| O longa "O Agente Secreto" é uma coprodução entre Brasil, França, Países Baixos e Alemanha. (Foto: Divulgação/Vitrine Filmes) |
O audiovisual brasileiro encerra a última década com sinais consistentes de crescimento, internacionalização e reconhecimento artístico. Dados do Panorama Coproduções Internacionais Brasil 2015–2024, divulgado pela ANCINE, indicam que as parcerias internacionais se consolidaram como um eixo estratégico do setor, com impactos diretos na projeção cultural do país.
O ano de 2024 marcou o maior volume de coproduções da série histórica, com 50 obras concluídas nesse regime. No mesmo período, o cinema nacional alcançou um reconhecimento inédito com a vitória de "Ainda Estou Aqui" no Oscar de 2025, na categoria de Melhor Filme Internacional. Entre 2015 e 2024, 10,4% dos longas-metragens brasileiros destinados inicialmente às salas de exibição foram coproduções, evidenciando o peso dessas parcerias na expansão do mercado audiovisual.
O levantamento mostra que a retomada do setor, após oscilações registradas em 2016 e 2022, foi impulsionada por investimentos recordes do Fundo Setorial do Audiovisual. Entre 2022 e 2024, o FSA aportou R$ 258 milhões em coproduções internacionais, viabilizando 115 novas parcerias. O fomento público respondeu pela maior parcela do financiamento do período, desempenhando papel decisivo na recuperação da atividade após a pandemia e na ampliação da capacidade de produção.
Do ponto de vista geopolítico, a Europa segue como principal parceira do Brasil, concentrando cerca de metade das coproduções, seguida pela América do Sul. Argentina, Portugal e França lideram esse intercâmbio, ao mesmo tempo em que a ANCINE aponta para uma estratégia de diversificação, com acordos assinados — e ainda pendentes de entrada em vigor — com países como Chile, China, França e Nigéria, além de negociações em curso com nações da Ásia, do Oriente Médio e da Europa Oriental.
O desempenho artístico acompanha esse movimento. Coproduções brasileiras conquistaram prêmios relevantes em festivais como Berlim, Veneza e Cannes, ampliando a visibilidade internacional das obras e reforçando o audiovisual como ferramenta de poder suave (soft power). A presença crescente do Brasil em festivais, salas de cinema e múltiplas janelas de exibição projeta narrativas nacionais no debate cultural global e fortalece vínculos econômicos e simbólicos.
O Panorama destaca ainda a adaptação do setor às transformações do mercado. Embora as salas de exibição permaneçam como principal janela de lançamento, cresce a participação de plataformas, TV paga e outros formatos, especialmente em séries e documentários. Nesse contexto, iniciativas de transparência e abertura de dados, como os Painéis Interativos do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual, ganham relevância para orientar decisões estratégicas e fortalecer a governança do setor.
A projeção apresentada pela ANCINE é de continuidade do crescimento, sustentada por novos editais, acordos internacionais e um volume expressivo de obras em fase de finalização. O cenário aponta para um horizonte de maior presença global do audiovisual brasileiro, em que a expansão do poder suave (soft power) cultural caminha de forma indissociável do fortalecimento dos direitos dos criadores que sustentam essa produção.
Acesse aqui o Panorama Coproduções Internacionais Brasil 2015-2024


Nenhum comentário:
Postar um comentário