O governo fascista de Donald Trump finalmente consumou um ataque direto ao território venezuelano neste sábado (03), dando materialidade a uma nova etapa da geopolítica global: a transição para um cenário pré–Terceira Guerra Mundial, marcado pela disputa aberta por zonas de influência regional e pelo saque explícito de recursos estratégicos, sobretudo minerais e energéticos.
“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa”, declarou o presidente norte-americano.
O mundo adentra, assim, um terreno cada vez mais perigoso. O que antes era administrado por guerras por procuração, sanções econômicas e intervenções indiretas passa agora à forma crua da violência militar direta entre Estados e grandes potências. A Terceira Guerra Mundial deixa de ser uma hipótese distante e começa a se delinear como processo histórico em curso.
Nesse novo quadro, a mensagem é clara: se os Estados Unidos podem atacar a Venezuela, capturar seu chefe de Estado e saquear suas reservas, então Vladimir Putin estaria “autorizado” a eliminar Volodymyr Zelenski; e a China, por sua vez, encontra o sinal verde para invadir Taiwan. O sistema internacional baseado em regras, já fragilizado, sofre um golpe talvez irreversível.
Chama atenção a rapidez com que o ditador Nicolás Maduro foi capturado, logo no primeiro ato da ofensiva. O fato sugere um acordo prévio, hipótese já ventilada há cerca de dois meses pela agência Euronews, segundo a qual a vice-presidente venezuelana teria negociado diretamente com o governo norte-americano. Em operações dessa natureza, a captura imediata da liderança política não é a regra; costuma ser precedida por semanas ou meses de destruição, bombardeios e colapso institucional. A ausência desse “ritual” reforça a tese de conluio e traição interna.
O ataque à Venezuela não é um episódio isolado. Ele se insere numa lógica mais ampla de espoliação global. Assim como Putin estimulou e instrumentalizou a guerra na Ucrânia para assegurar controle indireto sobre territórios agrícolas e recursos naturais estratégicos, os Estados Unidos agora avançam sobre a Venezuela para se apropriar da maior reserva de petróleo do planeta. Trata-se da consumação simbólica e material do sepultamento do sistema-mundo erguido no pós–Segunda Guerra Mundial, baseado — ao menos formalmente — na soberania dos Estados e na contenção do uso unilateral da força.
O que emerge em seu lugar é uma ordem brutal, sem mediações, onde o poder militar substitui o direito, e a pilhagem substitui qualquer retórica humanitária. Nesse contexto, a ofensiva chinesa contra Taiwan deixa de ser uma possibilidade remota e passa a integrar o horizonte do previsível.
A Terceira Guerra Mundial não começará com uma declaração solene. Ela já começou, em fragmentos, em zonas periféricas, legitimada pela hipocrisia das grandes potências. A Venezuela é apenas mais um capítulo — talvez decisivo — dessa transição para um mundo governado pela força nua e pelo roubo organizado.


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