Brasil retem posição em Índice de Desenvolvimento Humano da ONU

País ocupa o 85º lugar na lista no ranking mundial das 187 nações pesquisadas; relatório inclui dados sobre saúde, educação e de expectativa de vida e de renda.
Campo de arroz na China Foto: ONU/John Isaac
Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.
O relatório que mede o Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, mostrou que o Brasil ficou em 85º lugar entre as 187 nações pesquisadas, no ano passado.
O país está no grupo de desenvolvimento elevado com um índice de 0,730. O relatório citou o Brasil 137 vezes e elogiou as políticas de distribuição de renda, investimento em educação e pelos avanços econômicos.
Saúde
Segundo o documento, todos esses fatores reunidos ajudaram a reduzir os níveis de desigualdade social no país.  Em relação à saúde, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, mostrou que a expectativa de vida do brasileiro subiu de 73,5 anos, em 2011 para 73,8 no ano passado.
A renda per capita pulou de R$ 20,172 para R$ 20,304, durante o mesmo período.
No quesito educação, o Brasil estagnou. O país continua com os mesmos 7,2 anos de escolaridade desde 2010. Já na agricultura, foram registrados avanços.
Em entrevista à Rádio ONU, o economista-chefe para África do Pnud, Pedro Conceição, falou sobre o setor.
"A região do cerrado, que durante muito tempo foi considerada uma região com muito pouco potencial para a agricultura, é uma das regiões mais produtivas do mundo e tem firmado o Brasil como uma potência global. Isto deveu-se a um investimento, no país, no desenvolvimento de tecnologia, de inovação e de técnicas agrícolas que permitiram transformar esta região, que se pensava ter muito pouco potencial agrícola, numa das regiões mais competitivas globalmente na agricultura".
Progresso
O Índice de Desenvolvimento Humano 2012 detectou a "Ascensão do Sul", como classificou o avanço dos países do Hemisfério Sul.
Segundo o Pnud, esse progresso começa a mudar o equilíbrio da balança do poder mundial. Ele foi conquistado com a redução da pobreza, a expansão da classe média e do desenvolvimento na África, na Ásia e na América Latina.
PIB
Segundo o IDH, pela primeira vez, a produção conjunta de três nações emergentes: Brasil, China e Índia, é quase a mesma do PIB somado de alguns países industrializados, como Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Alemanha e Itália.
O relatório prevê que até 2020, a produção dos emergentes vai superar a dos países mais industrializados.
Comparação
Apesar do avanço, o Brasil ficou atrás de alguns vizinhos, como Argentina, Venezuela e Cuba. Mas está à frente de importantes parceiros do Brics, China, Índia e África do Sul.
O país que tem o melhor Índice de Desenvolvimento Humano é a Noruega, seguida da Austrália e dos Estados Unidos. No final da lista, com o pior índice estão empatados Níger e a República Democrática do Congo, ambos na África.
Alerta
A ONU alerta que se as desigualdades, de gênero, de renda ou de educação, permanecerem será muito difícil continuar com os avanços nas questões do desenvolvimento humano. A organização deixa claro que o problema é o mesmo em relação à degradação do meio ambiente.
Outro ponto de delicado é o envelhecimento da população. Os países em desenvolvimento terão muitas dificuldades para cuidar e prestar assistência aos idosos se continuarem pobres.
O relatório conclui dizendo que os países devem investir em questões sociais, como a igualdade de gêneros, participação dos cidadãos na sociedade, ecologia e movimentos demográficos.

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