Grécia: Milhares na rua desafiam proibição de manifestações

Governo tinha decretado a interdição de protestos no centro de Atenas enquanto durasse a reunião do Eurogrupo. Polícia usou gás, petardos e polícias motorizados para reprimir.
Polícia usou gás lacrimogéneo contra os manifestantes. Foto de Yannis Kemmos, do Left.gr
Milhares de gregos desafiaram nesta terça-feira a proibição de manifestações no centro de Atenas enquanto durasse a reunião do Eurogrupo na capital grega, e realizaram um protesto contra a troika e a austeridade. A concentração fora convocada pelos sindicatos e por partidos como o Syriza, o Partido Comunista e a Antarsya.
A polícia carregou sobre os manifestantes usando gás lacrimogéneo e petardos, e antes as forças especiais conhecidas como equipa Delta rodearam os manifestantes com as suas motocicletas, criando um clima de intimidação.
Esta força Delta da polícia grega usa motos leves e dois polícias por moto; o primeiro conduz e o que vai na garupa usa um bastão para agredir manifestantes incautos. A ação desta força repressiva recorda os métodos das forças paramilitares que entraram em ação no Irão para reprimir as manifestações de 2011-2012.
UE continua a exigir medidas
Na reunião do Eurogrupo, os ministros das Finanças disseram-se satisfeitos com os compromissos e as medidas assumidas pelo governo grego, e decidiram libertar em tranches os prometidos 8,3 mil milhões de euros em três tranches, sendo a primeira paga em maio, a tempo de pagar a dívida que vence naquela altura.
No entanto, o pagamento das tranches continua condicionado a 12 “ações prioritárias”, que incluem um compromisso do governo de adotar medidas fiscais para tapar eventuais buracos causados por decisões de tribunais que revertam cortes salariais (tal como em Portugal), congelamento dos gastos ao nível de 2013, reforma na Segurança Social e aceleração das privatizações, entre outras medidas.
Segundos os dados divulgados pelo Eurostat esta terça-feira, a Grécia tem o recorde europeu de desemprego, com 27,5% da força de trabalho sem emprego, sendo que o desemprego jovem é de inacreditáveis 58,3%.

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