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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Dados globais e brasileiros reforçam alerta para o câncer de pele, prevenção contínua e novas tecnologias no diagnóstico

Aumento global da radiação UV eleva risco de melanoma, enquanto câncer de pele segue como um dos mais frequente no Brasil




Um estudo global publicado esse ano na Scientific Reports sugere que o aumento da radiação ultravioleta (UV), associado a mudanças climáticas e alterações atmosféricas, estaria diretamente ligado ao crescimento da incidência de melanoma em diferentes regiões do mundo. Entre 1990 e 2021, os níveis medianos de radiação UV aumentaram globalmente, acompanhados por uma elevação expressiva dos casos desse tipo de câncer — o mais agressivo da pele e responsável por cerca de 75% das mortes relacionadas a tumores cutâneos, apesar de representar apenas 5% dos diagnósticos. Em 2020, mais de 325 mil novos casos de melanoma foram registrados no mundo, com crescimento mais acentuado na Europa, no Norte da África e no Oriente Médio, onde a associação entre maior exposição à radiação UV e incidência da doença se mostrou estatisticamente significativa¹.

No Brasil, embora o melanoma represente uma parcela menor dos diagnósticos, o câncer de pele permanece como o câncer mais incidentes no país. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam cerca de 220 mil novos casos anuais de câncer de pele não melanoma, além de aproximadamente 9 mil novos casos de melanoma por ano². “Esse volume expressivo reforça a importância da prevenção, da atenção aos sinais precoces e do uso de métodos diagnósticos cada vez mais precisos, especialmente em um contexto de exposição solar acumulada ao longo da vida”, afirma Luísa Juliatto Molina Tinoco, dermatologista do Alta Diagnósticos, da Dasa. “Compreender os diferentes tipos de câncer de pele, seus fatores de risco e as ferramentas disponíveis para diagnóstico é essencial para reduzir impactos e melhorar os desfechos clínicos”, completa.

Câncer de pele: causas, sinais e prevenção

O câncer de pele ocorre quando há um crescimento anormal e descontrolado das células cutâneas, frequentemente relacionado à exposição inadequada à radiação ultravioleta. Essa condição pode se manifestar desde lesões de baixo risco até tumores altamente agressivos, como o melanoma.

Entre os principais tipos, o carcinoma basocelular (CBC) é o mais comum e apresenta baixo potencial de malignidade. Costuma surgir em áreas mais expostas ao sol, como rosto, pescoço e ombros, geralmente na forma de lesões brilhantes ou feridas que não cicatrizam. Já o carcinoma espinocelular (CEC), o segundo mais frequente, é mais agressivo e pode invadir tecidos profundos, aparecendo como feridas persistentes ou lesões com aspecto verrucoso. O melanoma, embora menos comum, é o mais grave, devido ao maior potencial de metástase, e costuma surgir como manchas escuras irregulares com mudanças e que podem também coçar ou sangrar.

Feridas na pele ou pintas diferentes do restante do corpo costumam ser os primeiros sinais de alerta. Para auxiliar na identificação de lesões suspeitas, dermatologistas sugerem o uso da Regra do ABCDE, que avalia assimetria, bordas irregulares, variações de cor, diâmetro superior a 6 mm e evolução da lesão ao longo do tempo. Sintomas como coceira, sangramento ou inflamação também exigem avaliação médica imediata.

“A boa notícia é que o câncer de pele pode ser amplamente prevenido”, reforça Luísa Juliatto. O uso diário de protetor solar com FPS 30 ou superior, a reaplicação adequada, evitar o sol nos horários de maior intensidade — entre 10h e 16h —, o uso de roupas e acessórios com proteção UV e a não utilização de bronzeamento artificial, proibido no Brasil, são medidas fundamentais para reduzir o risco da doença. “Consultas regulares com dermatologistas também desempenham papel central na detecção precoce, permitindo o acompanhamento de lesões ao longo do tempo e aumentando significativamente as chances de diagnóstico precoce”, alerta.

Exames para detecção e a potência da alta frequência no diagnóstico dermatológico

Nesse contexto, o acompanhamento clínico é potencializado pelo acesso a exames especializados e tecnologias de imagem cada vez mais precisas. Núcleos Especializados em Dermatologia, como o do Alta Diagnósticos da Vila Olímpia, em São Paulo, oferecem um conjunto de exames avançados voltados à detecção e ao monitoramento do câncer de pele. Entre eles estão a dermatoscopia, que possibilita a visualização detalhada das camadas cutâneas; a tricoscopia, voltada à avaliação do couro cabeludo e dos fios; o mapeamento de nevos, que documenta fotograficamente as pintas para análise evolutiva; e o ultrassom da pele, utilizado para avaliar camadas mais profundas e identificar nódulos, tumores e processos inflamatórios.

Os avanços tecnológicos têm ampliado ainda mais a precisão desse cuidado. A ultrassonografia dermatológica de alta frequência (UAHF) permite uma análise aprofundada das estruturas da pele, contribuindo tanto para o diagnóstico quanto para o planejamento terapêutico. Um estudo técnico conduzido pela Dasa Educa, braço de educação científica da Dasa — líder em medicina diagnóstica no Brasil — demonstrou a relevância da UAHF especialmente na avaliação de lesões complexas. A técnica utiliza transdutores de até 50 MHz, capazes de gerar imagens detalhadas da epiderme, derme e tecidos subcutâneos de forma não invasiva³.

Entre os principais benefícios estão a avaliação da profundidade de invasão tumoral, a análise de linfonodos para detecção precoce de metástases e o acompanhamento de doenças inflamatórias, como psoríase e hidradenite. A tecnologia também contribui para o planejamento cirúrgico, permitindo delimitar margens mais seguras para intervenções. “A ultrassonografia de alta frequência complementa o diagnóstico dermatológico, oferecendo uma avaliação precisa e não invasiva das estruturas cutâneas”, explica a Dra. Luísa. Segundo a Dra. Clarissa Canella, radiologista da clínica CDPI, “o uso da técnica é ainda mais eficaz quando associado a protocolos padronizados e treinamento especializado”.

Embora o câncer de pele esteja fortemente associado à exposição solar e à predisposição genética, os avanços diagnósticos vêm transformando o cuidado com a doença. O Dezembro Laranja reforça a importância da detecção precoce, que segue sendo a principal estratégia para garantir melhores desfechos. A combinação entre prevenção e inovação tecnológica amplia a segurança, a precisão e a qualidade do cuidado oferecido aos pacientes.


Referências                                                   

  1. FENG, Fengliu et al. Global assessment of surface ultraviolet radiation and malignant skin melanoma incidence from 1990 to 2021. Scientific Reports, v. 15, art. 39300, 10 nov. 2025. DOI: 10.1038/s41598-025-23066-z. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41598-025-23066-z
  2. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2023–2025: Incidência de Câncer no Brasil. Revista Brasileira de Cancerologia. https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/3700

3.Tinoco, L.J.M.; Canella, C. Ultrassonografia de alta frequência na dermatologia (Dasa Educa, 2025). https://dasaeducaeventos.com.br/biblioteca-cientifica/artigos/ultrassonografia-de-alta-frequencia-na-dermatologia-aplicacoes-do-metodo-e-importancia-da-qualidade-do-servico-de-imagem

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