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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Operação no Rio amplia polarização e recoloca segurança no centro da política brasileira



A megaoperação policial realizada nesta semana nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, tornou-se um marco político. Para o cientista político Elias Tavares, o episódio recolocou a segurança pública como prioridade absoluta no debate nacional — e abriu, na prática, a disputa eleitoral de 2026.

Segundo Tavares, as reações que vieram em seguida evidenciam que o tema ultrapassou a esfera administrativa:

“A operação não foi apenas policial — foi um fato político. E todos correram para marcar posição.”

O governador Cláudio Castro, ao afirmar que o estado atuou praticamente sozinho, inaugurou uma narrativa de confronto com o governo federal; enquanto figuras do governo Lula, como a ministra Gleisi Hoffmann, associaram a crise à urgência de aprovar a PEC da Segurança Pública, transformando a tragédia em argumento legislativo.

No campo progressista, críticas ao modelo repressivo ecoaram com força. Tavares lembra a frase recente do ministro Guilherme Boulos — “o problema não é o barraco, é a Faria Lima” — como símbolo da disputa ideológica sobre causas e soluções para a violência urbana.

Para o analista, tudo isso reforça que a pauta conservadora da segurança voltou ao topo:

“Mais do que discutir anistia ou memória recente, o eleitor quer viver. O medo é o maior cabo eleitoral do Brasil.”

Tavares destaca que a população está cansada da sensação de abandono pelo Estado. E interpreta a operação sob um duplo prisma:

“Se há uma guerra em curso, o cidadão espera que o governo atue com firmeza. Mas o simples fato de chegarmos ao ponto de operações tão letais é o maior sinal de que as políticas públicas falharam ao longo de décadas.”

Ele avalia que o governador Cláudio Castro sai fortalecido politicamente neste primeiro momento — especialmente por já mirar uma nova etapa de sua carreira, como o Senado:

“Castro assume o protagonismo e apresenta resultado imediato à sua base. Se o controle do território avançar, ele entra em 2026 maior do que está hoje.”


Conclusão do analista

“A operação abriu a temporada eleitoral. A partir de agora, segurança pública será a régua pela qual todos os pré-candidatos serão medidos.”

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