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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Desemprego cai para 5,6% em 2025 e atinge menor nível da série histórica em 20 estados

Vinte estados registraram a menor taxa de desocupação da série histórica - Foto: José Cruz/Agência Brasill


A taxa anual de desocupação no Brasil ficou em 5,6% em 2025, recuo de 1,0 ponto percentual em relação a 2024 (6,6%). No quarto trimestre, o índice foi ainda menor: 5,1%, com redução de 1,1 ponto percentual frente ao mesmo período do ano anterior (6,2%). Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta terça-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Desigualdade regional persiste


Em 2025, as maiores taxas anuais de desocupação foram registradas no Piauí (9,3%), Bahia (8,7%) e Pernambuco (8,7%). Já os menores índices ficaram com Mato Grosso (2,2%), Santa Catarina (2,3%) e Mato Grosso do Sul (3,0%).


Vinte unidades da federação atingiram a menor taxa anual de desocupação de suas séries históricas, entre elas Bahia (8,7%), Amazonas (8,4%), Rio Grande do Norte (8,1%), Distrito Federal (7,5%), Pará (6,8%), Maranhão (6,8%), Ceará (6,5%), São Paulo (5,0%), Minas Gerais (4,6%), Paraná (3,6%) e Santa Catarina (2,3%).


Segundo William Kratochwill, analista da pesquisa, a mínima histórica decorre do dinamismo do mercado de trabalho, impulsionado pelo aumento do rendimento real. Ele ressalta, porém, que a queda da desocupação não elimina problemas estruturais, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde persistem altos níveis de informalidade e subutilização, associados a ocupações de baixa produtividade.



Subutilização e informalidade seguem elevadas


A taxa anual de subutilização da força de trabalho ficou em 14,5% no país. O Piauí apresentou o maior índice (31,0%), seguido por Alagoas (26,8%) e Bahia (26,8%). As menores taxas foram observadas em Santa Catarina (4,6%), Mato Grosso (6,8%) e Espírito Santo (7,4%).


Já a taxa anual de informalidade atingiu 38,1% da população ocupada. Maranhão (58,7%), Pará (58,5%) e Bahia (52,8%) lideraram os maiores percentuais. As menores taxas ficaram com Santa Catarina (26,3%), Distrito Federal (27,3%) e São Paulo (29,0%).


No quarto trimestre de 2025, a informalidade foi de 37,6%, mantendo o padrão de maior incidência no Norte e Nordeste.


Queda no trimestre atinge quatro regiões


No quarto trimestre de 2025, a taxa de desocupação caiu para 5,1%, redução de 0,5 ponto percentual frente ao terceiro trimestre (5,6%). A queda foi observada no Nordeste (de 7,8% para 7,1%), Sudeste (de 5,3% para 4,8%), Sul (de 3,4% para 3,1%) e Centro-Oeste (de 4,4% para 3,9%). A Região Norte apresentou estabilidade.


Na comparação com o trimestre anterior, houve recuo em seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Distrito Federal, Paraíba e Ceará. Pernambuco (8,8%), Amapá (8,4%) e Alagoas (8,0%) registraram as maiores taxas no período. Santa Catarina (2,2%) teve a menor.


Carteira assinada cresce, mas Norte e Nordeste ficam atrás


No quarto trimestre, 74,4% dos empregados do setor privado tinham carteira assinada. As menores proporções foram registradas no Norte (60,3%) e Nordeste (59,6%).


Entre os estados, Santa Catarina (86,3%), São Paulo (82,2%) e Rio Grande do Sul (81,5%) apresentaram os maiores percentuais de formalização. Maranhão (52,5%), Piauí (54,3%) e Paraíba (54,8%) ficaram nas últimas posições.


Mulheres, pretos e menos escolarizados enfrentam mais dificuldade


A taxa de desocupação foi de 6,2% para as mulheres e 4,2% para os homens no quarto trimestre de 2025. Por cor ou raça, o índice ficou abaixo da média nacional para brancos (4,0%) e acima para pretos (6,1%) e pardos (5,9%).


A escolaridade também influencia fortemente o acesso ao trabalho. Pessoas com ensino médio incompleto tiveram taxa de 8,7%. Entre aquelas com nível superior incompleto, o índice foi de 5,6%, mais que o dobro do registrado para quem concluiu o ensino superior (2,7%).


Desemprego de longa duração recua


O número de pessoas que buscavam trabalho há dois anos ou mais caiu 19,6% em relação ao quarto trimestre de 2024, passando de 1,3 milhão para cerca de 1,1 milhão em 2025.


Também houve redução entre aqueles que procuravam emprego há menos de um mês: de 1,4 milhão para 1,1 milhão, queda de 23,1%.


Renda cresce e massa salarial atinge R$ 367,5 bilhões


O rendimento real habitual anual chegou a R$ 3.560 em 2025. Os maiores valores foram registrados no Distrito Federal (R$ 6.320), São Paulo (R$ 4.190) e Rio de Janeiro (R$ 4.177). Os menores ficaram com Maranhão (R$ 2.228) e Bahia (R$ 2.284).


No quarto trimestre, o rendimento médio habitual foi de R$ 3.613, acima do trimestre anterior (R$ 3.527) e do mesmo período de 2024 (R$ 3.440). Houve crescimento significativo nas regiões Norte (R$ 2.846) e Sudeste (R$ 4.033).


A massa de rendimento real de todos os trabalhos foi estimada em R$ 367,551 bilhões, com expansão frente ao trimestre anterior e ao mesmo período do ano passado. Norte, Nordeste e Sudeste apresentaram crescimento estatisticamente significativo.


Apesar da melhora consistente nos indicadores de emprego e renda em 2025, os dados reforçam que o mercado de trabalho brasileiro ainda enfrenta desafios estruturais, especialmente no combate à informalidade e às desigualdades regionais, de gênero, raça e escolaridade.



Informações da Agência IBGE

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