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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Trump e Guerra Tarifária contra a UE: Quem sai perdendo?



A possível tarifação de 25% mencionada nesta terça-feira (26) pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para produtos importados da União Europeia é relevante para ambas economias. O comércio entre EUA e UE corresponde entre 18 e 21% do comércio total de bens de ambos os países. Olhando isoladamente cada "player" e considerando apenas os aspectos econômicos das medidas, teríamos o seguinte cenário:

 

Para os Estados Unidos, o impacto de curto prazo que se espera é uma maior arrecadação tarifária (U$ 130 ~ 140 bilhões no ano) mas que pode ser facilmente ofuscada por custos indiretos como uma maior inflação e perda de competitividade (redução na demanda por bens americanos). Tendo como base estudos sobre tarifas passadas, a nova tarifação pode pressionar a inflação em até 0,6 p.p.. Isso levaria a inflação americana para algo em torno de 3,1%, acima da meta de 2%. Consequentemente, pode levar o Federal Reserve a manter os juros em um patamar mais elevado, desacelerando a economia como um todo. Somando o aumento de custo para as indústrias americanas, retaliações da UE e outros atritos gerados pela medida, é plausível assumir um impacto de 0,5 p.p. no GDP (PIB) americano, algo em torno de U$ 140 bilhões. Já suficiente para ofuscar a receita tarifária.
 

Para a UE, o impacto inicial seria uma redução nas exportações, afetando diretamente o PIB e o mercado de trabalho. Com base em estudos passados, a redução nas exportações poderia chegar a 15%, representando em torno de 0,4% do PIB da União Européia e entre 300 a 400 mil empregos. Esse impacto seria sentido mais em regiões industriais, como é o caso da Alemanha que representa 30% das exportações da UE para os Estados Unidos (indústria automotiva e de maquinaria).
 

Uma provável resposta da União Européia seria uma tarifação proporcional, como já mencionou a atual presidente da Comissão Europeia. Uma tarifação entre 20 e 30% em todas as importações de produtos americanos levaria a uma perda de 0,3% do PIB americano e algo em torno de 150 mil empregos.

É difícil estimar o impacto global dessas tarifas neste momento, pois haveria um rearranjo de toda a dinâmica comercial do mundo. É provável que haja uma desaceleração global do comércio em um primeiro momento, mas países que conseguirem absorver os redirecionamentos de demanda serão beneficiados. Esses países costumam possuir elevada produção em um setor específico, mão de obra barata e boas relações diplomáticas com o restante do mundo. O Brasil pode ser um bom candidato. Mas ainda é cedo para dizer que o cenário seria positivo para nós, pois a redução na atividade econômica global afeta negativamente o preço de commodities, que são essenciais para nossa economia.



Marcos Hanna é economista na empresa de investimentos Armada Asset

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