O DISCURSO DE POSSE DE ERNESTO ARAÚJO

por Loryel Rocha

São 32 minutos pautados em cima dos conceitos de GNOSE, ALETHEIA e LIBERDADE, tratando-os de modo claramente ideológico (usando e abusando do perenialismo gnóstico) e distorcendo-os de tal modo que a mim pareceu impossível que um diplomata o pudesse fazer com tamanha desenvoltura e de modo tão desabrido. Inexiste orientação de como ele conduzirá o Itamaraty em termos de política externa, ou antes, o papel que parece lhe reservar é meramente ideológico. É bom que se diga que o Chanceler preconiza um Estado Teocrático para o Brasil-idéia-cerne do projeto do globalismo internacional- mas, afiança que combate o globalismo.

O coroamento do discurso foi a equiparação de Jair Bolsonaro com El-Rei D. Sebastião. O mito messiânico que apontei por diversas vezes antes e ao longo da campanha iniciar-se é, de fato, assumidamente, um "projeto de nação". No entanto, não se trata - e é preciso que se diga- do messianismo português autêntico, mas do messianismo inventado pelo poder maçônico-militar que alçou Jair Bolsonaro ao poder. Somente este trecho basta para ver o rumo catastrófico que o Brasil assumiu para si e levará à cabo.
Mas, como aqui ninguém sabe o que é messianismo político, o discurso deverá soar bem à malta da "direita" ou servir de pretexto para críticas ignóbeis da esquerda nacional, ambas se recusando a mergulhar na profundidade que a temática exige e demanda, por razões óbvias: historicamente, tanto a direita quanto a esquerda foram e são os maiores fomentadores do messianismo político em escala mundial.
Araújo terminou seu discurso com um hibridismo “Anuê Jaci” que seria “Ave, Maria”, chamando Nossa Senhora pelo nome da Lua, mas invocando também a saudação integralista, como se Integralista de verdade fosse como foi António Sardinha ou como se jesuíta fosse do calibre de um José de Anchieta. Esqueceu-se somente de dizer que sua "visão de Brasil" é a antítese da praticada por Sardinha e/ou pelo padre Anchieta à serviço da Coroa Portuguesa.

O Brasil é o país das MENTIRAS, das INVENÇÕES políticas, agora rebatizadas de ALETHEIA.
Como ele citou Renato Russo como "autoridade" em GNOSE eu invoco o "cristianismo" de Eduardo Cunha: "Que Deus se apiede do Brasil".

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