Votar na chapa certa

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O melhor desta campanha eleitoral são as dentaduras; a odontologia venceu a rapadura preta. Candidato que não mostra os dentes é como jumento banguelo, ninguém compra. Nunca se faturou tanto em publicidade como nesse ano eleitoral; haja projeto de santinho com chapa boa. O Brasil sempre foi um país de banguelos, e sempre houve apreço por uma boa dentadura, ter bons dentes era sinal de prosperidade; protético em cidade do interior ganhava o título de doutor; quando alguém aparecia com dentição branca e perfeita se dizia logo: - isso é dente “mermo” ou é chapa?- A prótese foi técnica primitiva, agora existem duas novas frentes, a odontologia moderna e o photoshop digital, candidato de boca fechada é que não pode.

Nos candidatos a presidente, parece-me que o Bolsonaro tem bruxismo, ou roeu os dentes ou a dentadura, ele tem a boca arreganhada pro lado direito, não sei se foi a chapa que ficou um pouco alta ou alguma trombose; uma candidata a Governadora do RN a mesma coisa, parece que trocou a dentadura para a campanha e a bicha ainda não se adaptou perfeitamente à boca.

Já vi no congresso parlamentar ter problema com chapa três vezes: o dente de Renan Calheiros, presidente do Congresso Nacional caiu numa entrevista coletiva; numa audiência pública o Senador pelo Distrito Federal, Hélio José, se viu obrigado a tentar acertar a dentadura, e como não conseguiu teve que colocá-la no bolso e tanger o discurso no vácuo; o deputado federal Carioca Simão Sessin perdeu os dentes num comunicado em sessão da câmara dos deputados em 2017, a Corega agradece a publicidade.

A rapadura é a força do nordestino e a desgraça dos seus dentes; dor de dente era a maior recordação da infância do sertanejo, tomava de tudo pra passar, água de borralho, água com casca de pau, tudo que fosse possível arrumar, amanhecia de cara inchada, tomando café quente pelo canto do bico. Arrancava tudo com o protético dentista improvisado cru, sem anestesia, um processo de libertação. Sertanejo odiava dente, porcaria só serve pra doer, preferia uma boa prótese, com uma faixa de ouro no dente da frente. Uma vez um caba parou pra beber água numa casa num desses sítios do sertão, cumpriu todo o protocolo: - oi de casa. – ôi de fora. – Dá pra arrumar um coisinha d`água pra mim? – Entre e beba no pote. E matuto não bebia sobejo, fazia um caneco, no Nordeste é macho, caneco e não caneca, como em São Paulo, com a boca cheia de pontas triangulares, só podia ser usado pra tirar a água do pote e colocar num copo de beber. O fato é que quando o camarada meteu o caneco no pote arrastou, como traíra na lama, uma formidável dentadura, que para não endurecer e por praticidade, repousava nas águas frias do pote de barro.

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