Juventude ameaçada

               O crescimento da aids,o aumento da criminalidade e a escalada das drogas representam grave ameaça à juventude no limiar do novo milênio.O diagnóstico ,sombrio,consta de relatório feito pela organização mundial de saúde (OMS).
            Para muitos jovens,"especialmente os que crescem em zonas urbanas pobres,os anos da adolescência serão os mais perigosos da vida",sublinha o documento,o crescimento da aids pode comprometer os progressos na área da saúde infanto-juvenil feitos nas últimas décadas.
Gravidez precoce,aborto,doenças sexualmente transmissíveis,aids e drogas compõem trágica equação que ameaça destruir o sonho brasileiro.
               Dados do sistema único de saúde (SUS) indicam que 54% das adolescentes sem escolaridade já ficaram grávidas.Também é um erro acreditar que com mais informações e acesso aos preservativos se evitem os "comportamentos perigosos".De fato,pesquisas citadas pela time revelam que adolescentes bem-informados continuam tendo condutas sexuais de alto risco.Na verdade, as campanhas de educação sexual ,nos Estados Unidos e aqui no Brasil,não tem sido capaz de neutralizar a influência causada pela onda da hipersexualização e vulgaridade que tomou conta de boa parte da programação de tv.
            Ao longo dos últimos anos,houve uma revolução mundial no modo de captar os valores morais,seguida de mudanças profundas na maneira de agir das pessoas.
Os meios de comunicação social,particularmente a televisão,tiveram e continuam tendo papel importante neste processo de transformação individual e coletiva,na medida em que introduzem e refletem novas atitudes e estilos de vida.
                  A falência da educação, a desestruturação familiar e a ausência de referências morais abandonam crianças e adolescentes aos cuidados da TV.Na opinião,quase unânime,de psicólogos e educadores,a babá eletrônica está longe de ser a melhor companhia para as crianças e os adolescentes.
Aberrações e situações patológicas,apresentadas num clima de normalidade,bombardeiam a programação da tv.E o excessivo apelo sexual já não se limita ao horário destinado ao público adulto.
                  O poder está vinculado à responsabilidade.A televisão ,poderosa e influente,necessita ter algumas balizas éticas operativas,sem as quais ela se torna uma promotora da decomposição moral da sociedade.
               O resgate da juventude,não duvidemos,passa pela recuperação da famália,da educação e por um sério investimento na ética da comunicação.

                       (O estado de São Paulo,27/5/1998) 

Após mais de 10 anos da publicação dessa reportagem será que alguma coisa mudou?A educação recebeu investimentos?E a programação da tv mudou?


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