Matemática para presidente do Brasil! - Blog A CRÍTICA

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sábado, 20 de dezembro de 2025

Matemática para presidente do Brasil!



Li, num desses jornais de economia que ninguém lê inteiro — porque a economia, como a consciência, só interessa até certo ponto —, que nas economias desenvolvidas a matemática responde por mais de 16% do PIB. No Brasil, esse número encolhe para modestos 2,2%. A princípio, culpei a vírgula. Depois, culpei o país.


Foi então que me ocorreu por que os filósofos antigos, esses senhores de barba respeitável e paciência infinita, eram notórios matemáticos. A matemática, ao contrário da política, não admite discurso; ao contrário da moral, não se curva; e ao contrário da retórica, não persuade: demonstra. É a ciência perfeita, o suprassumo da sabedoria, a única que não se deixa iludir por adjetivos.


Ninguém chega ao topo da reflexão intelectual sem dominar o raciocínio matemático — eis uma verdade que não precisa de nota de rodapé. Platão sabia disso; Aristóteles também. Já os filósofos contemporâneos, com honrosas exceções — cito Cornelius Castoriadis para não parecer cruel —, desconhecem a matemática como quem evita um parente constrangedor nas festas de família.


O Brasil, sejamos francos, não sabe matemática. Sempre preferiu a palavra ao número, a eloquência à exatidão. Bacharéis em Direito — e aqui falo da classe com o carinho de quem já a frequentou — julgam-se inteligentes por arranhar os clássicos das humanidades, como se folhear Kant fosse equivalente a resolver uma equação do segundo grau. Não é.


Cheguei então a uma conclusão desconfortável: talvez as pessoas mais inteligentes do Brasil sejam os golpistas da internet. Sim, esses mesmos. Detêm uma capacidade de raciocínio, planejamento e ação digna de admiração — não fosse o detalhe incômodo da ética, sempre ela, essa velha senhora esquecida no canto da sala brasileira.


Some-se a isso nossa conhecida deficiência moral crônica, e eis o resultado: mentes brilhantes aplicadas à trapaça, à fraude e ao estelionato. Não por falta de talento, mas por excesso de incentivo errado.


Não há outra solução, pensei, enquanto fechava o jornal e abria a realidade: matemática para presidente do Brasil. Não precisa discursar, prometer ou sorrir. Basta calcular.


E, quem sabe, demonstrar.


Não há outra! Matemática para presidente do Brasil!

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