Estudo atribui às atividades humanas 69% do degelo recente dos glaciares

Uma investigação publicada na Science afirma que dois terços do degelo ocorrido entre 1991 e 2010 estão relacionados com as emissões de gases do efeito estufa resultantes da queima de combustíveis fósseis. 

Por Fabiano Ávila.

Fotos das Universidades de Ohio e de Innsbruck
Acompanhar o degelo dos glaciares em todo o planeta tornou-se uma das principais atividades de centenas de climatologistas, geógrafos e outros especialistas que estudam as mudanças climáticas em andamento.
Trabalhos sobre o tema estão a ficar cada vez mais frequentes, ampliando em muito o nosso conhecimento sobre esse derretimento, que tem entre as suas consequências: o aumento do nível do mar, grandes inundações repentinas e prejuízos potenciais no fornecimento de água para milhões de pessoas.
Na passada semana, foi publicado na revista Science mais um desses estudos, que surpreende ao apontar que a maior parte do degelo recente é resultado das emissões de gases do efeito estufa da humanidade.
Realizado por investigadores austríacos e canadenses, o trabalho afirma que entre 25% e 35% da perda global de massa nos glaciares durante o período entre 1851 e 2010 pode ser atribuída a causas antropogênicas. Essa contribuição foi subindo com o passar do tempo, chegando a aproximadamente 69% entre 1991 e 2010.
“Encontramos evidências inequívocas de um crescente impacto humano na perda de massa glacial. Os resultados são consistentes com medições do equilíbrio de massa das glaciares”, declarou o climatologista Ben Marzeion, da Universidade de Innsbruck.
Segundo os investigadores, os glaciares têm se retraído desde meados do século XIX, quando a pequena Era do Gelo terminou. Esse processo deve-se tanto a causas naturais, como atividades vulcânicas, quanto a alterações humanas no clima.
Para conseguir detectar o quanto o homem seria responsável pelo derretimento, a equipe utilizou o que há de mais moderno em modelagem climática e comparou os resultados com medições feitas em campo.

“Podemos colocar inúmeras variáveis no modelo e acompanhar os resultados. Como temos informações concretas sobre a flutuação solar, atividades vulcânicas e sobre o próprio degelo, podemos inserir as variáveis humanas e ver como os resultados se comparam à realidade”, explicou Marzeion.
“O que concluímos é que, até 1950, a perda de massa dos glaciares que pode ser atribuída às atividades humanas não é significante, mas que essa percentagem foi subindo com o passar do tempo. Estamos muito confiantes de que podemos afirmar agora que o fator humano é hoje dominante no degelo”, declarou.
Outro autor do trabalho, o geógrafo Graham Cogley, da Universidade de Trent, destaca que mais uma conclusão importante da investigação é a prova de que o homem está sim a alterar o clima.
“Os nossos resultados são mais um prego no caixão daqueles que ainda acreditam que as mudanças climáticas não são culpa nossa. As pessoas que ainda têm essa visão estão a ficar sem lugar para se esconder”, concluiu Cogley.
É preciso possuir a assinatura da Science para ler o estudo completo, mas o resumo pode ser visto aqui: Attribution of global glacier mass loss to anthropogenic and natural causes.
Artigo de Fabiano Ávila, Instituto CarbonoBrasil / Universidade de Innsbruck

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