Escola mais prestigiada da cidade instituiu até um bloco "infantil" inspirado no Galo da Madrugada, maior símbolo da decadência de Recife (PE)
As escolas que são os centros mais importantes para despertar a consciência contra a mentalidade do subdesenvolvimento não cumprem o seu papel em Caicó e instruem crianças nas práticas anacrônicas do carnaval tornando impossível qualquer possibilidade de enfrentar o flagelo do subdesenvolvimento e do vício.
A consequência aparece nas ruas. Semana passada, observei um grupo de crianças de bairro periférico conversando com linguajar próprio do universo criminal, fazendo referências explícitas ao consumo de drogas. Isso não é apenas um detalhe sociológico: é um sintoma. Quando o imaginário do crime se torna mais sedutor que o da escola, há uma falha estrutural. Significa que o ambiente escolar não está conseguindo competir simbolicamente com o mundo que deveria combater.
É impossível ignorar também a precariedade material e simbólica do magistério. Com salários muitas vezes insuficientes, cobra-se do professor uma missão quase messiânica. Ainda assim, a formação docente precisa ser discutida com seriedade. Educação não é improviso. Não pode ser “quebra-galho”. Um país que não exige densidade cultural de seus educadores — domínio de literatura, filosofia, artes, ciência — dificilmente produzirá alunos intelectualmente inquietos.
A educação brasileira foi montada, em grande medida, como uma gambiarra institucional: reformas sucessivas, currículos inchados e pouco profundos, metas quantitativas que ignoram substância. Falta projeto civilizatório. Falta compreender que escola não é extensão do entretenimento nem instrumento de agendas festivas locais. É laboratório de futuro.
Sem uma mudança de mentalidade — que valorize conhecimento sólido, disciplina, leitura, pensamento crítico e ambição intelectual — continuaremos assistindo à reprodução do mesmo ciclo: juventude seduzida pelo imediatismo, pelo vício, pelo atalho; escola incapaz de oferecer alternativa atraente; poder público satisfeito com eventos simbólicos enquanto o capital humano se deteriora.
Superar o subdesenvolvimento exige mais do que discursos. Exige coragem para recolocar a educação no centro — não como palco de celebração efêmera, mas como espaço rigoroso de formação humana e intelectual. Sem isso, continuaremos confundindo movimento com progresso e barulho com transformação.



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