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segunda-feira, 23 de junho de 2025

A mente por trás do palpite: os mecanismos psicológicos que moldam o comportamento dos apostadores

Cientista de dados Ricardo Santos revela como impulsos emocionais, recompensas imediatas e ilusões de controle desafiam a racionalidade nas apostas esportivas

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil


Com o avanço das plataformas online e a regulamentação em curso, o mercado de apostas esportivas no Brasil segue em crescimento acelerado. Em 2025, o volume movimentado deve ultrapassar R$100 bilhões, segundo estimativas do setor. No entanto, por trás desse número, está um elemento pouco explorado, mas crucial para entender o funcionamento desse ecossistema: a psicologia do apostador.

“A maioria das decisões não é racional. São impulsos moldados por recompensas rápidas, ilusões de controle e, muitas vezes, uma falsa sensação de domínio sobre o imprevisível”, afirma Ricardo Santos, cientista de dados e fundador da Fulltrader Sports, empresa referência em análise estatística para apostas esportivas.

O especialista estuda o comportamento do apostador há mais de uma década e alerta que o uso incorreto de dados ou a ausência total de planejamento é um caminho frequente para perdas expressivas. “Muitos apostadores buscam validação imediata, o que os leva a repetir padrões de risco elevados. Isso é reforçado por uma arquitetura digital que estimula a ação constante, como bônus-relâmpago ou odds dinâmicas exibidas em tempo real”, explica.

Segundo o fundador da Fulltrader Sports, três fenômenos psicológicos são recorrentes nesse cenário: o viés da recompensa imediata, a ilusão de controle e a impulsividade. Apostadores tendem a superestimar vitórias passadas e ignorar as perdas, um comportamento típico de sistemas de reforço intermitente já documentado em estudos da área de psicologia comportamental.

Sem contar que o excesso de informações disponíveis nas plataformas digitais cria a sensação de que é possível prever resultados com exatidão. “O apostador vê uma série de gráficos, estatísticas e recomendações e acredita que está no controle. Mas o esporte é, por natureza, imprevisível. A informação deve servir para apoiar decisões, não para mascarar a aleatoriedade dos eventos”, reforça.

A Fulltrader investe em ferramentas que não apenas auxiliam nas decisões técnicas, mas também estimulam o comportamento disciplinado. Entre os recursos estão simuladores de risco, controle de banca e conteúdos educativos voltados à formação de apostadores mais conscientes. 

A conscientização também passa pela educação emocional. Em treinamentos realizados na Arena Fulltrader, em São José dos Campos (SP), Ricardo tem promovido encontros que discutem não só as estatísticas, mas também os aspectos psicológicos que impactam a performance. A recomendação dos especialistas é clara: apostar deve ser uma atividade recreativa, com limites bem definidos e consciência dos riscos. “O mercado é legítimo, mas precisa de apostadores preparados. Quando se aposta com emoção, perde-se a lógica — e isso, em qualquer setor, é uma combinação perigosa”, conclui Ricardo.

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