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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Reparação ambiental é lenta depois de um ano da tragédia de Brumadinho

Pedro Luiz Côrtes diz que dano ambiental é de difícil reparação, pois a lama se sobrepõe ao solo e dificulta o florescimento de vegetação



Jornal da USP - Completando um ano da tragédia de Brumadinho, neste dia 25 de janeiro, ainda há a permanência da devastação. São 249 mortos, 11 corpos não foram encontrados, os prejuízos, humanos e naturais, incontáveis. “O dano ambiental é muito mais persistente do que os danos pessoais, porque, no final, as famílias acabam absorvendo as perdas e a vida segue para aqueles que continuam. Porém, infelizmente, o dano ambiental é de difícil reparação, pois a lama se sobrepõe à camada de solo e dificulta qualquer florescimento de vegetação”, afirma Pedro Luiz Côrtes, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, em entrevista ao Jornal da USP no Ar.

Segundo o especialista, esse desastre evidenciou uma situação muito grave que ocorria em Minas Gerais e em outros Estados, como em duas barragens na zona norte de São Paulo que não possuem plano de contingência ou alarme sonoro para alerta de emergências. “Hoje, a Vale divulga que há uma central de monitoramento de barragens, após os desastres de Mariana e Brumadinho. Um detalhe é que o presidente afastado da empresa (Fábio Schvartsman) assumiu com a fala de ‘Mariana nunca mais’, e aí acontece Brumadinho”, lembra.

Nesta semana, o Ministério Público de Minas denunciou 16 pessoas, entre executivos e funcionários da Vale e consultores da TÜV SÜD. Pedro Côrtes disse que estranhou a demora da denúncia, porque as causas estavam muito evidentes nos relatórios técnicos divulgados. Para ele, o receio era de que se chegasse a uma situação parecida com a tragédia de Mariana, em 2015, quando ninguém foi punido.

Côrtes lembra que o comportamento do governo Bolsonaro, em início de mandato, ficou bastante alheio à situação de Brumadinho, e depois propôs o endurecimento do licenciamento de barragens de rejeito, que acabou sendo aprovado pela Assembleia Legislativa de Minas, com um projeto que já existia. “Mas o que precisa ser feito é fiscalização. Não adianta ter lei se não fiscaliza, porque, depois que a tragédia acontece, você pode até punir os culpados, mas isso não vai fazer com que a situação volte ao que era antes”, declara Pedro Côrtes.

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