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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

O fim da âncora cambial e a mudança definitiva na forma como o mercado precifica o real

"O real passou a conviver com um prêmio de risco mais alto, e o mercado já trabalha com essa realidade no médio e longo prazo. A lógica antiga, em que commodities e juros elevados garantiam uma âncora cambial clara, não se sustenta mais em uma economia cada vez mais digital e orientada à inovação", Antonio Patrus, Diretor da Bossa Invest

 

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 “O dólar acima de R$ 5,00 sinaliza que o Brasil entrou em uma fase diferente de precificação de risco. O mercado passou a olhar menos para estímulos cíclicos e mais para fundamentos de longo prazo, como produtividade, governança e sustentabilidade fiscal. Isso faz com que o real seja precificado de forma mais cautelosa. A âncora cambial baseada em ciclos anteriores perdeu relevância, e o câmbio se tornou mais sensível a qualquer mudança no cenário externo ou doméstico. Para o crédito estruturado, esse ambiente exige soluções sob medida, com foco em proteção, eficiência e leitura precisa de risco”, Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX


“O nível atual do dólar reflete uma mudança estrutural na forma como o investidor global avalia mercados emergentes. O real passou a conviver com um prêmio de risco mais alto, e o mercado já trabalha com essa realidade no médio e longo prazo. A lógica antiga, em que commodities e juros elevados garantiam uma âncora cambial clara, não se sustenta mais em uma economia cada vez mais digital e orientada à inovação. Para startups e investidores, o câmbio elevado deixou de ser exceção e passou a ser parte do contexto estratégico, reforçando a importância de modelos escaláveis, eficientes e preparados para volatilidade”, Antonio Patrus, Diretor da Bossa Invest

“O dólar não encontra um piso próximo de R$ 5,00 porque o mercado global está mais avesso a risco. O real passou a responder menos a commodities e mais a fatores como política fiscal, percepção de risco e decisões do FED. Há uma precificação clara de um real estruturalmente mais fraco no médio prazo. O país ficou mais sensível a choques externos, como mudanças na política monetária americana, desaceleração da China ou queda no apetite por mercados emergentes. No cenário doméstico, qualquer sinal de descontrole fiscal ou ruído político amplia essa pressão e pode levar o câmbio a novos patamares”, Leandro Turaça, sócio-gestor da Ouro Preto Investimentos.


O dólar encontra dificuldade para se manter abaixo de cinco reais porque o cenário estrutural do Brasil mudou. Mesmo com juros elevados e momentos favoráveis no ciclo de commodities, o mercado passou a exigir um prêmio maior para manter posição em ativos locais. A percepção de risco fiscal mais elevada e a menor previsibilidade de política econômica limitam a força do real, fazendo com que qualquer alívio no câmbio seja visto como temporário. Hoje, o mercado já trabalha com a ideia de um real estruturalmente mais fraco no médio e longo prazo. Isso não significa uma trajetória de desvalorização contínua, mas sim um patamar mais alto de equilíbrio para o dólar. O investidor precifica maior volatilidade e menor capacidade de o país sustentar câmbios apreciados por longos períodos, mesmo em ambientes de juros elevados. Em ciclos anteriores, o Brasil contava com uma âncora cambial mais clara, sustentada por superciclos de commodities, forte entrada de capital estrangeiro e maior disciplina fiscal. Esse conjunto de fatores ajudava a manter o real apreciado por mais tempo. Hoje, essa âncora está mais frágil. O fluxo de capital é mais seletivo, a poupança doméstica é limitada e o risco fiscal pesa mais na formação do câmbio. Olhando à frente, existem riscos relevantes que podem pressionar ainda mais o dólar. No cenário externo, juros elevados nos Estados Unidos por mais tempo, desaceleração global ou aumento de tensões geopolíticas tendem a fortalecer a moeda americana. No plano doméstico, qualquer deterioração fiscal, ruído institucional ou perda de credibilidade na política econômica pode acelerar movimentos de saída de capital. Por isso, o câmbio segue como uma variável sensível, refletindo não apenas fundamentos de curto prazo, mas principalmente a confiança do mercado na trajetória do país”, André Matos, CEO da MA7 Negócios


“A resistência do dólar em cair abaixo de R$ 5,00 reflete uma mudança de percepção sobre o Brasil como destino de capital. O mercado já trabalha com a ideia de um real estruturalmente mais fraco porque enxerga menos previsibilidade institucional e menor capacidade de crescimento sustentável. Em ciclos passados, o país se beneficiava de um cenário externo favorável e de juros altos que atraíam capital. Hoje, isso não basta. Para quem investe em startups e empresas, o câmbio alto virou parte do planejamento estratégico, não uma exceção. Riscos fiscais, instabilidade política e um cenário global mais restritivo fazem com que o investidor exija prêmio maior, e isso se traduz diretamente no dólar”, João Kepler, CEO da Equity Group


“O câmbio acima de R$ 5,00 deixou de ser um fenômeno conjuntural e passou a refletir fundamentos. O mercado já precifica um real estruturalmente mais depreciado porque entende que o Brasil perdeu parte da âncora cambial que existia quando commodities e juros elevados geravam confiança automática. Hoje, mesmo com Selic alta, o risco fiscal e a incerteza sobre a trajetória da dívida limitam a entrada de capital de longo prazo. Para o mercado de crédito estruturado e FIDCs, isso significa maior cautela, spreads mais elevados e estruturas mais defensivas. Qualquer deterioração externa ou doméstica tende a pressionar ainda mais o câmbio”, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos


“O dólar encontra dificuldade para se sustentar abaixo de R$ 5,00 porque o mercado global opera hoje com mais cautela e exige previsibilidade maior das economias emergentes. No caso do Brasil, o câmbio reflete um processo de ajuste estrutural, em que fatores domésticos e externos se combinam. O mercado já trabalha com a ideia de um real estruturalmente mais equilibrado em patamares mais altos, não por fragilidade, mas porque o país passou a conviver com juros elevados por mais tempo e com uma economia que cresce de forma mais gradual. Diferente de ciclos anteriores, a âncora cambial não depende apenas de commodities ou diferencial de juros, mas de consistência macroeconômica ao longo do tempo. Olhando à frente, o câmbio seguirá sensível a decisões de política monetária global e ao ritmo de crescimento interno, mas dentro de um contexto de ajuste, não de ruptura”, Pedro Ros, CEO da Referência Capital


“A resistência do dólar em cair abaixo de R$ 5,00 está ligada à leitura de risco e ao custo do capital no Brasil. O mercado precifica hoje um real estruturalmente mais pressionado porque entende que o crédito ficou mais seletivo e que a economia exige estruturas mais sofisticadas de financiamento. A âncora cambial dos ciclos anteriores, baseada em commodities fortes e juros elevados, perdeu eficiência num ambiente em que spreads estão mais ajustados e o capital busca previsibilidade. Para o crédito estruturado, isso significa operar com mais disciplina, análise de risco mais profunda e estruturas que protejam contra volatilidade. No médio prazo, qualquer choque externo ou mudança relevante no cenário macro tende a se refletir rapidamente no câmbio, reforçando a importância de modelos financeiros mais robustos”, Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital


“O dólar acima de R$ 5,00 reflete uma mudança estrutural na forma como o mercado global enxerga risco e retorno. O investidor já precifica um real mais fraco no médio e longo prazo porque o ambiente internacional está menos tolerante a volatilidade e mais focado em ativos considerados seguros. O Brasil, como outros emergentes, sente esse efeito mesmo quando os fundamentos internos melhoram. A âncora cambial do passado, baseada em ciclos de commodities e juros elevados, hoje divide espaço com fatores como política monetária americana, liquidez global e comportamento dos investidores institucionais. Para quem pensa em investimentos de longo prazo e mercado de capitais, isso reforça a importância de diversificação, educação financeira e estratégias que não dependam exclusivamente de movimentos pontuais do câmbio”, Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação 


“O patamar do dólar acima de R$ 5,00 reflete uma reprecificação mais ampla do risco Brasil. O mercado passou a trabalhar com um prêmio estrutural maior para a moeda, o que indica que o real é visto como mais vulnerável no médio e longo prazo. A combinação entre volatilidade externa e incertezas domésticas reduziu a eficácia da âncora cambial que existia em ciclos anteriores, quando commodities e juros elevados sustentavam o câmbio. Para o mercado de FIDCs e crédito estruturado, isso reforça a necessidade de operações mais bem calibradas, com garantias sólidas e retorno compatível com o risco, já que qualquer choque tende a se traduzir rapidamente em pressão cambial”, Gustavo Assis, CEO da Asset Bank

 “O comportamento do câmbio hoje está muito mais ligado à leitura de previsibilidade do que a movimentos pontuais de fluxo. O mercado já incorpora a ideia de um real operando em patamares mais altos de forma estrutural, diante de um cenário global mais restritivo e de um ambiente doméstico que exige disciplina contínua. A âncora cambial do passado perdeu força porque juros altos e commodities não são mais suficientes para sustentar a moeda sozinhos. Nesse contexto, empresas precisam se adaptar a um câmbio mais volátil, buscando soluções de crédito que tragam eficiência, previsibilidade de custo e proteção financeira”, Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue

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