EUA dão vitória aos republicanos e à legalização da maconha

Os eleitores norte-americanos foram às urnas e pela primeira vez desde 2006 entregaram a maioria do Senado ao Partido Republicano. Nos referendos do Alasca, Oregon e Washington D.C, ganhou a legalização da maconha. E em quatro estados que deram a vitória aos republicanos, foi aprovado o aumento do salário mínimo.

Barack Obama foi o grande derrotado na noite, após uma campanha em que o seu nome concentrou as críticas dos candidatos do Partido Republicano. O presidente dos EUA terá de completar o seu mandato com a oposição da maioria do Senado e da Câmara dos Representantes. Se nesta última os republicanos já eram maioria, a derrota dos democratas nas eleições para o Senado veio dar aos adversários da administração Obama o controle das duas câmaras. Os republicanos não tinham a maioria do Senado desde 2006 e contaram com a fraca participação dos eleitores que deram as vitórias a Barack Obama nas presidenciais, em particular os jovens.

A par desta eleição, realizaram-se vários referendos em muitas cidades e estados norte-americanos. Um dos temas em destaque foi a legalização da maconha, que tem ganho o apoio majoritário da sociedade nos últimos anos. Esta terça-feira, o estado do Oregon tornou-se o terceiro estado a legalizar o uso recreativo da maconha, após o Colorado e Washington já o terem feito através de referendo no ano passado. A proposta passou com 54.2% dos votos e deu origem à primeira fronteira em que a maconha é legal nos dois lados, os estados do Oregon e Washington.

Em Washington DC, a capital norte-americana, a proposta para legalizar a posse e o cultivo de maconha foi aprovada com um resultado que superou todas as previsões: 69,4% dos eleitores deram luz verde à medida. E no Alasca, perguntados sobre se desejavam legalizar a posse e cultivo de maconha, para além de criar e taxar os mercados de canábis, 52,1% dos eleitores disseram que sim.

Outras questões relativas ao estatuto canábis animaram referendos noutros estados. Segundo os resultados reunidos pela revista High Times, na Florida, a canábis medicinal venceu em todos os distritos, com um total de 57,6%, ficando no entanto um pouco aquém da fasquia de 60% imposta pela lei daquele Estado para aprovar a medida.

Na Califórnia, os referendos no sentido da descriminalização da posse de pequenas quantidades de drogas (não apenas a maconha) foram ganhos com uma margem confortável de 58,2%. Nalgumas cidades, os referendos aprovaram restrições aos estabelecimentos que disponibilizam canábis para fins medicinais e um aumento da fiscalidade sobre esse comércio.

Também no Colorado, o estado que já legalizou a maconha no início do ano, várias cidades pronunciaram-se a favor da proibição de lojas que vendam canábis ou do aumento da fiscalidade sobre esse comércio. Duas delas (Palisade e Paonia) votaram mesmo a favor das duas propostas…

No Michigan, depois de 16 vitórias consecutivas a favor da descriminalização da posse de pequenas quantidades de maconha, os resultados de terça-feira trouxeram cinco derrotas em cidades com menos de dois mil habitantes. Mas em seis cidades mais populosas, o referendo deu a vitória à descriminalização. O mesmo aconteceu no estado do Novo Mexico, enquanto no Maine as consultas locais sobre a legalização tiveram resultado dividido: enquanto South Portland votou a favor da legalização de pequenas quantidades por 52.4%, em Lewiston, menos populosa, o apoio à legalização recolheu apenas 45.1% dos votos.

Aumento do salário mínimo sai vitorioso em quatro estados republicanos
Noutros referendos realizados em simultâneo a esta eleição, tiveram sucesso os que defendiam o aumento do salário mínimo, hoje fixado em 7.25 dólares, um tema que tem motivado a luta dos trabalhadores nos últimos dois anos e ganhou até o apoio da Casa Branca. No Arkansas, 65% votaram a favor do aumento para 8.50 dólares por hora e no Dakota do Sul 52% aprovaram o mesmo aumento, enquanto no Nebraska a proposta para aumentar para 9 dólares até 2016 conseguiu o apoio de 62% dos eleitores. No Alasca, 67% deram luz verde ao aumento para 9,75 dólares em 2016. Todos estes estados deram maioria aos republicanos na eleição para o Senado.

Em São Francisco, uma das cidades norte-americanas com um custo de vida mais elevado, a proposta foi mais ambiciosa: passar o salário mínimo para 15 dólares por hora até 2018, tornando-se assim a segunda cidade dos EUA, a seguir a Seattle, a atingir este valor. Com a quase totalidade dos votos contados, esse aumento reunia o apoio de 78% dos eleitores. Uma proposta semelhante também foi aprovada na vizinha cidade de Oakland com uma margem idêntica de apoio à subida do salário mínimo, desta vez para 12,25 dólares por hora.

Esquerda.net

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