O cenário climático para o início de 2026 aponta para mudanças significativas no Brasil. Após um período sob influência do fenômeno La Niña, o Oceano Pacífico equatorial dá sinais de um aquecimento gradual, indicando uma transição para o El Niño que pode trazer sérios impactos ao Semiárido nordestino.
Mudança no Pacífico: O Fim do La Niña
O atual evento de La Niña fraco, caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico, deve persistir até março de 2026. No entanto, monitoramentos recentes mostram que as anomalias de temperatura começaram a subir.
Aquecimento Subsuperficial: Uma grande massa de água quente foi detectada entre 100 e 250 metros de profundidade no oeste do Pacífico.
Projeção: Segundo o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF), o El Niño pode se estabelecer no inverno de 2026 (junho a agosto), com intensidade moderada e potencial de durar até o verão de 2027.
Impactos no Nordeste e Semiárido
Para o meteorologista Humberto Barbosa, fundador do Laboratório Lápis, a transição criará anomalias incomuns. O principal temor é a redução drástica de chuvas na "quadra chuvosa" do Nordeste.
Calor e Seca: A previsão indica chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal, especialmente na porção norte da região.
Evapotranspiração: Espera-se uma grande perda de água nos reservatórios e solo devido ao calor intenso no início de 2026.
Situação Atual: Dados de satélite (NDVI) já mostram que quase todo o Semiárido enfrenta impactos intensos da seca sobre a vegetação, com situação crítica no Nordeste Setentrional, norte da Bahia e leste do Piauí.
"As atuais condições oceânicas indicam um cenário parecido com 2023-2024, com os primeiros meses da quadra chuvosa mais quentes e secos", alerta Barbosa.
O Fator Mudança Climática
Uma tendência preocupante observada nas últimas décadas é que os eventos de La Niña estão "mais quentes" do que nos anos 1980. Atualmente, mesmo em anos de fase fria, o oceano tem liberado calor retido para a atmosfera, elevando as temperaturas globais. Vale lembrar que 2024 foi o ano mais quente da história, impulsionado por um El Niño intenso.
Outras Regiões do Brasil
Historicamente, o estabelecimento do El Niño altera o regime de chuvas em todo o país:
Norte e Centro-Oeste: Tendência de secas severas e altas temperaturas.
Sul: Risco de chuvas intensas, prejuízos agrícolas e danos à infraestrutura.
Embora sistemas como os Vórtices Ciclônicos em Altos Níveis (VCAN's) possam trazer chuvas eventuais ao Nordeste, sua previsão é difícil e eles já apresentam atraso na atual pré-estação.
Informações: Letras Ambientais


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