Polícia faz caça aos professores no Rio

Violência policial atingiu os docentes que protestavam contra um plano enviado à votação pelo prefeito Eduardo Paes. Centro do Rio foi varrido pelos polícias e seu gás lacrimogéneo. Oposição quer anular votação alegando que sessão “secreta” é ilegal.
O Gás pimenta é uma das armas favoritas da PM do Rio
Os professores municipais do Rio de Janeiro foram violentamente reprimidos pela polícia do governador Sérgio Cabral quando protestavam diante da Câmara Municipal da cidade.
Milhares de ativistas estavam concentrados para se manifestar contra o Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações enviado pelo prefeito (presidente da Câmara) Eduardo Paes para aprovação. O Plano prevê mudanças que os docentes rejeitam. O protesto visava também repudiar a violência policial exercida no mesmo local no sábado anterior.
Os arredores da Câmara foram cercados por grades, e a Polícia Militar bloqueou ruas laterais e montou um cordão de isolamento do prédio.
Os milhares de professores receberam a adesão de bancários, educadores da rede estadual e outros trabalhadores.
Caça ao professor
A polícia decidiu então carregar sobre os manifestantes, usando bombas de gás lacrimogéneo, agredindo ativistas e realizando dezenas de prisões. Depois de expulsar os manifestantes da praça da Cinelândia (onde fica o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional, cinemas e bares) foram avançando em toda a extensão da Av. Rio Branco.
“São quase 18h de uma mera terça-feira de outubro. O Centro do Rio, da histórica Cinelândia à não menos Candelária é uma caótica praça da guerra de Paes e Cabral Filho contra os professores da rede municipal de educação, e contra toda a população que sai dos bancos, escritórios e lojas – submetidos à desorganização, ao trânsito caótico, ao gás lacrimogéneo, à barulheira dos helicópteros, às avenidas inutilmente interrompidas”, relatou no Facebook uma jornalista. “Na esquina mais movimentada da segunda metrópole do país, Rio Branco com Presidente Vargas, há meia hora, duas professoras grevistas indicavam aos transeuntes preocupados que não fossem pela Rio Branco, que tivessem cuidado para atravessar (a PM desistiu do trânsito, para se concentrar na tarefa de bater em professores), que estavam ali para pedir solidariedade porque não podiam ensinar matemática se tinham formação em Português...”
Isto é uma loucura”
A atriz Leandra Leal juntou-se aos manifestantes para dar apoio aos professores. “No sábado a gente estava aqui depois do Festival do Rio (ocorre na Cinelândia, junto à Câmara) e viu a tropa de Choque, foi realmente uma violência o que aconteceu. Todo mundo ficou indignado e está aqui de novo. Não estou acreditando que fizeram um perímetro (de segurança), isso é uma loucura.”
Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nacional, Wadih Damous, e do Rio, Marcelo Chalreo, criticaram em nota o prefeito Eduardo Paes (PMDB) e a desocupação da Câmara.
“O funcionamento desse Legislativo com a presença ostensiva de policiamento nesta segunda-feira, inclusive interditando ruas e ferindo o direito de ir e vir, não condiz com as práticas democráticas”, diz a nota.
Reunião secreta
A Câmara de Vereadores do acabaria por aprovar o Plano de Carreira e Salários dos professores da rede municipal com apenas 3 votos contra, porque a maioria dos vereadores que se opunham (quatro do PSOL, um do PDT, dois do PR, um do PT e um do PSDB) abandonaram a sessão e prometeram ir à Justiça para anular a sessão, alegando que o público foi impedido de acompanhar os trabalhos pela presidência da Casa, o que, para eles, transformou a reunião em secreta, o que contraria a lei.

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