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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Inflação fecha 2025 em 4,26% e fica abaixo do teto da meta

A energia elétrica subiu 12,31% no ano e foi o subitem com maior impacto (0,48 p.p.) sobre a inflação de 2025 - Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias


O Brasil encerrou o ano de 2025 com inflação controlada e dentro da meta oficial. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o índice oficial de inflação do país, acumulou alta de 4,26% no ano, abaixo do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).


Em dezembro de 2025, o IPCA ficou em 0,33%, acima do resultado de novembro (0,18%), mas inferior ao registrado em dezembro de 2024 (0,52%). Foi o menor resultado para um mês de dezembro desde 2018, quando o índice ficou em 0,15%.


No acumulado do ano, a inflação de 2025 ficou 0,57 ponto percentual abaixo da registrada em 2024 (4,83%) e foi também o menor resultado anual desde 2018, quando fechou em 3,75%.


Segundo o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, este foi o quinto menor resultado da série histórica desde o Plano Real, iniciada há 31 anos. Antes dele, apenas os anos de 1998, 2017, 2006 e 2018 apresentaram inflação anual menor.


Habitação lidera impacto na inflação do ano


O principal responsável pela inflação de 2025 foi o grupo Habitação, que acelerou de 3,06% em 2024 para 6,79% em 2025, gerando o maior impacto no índice acumulado do ano: 1,02 ponto percentual. No ano anterior, esse impacto havia sido de 0,47 p.p.


Na sequência, os grupos que mais pressionaram a inflação foram Saúde e cuidados pessoais (5,59% e impacto de 0,75 p.p.), Despesas pessoais (5,87% e 0,60 p.p.) e Educação (6,22% e 0,37 p.p.). Juntos, esses quatro grupos responderam por cerca de 64% da inflação de 2025.


Dentro de Habitação, o destaque foi a energia elétrica residencial, que acumulou alta de 12,31% no ano e sozinha teve impacto de 0,48 ponto percentual no IPCA. De acordo com o IBGE, o resultado reflete reajustes tarifários que variaram de -2,16% a 21,95%, além da maior incidência de bandeiras tarifárias ao longo do ano — cenário diferente de 2024, quando houve oito meses de bandeira verde, sem cobrança adicional.


Alimentos desaceleram e ajudam a conter a inflação


Em sentido oposto, o grupo Alimentação e bebidas, o de maior peso no IPCA, teve forte desaceleração. Após subir 7,69% em 2024, o grupo avançou apenas 2,95% em 2025.


A principal contribuição veio da alimentação no domicílio, que passou de uma alta de 8,23% em 2024 para apenas 1,43% em 2025. Entre junho e novembro, os preços dos alimentos consumidos em casa registraram queda por seis meses consecutivos, acumulando recuo de 2,69% no período. Segundo o IBGE, a maior oferta de produtos foi determinante para esse comportamento.


Entre os alimentos que mais ajudaram a reduzir a inflação, destaque para o arroz, que teve queda expressiva de 26,56% no ano, com impacto negativo de -0,20 p.p. no índice, e o leite longa-vida, que saiu de uma alta de 18,83% em 2024 para uma queda de 12,87% em 2025.


Energia elétrica é o item que mais pesou no ano


Entre os 377 subitens que compõem o IPCA, a energia elétrica residencial foi o item que mais pesou na inflação de 2025. Na sequência, aparecem os cursos regulares, os planos de saúde, o aluguel residencial e o lanche fora de casa, todos com impactos relevantes no índice anual.


Por outro lado, além dos alimentos, também ajudaram a segurar a inflação itens como eletrodomésticos, aparelhos telefônicos e seguro voluntário de veículo, todos com impacto negativo de -0,05 ponto percentual.


Serviços e preços administrados sobem mais


Os preços de serviços aceleraram em 2025, passando de 4,78% em 2024 para 6,01%. Já os preços monitorados, que são administrados ou influenciados pelo governo, subiram 5,28%, acima dos 4,66% registrados no ano anterior.


Vitória tem a maior inflação do país em 2025


Entre as 16 localidades pesquisadas pelo IBGE, Vitória registrou a maior inflação acumulada em 2025, com 4,99%, influenciada principalmente pelos aumentos da energia elétrica (17,48%) e do plano de saúde (6,33%).


Na sequência aparecem Porto Alegre (4,79%) e São Paulo (4,78%). O menor resultado foi observado em Campo Grande (3,14%), onde pesaram as quedas nos preços do arroz, das frutas e das carnes.


Transportes puxam alta em dezembro; energia elétrica cai


Em dezembro, o grupo Transportes teve a maior alta mensal, com 0,74%, e também o maior impacto no IPCA do mês. O resultado foi influenciado principalmente pelos aumentos no transporte por aplicativo (13,79%) e nas passagens aéreas (12,61%), que foram o subitem de maior impacto individual no mês.


Os combustíveis também subiram 0,45% em dezembro, após queda em novembro, com destaque para o etanol, que avançou 2,83%.


Já o grupo Habitação apresentou queda de 0,33% no mês, influenciado pela redução de 2,41% na energia elétrica residencial. Segundo o IBGE, o resultado está ligado à mudança da bandeira tarifária: em dezembro vigorou a bandeira amarela, com cobrança menor que a bandeira vermelha aplicada em novembro.


INPC fecha 2025 em 3,90%


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação das famílias com renda de até cinco salários mínimos, registrou alta de 0,21% em dezembro. No acumulado do ano, o índice fechou em 3,90%, abaixo dos 4,77% registrados em 2024.


Assim como no IPCA, a desaceleração dos alimentos foi determinante para o resultado do INPC em 2025, contribuindo para aliviar o custo de vida das famílias de menor renda.

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