Murillo Torelli, docente de Ciências Contábeis da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM)
Nesta sexta-feira, 23 de maio de 2025, a partir das 10 horas, a Receita Federal libera a consulta ao primeiro lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Com ela, vem também a expectativa de mais de 6,2 milhões de contribuintes ansiosos para verificar se têm direito a receber de volta parte do imposto pago ao longo do ano passado. Como professor de contabilidade e líder do NAF Mackenzie, vejo nesta restituição não apenas um alívio no fluxo de caixa dos contribuintes, mas também uma oportunidade para pensarmos estrategicamente no uso desse recurso.
Para saber se a restituição já caiu na conta, basta acessar o site da Receita Federal, clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, em “Consultar a Restituição”. Quem preferir pode usar o aplicativo oficial da Receita Federal, disponível para tablets e smartphones, que oferece consulta direta às bases da Receita, incluindo situação cadastral de CPF. Caso encontre alguma pendência, por exemplo, divergências nos valores informados, ainda é possível retificar a declaração antes do crédito, evitando surpresas desagradáveis.
O crédito bancário será efetivado ao longo do dia 30 de maio de 2025, perfazendo um total de R$ 11 bilhões. Deste montante, R$ 7,8 bilhões serão destinados aos contribuintes com prioridade legal: idosos com mais de 80 anos, pessoas entre 60 e 79 anos, portadores de deficiência física, mental ou moléstia grave, além de professores cuja principal fonte de renda seja o magistério. Outro destaque fica por conta dos contribuintes que optaram pela declaração pré-preenchida e escolheram receber via PIX: 2,37 milhões de brasileiros terão suas restituições antecipadas graças a essa facilidade.
O que fazer com esse dinheiro?
- Pagar contas atrasadas: Antes de qualquer coisa, faça um levantamento rápido das dívidas com juros mais altos — cartão de crédito, cheque especial e mesmo algumas parcelas de financiamento imobiliário costumam cobrar taxas elevadas. Usar a restituição para regularizar esses débitos é um passo inteligente para reduzir o peso dos juros compostos no seu orçamento.
- Constituir ou reforçar o fundo de emergência: Se você ainda não tem um colchão financeiro reservado para imprevistos, considere destinar parte (ou toda) a um fundo de emergência equivalente a, pelo menos, três meses de suas despesas correntes. Aplicações de liquidez diária, como Tesouro Selic ou CDBs com liquidez imediata, são indicadas para que o dinheiro esteja disponível assim que necessário.
- Investir com objetivo e horizonte definidos: Com as contas em dia e o fundo de emergência montado, é hora de pensar em estratégias de investimento de médio e longo prazo. Para quem busca segurança, o Tesouro Direto (especialmente Tesouro IPCA+ ou Tesouro Prefixado, dependendo da sua expectativa de inflação e da taxa básica de juros) continua sendo uma opção sólida. Já para quem admite um pouco mais de volatilidade em busca de retornos maiores, fundos multimercado ou uma carteira diversificada de ações, sempre observando o perfil de risco, podem compor o portfólio.
- Planejar melhorias pessoais ou profissionais: Por fim, lembre-se de investir em você: cursos de atualização, certificações profissionais ou mesmo um projeto pessoal. como a compra de um bom notebook, assinatura de plataformas de educação ou viagem de estudos, podem trazer retornos intangíveis que superam, em muito, a rentabilidade financeira.
Receber a restituição do IRPF é, sem dúvida, um alívio financeiro, mas também uma responsabilidade. Aproveite esse momento para colocar suas finanças nos trilhos, eliminar gastos supérfluos e construir um futuro mais sólido. Como professor de contabilidade e líder do NAF Mackenzie, reforço: dinheiro parado ou mal aplicado é oportunidade perdida. Planeje-se, pesquise aplicações, e transforme sua restituição em um degrau para sua independência financeira.


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