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quinta-feira, 24 de julho de 2025

O problema chamado Centrão: seletivamente organizado, fisiológico e dominante

Para o cientista político Elias Tavares, o Centrão é hoje o maior obstáculo à estabilidade institucional no país.

Agência Câmara


O cientista político Elias Tavares, um dos nomes mais ativos na análise do Congresso Nacional, afirma que o Centrão se consolidou como o problema estrutural mais grave da política brasileira.
 
Segundo ele, os últimos acontecimentos na Câmara dos Deputados revelam o que há de mais complexo nessa engrenagem:

O Centrão não é um bloco desorganizado ele é altamente funcional quando quer. Atua com precisão cirúrgica para eleger presidentes da Câmara, derrubar medidas do Executivo ou aprovar pautas de interesse próprio.

Mas se desfaz em silêncio quando o momento exige posicionamento político claro, especialmente em cenários polarizados como o atual.
 
“Na hora de proteger espaço, o Centrão se articula rápido. Mas quando a disputa envolve Lula, Bolsonaro ou qualquer cenário de definição ideológica, o Centrão mostra o que sempre foi: o Centrão. Nem governo, nem oposição. Apenas poder.”
 
O caso recente envolvendo o presidente da Câmara, Hugo Motta, ilustra isso. Mesmo eleito com apoio do próprio Centrão, ele vetou o funcionamento das comissões durante o recesso, esvaziando manifestações de apoio a Jair Bolsonaro.

“Nem entre os próprios membros houve sintonia nesse episódio. Cada ala respondeu a um interesse distinto e, mais uma vez, o silêncio institucional falou mais alto que qualquer gesto público.”
 
Outro ponto crítico, segundo Elias, é a forma como o Centrão passou a ditar os investimentos públicos por meio das emendas parlamentares.

“Hoje, é o Congresso mais do que o Executivo quem decide para onde vão os recursos do país. E isso, em geral, ocorre sem qualquer lógica estratégica de desenvolvimento nacional. A prioridade é eleitoral, não republicana.”
 
Essa lógica tem gerado um sistema de desequilíbrio entre os Poderes, em que o Executivo é refém, o Judiciário é instado a intervir, e o Legislativo se move com base em interesses paroquiais.
 
O Centrão ocupa o centro do poder, mas também é o epicentro do desequilíbrio institucional que o Brasil vive.

É preciso encarar esse modelo com coragem e promover reformas que devolvam racionalidade ao sistema político.

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