocidentais tinham uma participação no PIB global de 53,8% em 1980, caíram para 32,8% em 2018 e devem ficar com 29,9% em 20123. Já os 30 países da Ásia Emergente tinham uma participação no PIB global de somente 8,9% em 1980, passaram para 33,2% em 2018 (ultrapassando os 30 países ocidentais) e devem ficar com 37,7% em 2023.
Mas dentro da Ásia Emergente (que reúne os países do Leste e do Sul da Ásia) o peso fundamental é da China e da Índia (Chíndia). O gráfico também mostra que a Chíndia tinha uma participação no PIB global de apenas 5,2% em 1980 (10 vezes menos que os 30 países ocidentais), mas passou para 26,4% em 2018 e deve chegar a 30,3% em 2023, ultrapassando os 30 países ocidentais que devem ficar com 29,9%.
Portanto, a China e a Índia – as duas grandes civilizações do passado – estão voltando a ter papel central na economia internacional. Como são países que somam quase 3 bilhões de habitantes e crescem muito em termos econômicos estão provocando a mudança do eixo econômico de gravidade para o centro da Ásia.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

Referência:
Richard Dobbs et. al. Urban world: Cities and the rise of the consuming class, Report McKinsey Global Institute, June 2012


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/03/2019
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