Com a participação de autoridades e representantes da USP, Instituto anuncia ampliação de fábricas para imunizantes e soros destinados ao SUS
Por Michel Sitnik - Jornal da USP
Em evento realizado na segunda-feira, 9 de fevereiro, no Instituto Butantan, foi iniciada a vacinação contra a dengue com o imunizante Butantan-DV, que protege contra os quatro sorotipos da dengue e é a primeira do mundo em dose única. Na primeira fase, a vacina está sendo aplicada entre profissionais da atenção primária à saúde e posteriormente será destinada à população geral entre 12 e 59 anos. A primeira aplicação foi feita pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nas agentes comunitárias de saúde da capital paulista, Lucimeire Francisca Coelho e Francisca Raquel de Oliveira, que representaram os cerca de 216 mil profissionais da atenção básica, entre médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e agentes de endemias, que receberão as doses nas próximas semanas.
No mesmo dia, foi anunciado um pacote de investimentos de R$ 1,4 bilhão na ampliação e modernização da produção de vacinas e soros para atender a população brasileira por meio do SUS. Os aportes estão viabilizando a construção de uma fábrica de vacina tetravalente contra o Papilomavírus Humano (HPV); a reforma da unidade de produção e desenvolvimento de vacinas com a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) para produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA); uma nova fábrica para produção do IFA da vacina DTPa (difteria, tétano e coqueluche); e a reforma do prédio de produção de soros e criação de uma nova área de envase e liofilização do produto. Todas as obras serão feitas na área fabril já existente do Instituto e serão financiadas por meio de um aporte de aproximadamente R$ 1 bilhão do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), do governo federal, e cerca de R$ 400 milhões em contrapartida estadual, pelo Instituto Butantan, órgão da Secretaria de Estado da Saúde, por meio da Fundação Butantan.
O anúncio contou com as presenças do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; do vice-presidente, Geraldo Alckmin; dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Márcio França (Empreendedorismo) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário); do secretário da Saúde do Estado de São Paulo, Eleuses Paiva; e do diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, entre outras autoridades. O reitor da USP, Aluísio Augusto Cotrim Segurado, esteve entre os convidados parceiros do Instituto Butantan que compuseram a mesa de autoridades. Médico infectologista e docente da Faculdade de Medicina (FM), Segurado esteve entre os professores do atual ministro da Saúde nos anos 1980. A diretora da faculdade, Eloísa Bonfá, também participou do evento desta segunda.
Lula destacou a importância dos investimentos públicos em inovação e tecnologia para a saúde. “A gente precisa celebrar a primeira vacina contra a dengue do mundo, uma coisa nossa, criada por nós, pesquisada por nós, e quem sabe com mais investimento a gente possa também produzir em quantidade para ajudar outros países mais pobres do que nós. Quem mais investe em pesquisa neste País é o setor público, e não se trata de uma decisão econômica para ajudar esse ou aquele Estado. Ajudar o Butantan é ter apenas a primazia de dizer que a gente está ajudando 215 milhões de almas que vivem neste País e que precisam que o Estado brasileiro invista”, declarou o presidente.
O secretário de Estado da Saúde, Eleuses Paiva, pontuou que “os investimentos fortalecem a autonomia tecnológica do Instituto Butantan e ampliam a capacidade de resposta da saúde pública, com produção nacional de vacinas. Além disso, ainda neste ano, o Butantan também iniciará a produção de tratamentos para combate ao câncer. Dessa forma, damos mais possibilidades aos gestores públicos, baixando custos e promovendo mais equidade, universalidade e sustentação do nosso sistema de saúde”. Ele também elogiou a união de esforços em prol da população. “Hoje nós estamos dando um passo muito importante na saúde pública do nosso País, com uma parceria tripartite proporcionando um apoio robusto a um projeto que fortalece e valoriza o SUS. Nós acreditamos na ciência e acreditamos que precisamos cada vez mais ampliar o acesso das pessoas ao sistema único de saúde. Portanto, dia de vitória para o Brasil”.
Para Esper Kallás, que também é docente da FM, a vacina é a maior arma da medicina na redução da desigualdade: “Que sistema de saúde conseguiria acomodar todas as crianças com sarampo e suas complicações caso a vacina não existisse? A estimativa é que, no mínimo, 6 milhões de crianças e outras pessoas imunodeficientes morreriam todos os anos se não fossem as vacinas. Ampliar o acesso dos brasileiros à saúde é nossa missão. Esses investimentos permitirão que possamos diversificar e aumentar nosso fornecimento ao SUS de produtos essenciais para a saúde das pessoas, como a vacina contra o HPV, que protege as mulheres contra diferentes tipos de câncer, e desenvolver nossa plataforma de mRNA, tecnologia de ponta que nos permitirá dar respostas mais rápidas às exigências da saúde pública. E, após 15 anos de desenvolvimento, a vacina contra a dengue chega em um momento em que nossa instituição completa 125 anos, tornando-se parte central do processo de busca por autossuficiência na produção de imunobiológicos no Brasil. É emocionante para todos que trabalhamos no desenvolvimento dessa vacina vê-la chegar aos braços dos profissionais de saúde, que estão na linha de frente da luta contra as doenças. A Butantan-DV é um marco histórico da ciência brasileira que começa a mostrar impacto real no dia a dia da população”, celebrou.



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