Estudo da FGV registrou, em 2024, maior nível histórico de ascensão social para as classes A, B e C, registrando um crescimento de 78,18% desde 1976
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| Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil |
Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) revela que o Brasil atingiu, em 2024, o maior patamar histórico de ascensão social desde o início da série, em 1976. A participação das classes A, B e C na população alcançou um nível 78,18% superior à média anual registrada ao longo das últimas cinco décadas. O levantamento, baseado nos dados da Pnad Contínua, destaca uma transformação acelerada: entre 2022 e 2024, cerca de 17,4 milhões de brasileiros – número equivalente à população total do Equador – deixaram a pobreza e passaram a integrar essas faixas de renda mais altas.
A velocidade dessa mudança chamou a atenção dos pesquisadores. O ritmo de expansão das classes A, B e C nos últimos dois anos foi 74% mais rápido do que o observado no período entre 2003 e 2014, reconhecido historicamente por um significativo crescimento da classe média. De 2022 para 2024, a fatia da população nessas classes cresceu 8,44 pontos percentuais.
O motor da mudança: trabalho e proteção social
Segundo Marcelo Neri, diretor da FGV Social e autor do estudo, a renda do trabalho foi o principal propulsor da mobilidade social. “O ganho de renda do trabalho foi o principal motor de ascensão social da chamada classe média. A regra de proteção do Bolsa Família impulsiona a geração de carteiras de trabalho, que talvez seja o principal símbolo da nova classe média vinda da base da distribuição de renda”, afirmou.
O estudo aponta que programas de transferência de renda, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), tiveram papel crucial, representando entre 13 e 14 pontos percentuais do crescimento observado. No entanto, o efeito dinâmico foi além da assistência, gerando formalização e oportunidades.
Retrato das classes em 2024
A consolidação desse movimento elevou a classe C – frequentemente associada à classe média brasileira – a concentrar 60,97% da população. Já as classes A e B, de renda mais alta, somam 17,21% dos brasileiros. Em contrapartida, as classes D e E atingiram seus menores níveis históricos: 15,05% e 6,77%, respectivamente.
Os dados estão disponíveis na página oficial da FGV.



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