Com o fim dos vestibulares é hora de se pensar a democracia nas Universidades

No Brasil está a acontecer a morte de um símbolo da forte exclusão das camadas populares da educação do país, falo dos exames vestibulares, particularmente, a própria exclusão em forma de prova. Na verdade era a forma como as elites ingressavam nas Universidades públicas.

Nas escolas privadas, educação transformada em negócio, aberração do capitalismo, o número de aprovações é usado como ferramenta de marketing , assim como os tais cursinhos; certamente isto não acabará neste momento, já que passarão a usar o número de aprovados no SISU, no entanto, o Sistema de Seleção Unificada põe fim à disputa pré-programada que se cria em torno dos vestibulares, como a prova do ENEM não é feita para um curso exclusivo sua nota pode ser usada para ocupar a vaga que for possível; há também a questão das cotas sociais destinando 50% das vagas nas Universidades públicas para alunos vindos da rede pública de ensino, ou seja, na questão do acesso já se suprime a elitização. 

É um passo importante a supressão dos exames vestibulares, mas é um passo ainda muito pequeno, para alcançarmos um modelo de educação social é necessário revolucionar o sistema educacional brasileiro, se houve essa flexibilização no acesso, e o que é a única coisa que o governo enxerga é preciso se verificar desde os primeiros anos as altas taxas de exclusão, no Brasil menos de 40% das crianças terminam o Ensino Médio, ou seja, mesmo se esses 40% que concluem o ensino médio ingressassem nas Universidades mais de 60% ficam com a instrução comprometida, sendo que o ensino é deficitário o que ajudar a comprometer o próprio ensino superior, o Brasil tem uma taxa dos chamados analfabetos funcionais que chega a 21% da população.

Mas essa revolução na educação deve ser construída a partir das própria Universidades, e isso ocorre com a democratização do ensino Universitário, significa retirar todo o elitismo impregnado no ensino superior, que a Universidade passe a ser o local onde se criam os militantes da transformação social. Infelizmente o quadro ruma para o caminho contrário, o individualismo, questão de status, o Médico que se forma na Universidade Pública para atender em seu consultório os ricos, seria democrático se o curso de medicina da Universidade pública entenda a precariedade da saúde pública.

Exclusão na educação básica:

• 3,8 milhões de crianças com idade entre 4 e 14 anos e 2 milhões de jovens com idade entre 15 e 17 anos estão fora da escola.
• 1,3 milhão de crianças entre 10 e 17 anos trabalham em vez de estudar, e mais de 4,8 milhões são obrigadas a trabalhar e estudar ao mesmo tempo.
• O Brasil tem entre 15 e 20 milhões de analfabetos com mais de 18 anos.
• 33 milhões de brasileiros são incapazes de ler ou escrever, apesar de terem sido formalmente alfabetizados.
• Quase um terço (28%) dos alunos brasileiros não conseguem completar a 4a série do Ensino Fundamental na idade adequada (11 anos).
• Menos da metade (42%) dos brasileiros consegue completar a 8a série do Ensino Fundamental na idade adequada (15 anos).
• 73% dos brasileiros atualmente com 18 anos ou mais – mais de 100 milhões de pessoas – não chegaram a cursar ou concluir o Ensino Médio. Destes, apenas metade recebeu uma Educação Básica de qualidade razoável.
• Apenas 65% dos jovens com mais de 18 anos estão concluindo o Ensino Médio.
• 52% dos alunos da 4a série não dominam as habilidades elementares de Matemática. Em Português, a situação é ainda pior: 59% dos alunos estão na 4a série sem terem adquirido as competências e habilidades necessárias.
• 48% dos professores sofrem da síndrome da desistência: não vêem mais o aluno como um ser em evolução.
• Entre 31 países investigados, o Brasil ficou em último lugar na média de desempenho de Matemática.
• A média salarial dos professores do Ensino Básico é de R$ 530, sendo que 80% ganham em média R$ 360.

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