Euronews - O hidrogênio é o elemento mais abundante do universo e oferece a promessa de produzir energia limpa em grande escala. Em 2050, poderá alimentar quase um quarto das necessidades energéticas da Europa. O Business Planet desta semana foi a Gotemburgo para ver como uma empresa local utiliza a tecnologia de ponta para maximizar as oportunidades de negócio e promover um futuro de emissões zero de dióxido de carbono.
Energia Limpa
A Powercell Suécia fabrica pilhas de combustível e sistemas movidos a hidrogênio. Podem ser utilizadas também na estrada e no mar - por exemplo, em caminhões e navios. Quando combinadas com o chamado hidrogênio verde, que é produzido a partir de fontes renováveis como o vento ou a energia solar, oferecem energia de baixo teor de carbono.
Per Ekdunge, fundador e vice-presidente da empresa, sublinha a importância deste processo num futuro sustentável.
euronews - Há esperança de que o hidrogênio possa responder às nossas dificuldades energéticas a longo prazo - a vossa tecnologia está a transformar esta visão numa realidade?
Per Ekdunge - Sim, e já está a acontecer. Só precisamos de aumentar a escala. As células de combustível de hidrogênio vão desempenhar um papel importante se quisermos atingir os nossos objetivos climáticos."
A União Europeia identificou o hidrogênio como uma dos elementos estratégicos que precisam de grandes ações e investimentos. Uma questão importante para a empresa, que recebeu financiamento e ajuda do programa europeu Horizon.
Per Ekdunge - Tem sido muito importante. Para além do apoio financeiro, temos também a oportunidade de trabalhar em estreita colaboração com os clientes - os fabricantes de automóveis - e com os principais fornecedores e institutos de investigação.
Economia Baseada no Hidrogênio
Apesar do grande potencial, a construção da infra-estrutura para uma economia baseada no hidrogênio continua a ser um desafio.
Uma parceria industrial da Fuel Cells and Hydrogen Joint Undertaking (FCH JU) com a União Europeia está a tentar mudar este cenário.
Bart Biebuyck, diretor executivo da empresa sediada em Bruxelas, explicou à euronews que, neste momento, o principal foco do trabalho é a inovação.
euronews - Enquanto líder de uma empresa focada na energia com base no hidrogénio, o que está a fazer para desbloquear esta indústria extremamente promissora?
Bart Biebuyck - Desde 2008 estamos a gerir 263 projetos por cerca de dois mil milhões de euros, dinheiro público e privado. Para nós, o próximo passo é aumentar a escala e para isso vamos concentrar-nos principalmente em tecnologias de fabricação inovadoras.
euronews - Se eu for um empresário ou uma pequena empresa a trabalhar neste setor, qual pode ser a vossa ajuda?"
Bart Biebuyck - Se tiver uma ideia inovadora e ela nos ajudar a alcançar os nossos objetivos, nós podemos financiá-la. Mas talvez, o mais importante, é que pode oferecer uma plataforma única onde poderá entrar em contacto com outras empresas, com o meio académico. E, quem sabe, se um dia está apto para formar uma parceria estratégica.
Bart Biebuyck é o Diretor Executivo da Fuel Cells and Hydrogen Joint Undertaking. Falou com a euronews sobre o trabalho da empresa e sobre a forma como as tecnologias do hidrogénio e as células de combustível vão mudar o futuro.
O que faz a Fuel Cells and Hydrogen Joint Undertaking? Qual é o papel da empresa na revolução do hidrogénio?
A Fuel Cells and Hydrogen Joint Undertaking é uma parceria público-privada que trabalha em conjunto com a indústria, universidades e também com a Comissão Europeia. Juntos estamos a gerir 263 projetos por cerca de dois mil milhões de euros. No futuro, vamos concentrar-nos principalmente nas tecnologias de fabrico, mas também temos de olhar para o trabalho pesado. Temos de olhar, por exemplo, para camiões, comboios e aviões. É uma área recente e sabemos que o hidrogénio tem o potencial, por isso precisamos de explorar esta área.
O que está a ser feito para acelerar o processo? Para construir a infra-estrutura necessária para que o hidrogénio se torne uma realidade?
Durante os últimos 12 anos temos realmente desenvolvido esta tecnologia e agora, desde há dois, três anos, temos demonstrado nas ruas que esta tecnologia funciona. Portanto, o próximo passo é logicamente aumentar a escala. Nos próximos cinco anos, veremos mais destes projetos de demonstração a sair, demonstrações maiores, veremos realmente que a produção em massa vai começar a partir de 2025. Ao mesmo tempo, teremos de começar a construir a nossa infra-estrutura para uma grande distribuição de hidrogénio. Como podemos utilizar os gasodutos de gás natural para o transporte de hidrogénio? O que terá de ser transformado? Nos próximos 10 anos isso vai acontecer. Mas até 2030, tenho a certeza de que estaremos noutro mundo e que o hidrogénio terá um papel fundamental nesta transformação.
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