Miséria na Universidade

Inegável dizer que a Universidade Brasileira se expanda para as classes mais pobres do país e é inegável também não dizer que é um passo importante na nossa história, mas da mesma forma não se pode dizer que tudo são flores, a Universalização é um importante passo, mas o passo mais importante a ser dado pela Universidade brasileira é a construção da democracia social, democracia na Universidade não significa a escolha direta de reitores ou diretores e sim a discussão crítica acerca dos problemas sociais e da preparação para o enfrentamento desses mesmos problemas e é este um grande desafio.

A Universidade brasileira sempre esteve longe desta democracia e agora, mesmo com a ampliação do acesso, se distancia de forma altamente prejudicial, é que o ensino universitário perde seu caráter de crítico e da discussão social  transformando-se em comércio de diplomas. Para uma Universidade ser democrática ela precisa acolher no seu interior todas as camadas da sociedade, mas não basta só incluir, de que adianta para a sociedade que o pobre ou o negro, as cotas, chegue ao ensino superior com o pensamento em tornar-se rico e servir às elites sem se quer ter o interesse em mudar ou construir ou até mesmo discutir sua sociedade de exclusão.

Essa capacidade de discussão, própria da visão sociológica e filosófica do mundo, está sendo assassinada nas universidades brasileiras, a técnica está a matá-la. O Programa Ciências sem Fronteiras, criado pelo governo federal em 2011, elenca como áreas prioritárias para o país apenas as relacionadas com a técnica. Além disso, o aluno que ingressa no ensino superior já chega contaminado pela consciência consumista, elege como prioridade uma posição de destaque no mercado de trabalho, o que não é nada de inescrupuloso, mas o problema é que essa acaba sendo a única prioridade, o que mata  o cidadão, ele terá uma vida privada, não pagando sequer o investimento feito para sua formação na Universidade Pública. A rede privada é muito pior, são verdadeiros cursinhos.

A inclusão e a universalização é fundamental, mas a democracia social universitária é imprescindível, sem ela seremos uma sociedade que não será capaz de pensar a si própria.

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