O cinema brasileiro fez história esta madrugada ao vencer duas estatuetas nos Globos de Ouro, com o filme "O Agente Secreto" a ser considerado o Melhor em Língua Não Inglesa e Wagner Moura a ser distinguido como Melhor Ator.
| FOTO: CHRIS TORRES/EPA |
O cinema brasileiro viveu uma madrugada histórica ao conquistar duas estatuetas na 83ª edição dos Globos de Ouro. O filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kléber Mendonça Filho, venceu o prêmio de Melhor Filme em Língua Não Inglesa, enquanto Wagner Moura foi distinguido como Melhor Ator em Filme Dramático, tornando-se o primeiro brasileiro a conquistar este troféu na história da premiação.
Ao receber o Globo de Ouro, Wagner Moura destacou o caráter político e humano da obra. “O Agente Secreto é um filme sobre memória, a falta de memória e trauma geracional”, afirmou. Segundo o ator, se o trauma pode ser transmitido de geração em geração, o mesmo ocorre com os valores. Moura dedicou o prêmio àqueles que continuam a “defender os seus valores em momentos difíceis” e encerrou o discurso falando em português, dirigindo-se diretamente ao público brasileiro que acompanhava a cerimónia.
Na categoria em que venceu, Wagner Moura superou nomes consagrados do cinema internacional, como Michael B. Jordan, Dwayne Johnson, Joel Edgerton, Oscar Isaac e Jeremy Allen White, consolidando o reconhecimento internacional da sua carreira.
Minutos antes, o realizador Kléber Mendonça Filho também celebrou a vitória histórica ao receber o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa. “Dedico isto aos cineastas jovens”, disse. Para o diretor, o prémio simboliza um momento decisivo para a produção cinematográfica tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. “Este é um momento muito importante na História para fazer filmes”, afirmou.
Apesar do sucesso, “O Agente Secreto” não levou o prêmio de Melhor Filme Dramático, que ficou com “Hamnet”, filme de época realizado por Chloé Zhao, inspirado na vida privada de William Shakespeare. A produção também garantiu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme Dramático, com Jessie Buckley, cuja interpretação foi amplamente elogiada.
Outro grande destaque da noite foi “Batalha Atrás de Batalha”, que se consagrou como o maior vencedor da cerimónia. O filme levou os prémios de Melhor Filme Musical ou Comédia, Melhor Argumento, Melhor Realizador, para Paul Thomas Anderson, e Melhor Atriz Secundária, para Teyana Taylor. Ao receber o prêmio, a atriz sublinhou a força da representatividade: “A nossa luz não precisa de permissão para brilhar”, disse, dirigindo-se às mulheres negras que acompanhavam a premiação.
Nas categorias de interpretação em Musical ou Comédia, Rose Byrne venceu como Melhor Atriz por “If I Had Legs I’d Kick You”, enquanto Timothée Chalamet foi eleito Melhor Ator por “Marty Supreme”. Já Stellan Skarsgård conquistou o Globo de Ouro de Melhor Ator Secundário por “Valor Sentimental”, um filme independente falado em norueguês que se destacou entre os favoritos do ano.
Considerado um dos títulos mais aguardados da temporada, “Sinners” saiu com dois prémios: Melhor Banda Sonora, assinada por Ludwig Göransson, e Conquista Cinemática e de Bilheteira. Na animação, a vencedora foi “KPop Demon Hunters”, da Netflix, que também levou o prémio de Melhor Canção Original, com “Golden”.
A consagração de “O Agente Secreto” e de Wagner Moura marca um momento simbólico para o cinema brasileiro, reforçando a sua presença no cenário internacional e abrindo novas portas para produções nacionais em grandes premiações globais.


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