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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

AVC mata uma pessoa a cada 15 minutos em janeiro

Somente na primeira semana, doença vitimou 656 brasileiros; apesar de ser mais comum em idosos, o problema tem atingido cada vez mais jovens e Rede Brasil AVC faz alerta para a prevenção



O Acidente Vascular Cerebral (AVC) permanece como uma das principais causas de morte no Brasil. Entre os dias 1º e 7 de janeiro de 2026, 656 brasileiros morreram em decorrência de AVC, segundo dados do Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil do Brasil. O número equivale a uma morte a cada 15 minutos e é 27% superior ao registro de mortes por infarto no período (516).

 

Em 2025, dados até 1º de outubro mostravam que o AVC vitimou 64.471 pessoas. Em todo o ano de 2024, foram 85.793 mortes pela doença, número maior ao de óbitos por infarto, que somaram 78.256. Em 2023, foram 85.292 mortes por AVC, novamente acima das mortes por infarto, que chegaram a 77.706.

 

O Acidente Vascular Cerebral ocorre quando há interrupção ou redução do fluxo sanguíneo para o cérebro, impedindo que as células cerebrais recebam oxigênio e nutrientes. Existem dois tipos principais da doença. O AVC isquêmico, responsável por cerca de 80% a 85% dos casos, acontece quando um vaso sanguíneo é obstruído por um coágulo. Já o AVC hemorrágico ocorre quando há o rompimento de um vaso cerebral, provocando sangramento no cérebro.

 

Entre os sinais de alerta mais comuns estão fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo; confusão mental, alteração da fala ou compreensão; alteração na visão, no equilíbrio, na coordenação, no andar, tontura e dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente.

 

Ao suspeitar que alguém esteja tendo um AVC, é aconselhável pedir à pessoa para sorrir, observando se um lado do rosto permanece imóvel. Verifique também se ela consegue levantar ambos os braços para avaliar se um lado está mais fraco; e solicite que fale uma frase simples (“o céu é azul”) e verifique se apresenta a fala enrolada. “Ao perceber um desses sinais, o Samu (192) precisa ser imediatamente acionado “, ressalta a neurologista e pesquisadora Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC. O tempo de chegada ao hospital é decisivo para reduzir danos e salvar vidas.

 

Sequelas

 

De acordo com a especialista, as sequelas mais comuns após um AVC incluem perda de força, geralmente em um lado do corpo, podendo atingir o rosto, o braço e a perna, além de dificuldades na fala e na compreensão. “Pode acometer o rosto, deixando a boca torta, o braço fraco e a perna fraca. Também são frequentes a fala enrolada, a falta de palavras e a dificuldade para compreender a fala”, explica. Segundo a médica, também podem ocorrer tontura com sensação rotatória, desequilíbrio, dificuldade para caminhar, alterações na visão em um ou nos dois olhos, perda de memória, dificuldade para reconhecer familiares ou tomar decisões no dia a dia, além de dormência em metade do corpo.

 

Dra. Sheila destaca que as sequelas dependem principalmente da região do cérebro afetada. “Os déficits vão depender muito mais da área do cérebro comprometida do que do tipo de AVC. Tanto no AVC isquêmico quanto no hemorrágico, é a localização da lesão que define o tipo de déficit”, afirma. A dor de cabeça intensa pode ocorrer na fase inicial, especialmente no AVC hemorrágico, mas, segundo a neurologista, trata-se de um sintoma da fase aguda, não de uma sequela permanente.

 

Recuperação

 

A presidente da Rede Brasil AVC ressalta que a rapidez no atendimento é determinante para a recuperação. “Se a pessoa chega rápido ao hospital e recebe o tratamento adequado, como a trombólise intravenosa ou a trombectomia nos casos mais graves, a chance de ficar com poucas sequelas ou até nenhuma é muito maior. Chegar rápido faz toda a diferença”, enfatiza.

 

Segundo a neurologista, os déficits motores, de fala e de memória podem melhorar com o tempo ou se tornar permanentes. “Não há como prever com certeza. A maior chance de esses déficits serem definitivos ocorre quando o paciente não recebe tratamento adequado na fase de urgência”, alerta.

 

Nos casos de AVC isquêmico, ela explica que os primeiros três meses costumam ser decisivos para a recuperação, enquanto em casos de AVC hemorrágico ou isquêmico grave a evolução pode levar até seis meses para ser melhor avaliada. Ainda assim, com reabilitação adequada, muitos pacientes continuam apresentando melhora mesmo após esse período.

 

A reabilitação deve começar ainda durante a internação hospitalar. “Entre 24 e 48 horas após o AVC, o paciente já precisa ser avaliado. A fonoaudiologia deve entrar logo no primeiro dia para avaliar a deglutição antes da alimentação e a linguagem quando necessário”, explica Dra. Sheila.

 

A fisioterapia costuma iniciar assim que o paciente estiver clinicamente estabilizado, enquanto a terapia ocupacional auxilia na retomada das atividades do dia a dia. A avaliação neuropsicológica também pode ser realizada ainda no hospital para identificar precocemente déficits cognitivos e de memória.


Após a alta, o acompanhamento neurológico deve ser mantido por toda a vida, mesmo nos casos de recuperação completa. “O acompanhamento ideal ocorre cerca de 30 dias após a alta, depois em três meses e, se o paciente estiver estável, passa a ser feito a cada seis meses”, afirma a presidente da Rede Brasil AVC. Esse seguimento é essencial para ajustar o tratamento e reduzir o risco de novos eventos.

 

Prevenção

 

Para evitar um segundo AVC, a especialista reforça a importância do tratamento preventivo contínuo. “A pressão arterial deve estar bem controlada, idealmente abaixo de 130 por 80, o colesterol ruim precisa ficar abaixo de 70 e a glicose deve estar controlada nos pacientes com diabetes”, orienta.

 

Além disso, ela destaca a necessidade de mudança no estilo de vida e lembra que o AVC tem atingido cada vez mais pessoas jovens. “O AVC em jovens tem sido uma realidade cada vez mais comum nas emergências brasileiras. É um fenômeno preocupante, pois estamos falando de uma faixa etária que, muitas vezes, se considera imune a esse tipo de problema”, salienta. “Parar de fumar, reduzir o consumo de álcool, praticar atividade física e manter alimentação saudável permite prevenir cerca de 80% a 90% dos casos de AVC. Ignorar esses cuidados significa conviver com riscos que poderiam ser evitados. A informação e a prevenção seguem sendo as principais aliadas para mudar esse cenário”, conclui.

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