Tudo é do povo e nada é do povo

Quando cidadania vai além de voto no Brasil o pau canta, voto que no Brasil é uma ferramenta perigosa para considerarmos como cidadã, José Murilo diz que a venda de votos ainda no império foi uma forma de o eleitorado reagir aos desmandos de coronéis e oligarcas; por isso que as chamadas Jornadas de Junho foram recebidas em meio a uma grande confusão por parte dos detentores de cargos e donos de "partidos"; hoje todos tentam se aproveitar do que ocorrera, tentar usar como crítica ao governo atual, outros como fortalecimento da democracia, o fato é que ficaram surpresos ao não conseguirem comprar o povo com meia dúzia de bugigangas.

Afora o conteúdo daquele tipo de manifestação, no momento em que é engrossada pela classe média e que ficou como uma determinada cara, recebendo muitas críticas, o fato é que poucas vezes o tão falado povo brasileiro foi as ruas por conta própria. Lembrem de João Goulart que fizera naquela azarenta sexta-feira 13 de Março de 1964 um comício com 150 mil presentes na Central do Brasil no Rio de Janeiro e dias depois ocorria em São Paulo a marcha pela Família e para Deus ou sei lá o quê com 500 mil, orquestrada por forças ocultas, e depois do golpe se o presidente esperava por apoio popular não obteve nada mais do que comemorações pela queda do dito Jango e, vejam só, a manutenção da "democracia" pelos revolucionários militares, saudados pela Veja e em seguida  a partir de sua criação em 1965 pela Globo, ora, democracia sem povo não passa de um vazio.

A "Cidadania" brasileira é cooptada por "líderes", seguidorismo, populismo, tudo é do povo e nada é do povo. Quanta miséria pode seguir e adorar um demagogo populista? 

Até hoje esse problema rende sérios desmandos na República. Os assistencialistas são endeusados. A própria extrema direita pode se utilizar  da "falta de democracia" para expor discursos.

Nesses últimos meses frequentemente as TV´s mostram protestos e em seguida confrontos entre manifestantes, chamados com exaustão de vândalos, e a Polícia Militar. O discurso de "vandalismo" serve, certamente, para formar um tipo de "opinião" pela ordem; havia apresentadores de programas policiais que diziam precisar ser os protestos "ordeiros e pacíficos" 1 milhão de vezes ou mais por hora, talvez uma micareta servisse, quando volta para a reportagem comum, ou seja, o drama da violência-delinquência urbana, pede "peia" e pena de morte para os "bandidos", vejam só como brincamos com cidadania. Querem dizer que a ordem só não é perfeita por quê bandido é protegido pelos Direitos Humanos, "bandido bom é bandido morto" dizem e o povo repete, claro que do ponto de vista de vítimas da brutal criminalidade das cidades deste país não há o que dizer, mas se for pra rua de preto, sozinho sem seguir  algum messias, tem que ser preso por vandalismo.

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