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domingo, 29 de março de 2026

Papa Leão XIV afirma que Deus rejeita a guerra e diz que orações de líderes beligerantes “não são escutadas”



O Papa Leão XIV afirmou neste domingo (29), durante a missa de Domingo de Ramos celebrada na Praça de São Pedro, no Vaticano, que Deus não pode ser invocado para justificar conflitos armados e rejeita as orações daqueles que promovem a guerra. A celebração reuniu dezenas de milhares de fiéis no início da Semana Santa cristã.


Na homilia, o pontífice condenou o uso da religião como instrumento político ou militar em meio a conflitos internacionais em curso, incluindo a guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irão e a ofensiva russa na Ucrânia. Segundo o Papa, Deus é o “rei da paz” e não legitima a violência.


“Irmãos e irmãs, este é o nosso Deus: Jesus, Rei da Paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra (…) Ele não escuta as orações daqueles que travam a guerra, rejeita-as”, declarou, conforme relato da agência Associated Press.


A fala ocorre num momento em que líderes políticos e religiosos de diferentes lados têm recorrido a argumentos de fé para sustentar ações militares. Autoridades norte-americanas, incluindo o secretário da Defesa Pete Hegseth, mencionaram valores cristãos ao defender a ofensiva contra o Irão, enquanto setores da Igreja Ortodoxa Russa classificaram a invasão da Ucrânia como uma “guerra santa” contra o Ocidente.


O Domingo de Ramos marca, na tradição cristã, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, episódio que antecede a crucificação, celebrada na Sexta-Feira Santa, e a ressurreição comemorada no Domingo de Páscoa. A cerimônia teve início com uma procissão de cardeais, bispos, padres e leigos portando ramos de oliveira e folhas de palmeira, que seguiram até o altar após oração diante do obelisco central da praça.


A celebração também trouxe recordações do pontificado de Papa Francisco. No início da Semana Santa de 2025, Francisco ainda se recuperava de uma pneumonia dupla após longa internação e delegou parte das celebrações litúrgicas. No Domingo de Páscoa daquele ano, conseguiu saudar os fiéis da janela da Basílica de São Pedro e realizou sua última volta de papamóvel. Ele morreu na manhã seguinte, após sofrer um AVC, segundo informações divulgadas posteriormente pela Vatican Media.


Leão XIV, primeiro papa nascido nos Estados Unidos, deverá conduzir toda a programação litúrgica da Semana Santa, retomando tradições que haviam sido adaptadas nos últimos anos. Entre elas está a cerimônia do lava-pés da Quinta-Feira Santa, que recorda a Última Ceia de Jesus com seus discípulos e simboliza serviço e humildade.


Durante seus 12 anos de pontificado, Francisco celebrou o ritual em prisões e centros de refugiados, lavando os pés de pessoas marginalizadas, inclusive muçulmanos e fiéis de outras religiões — gesto elogiado por muitos como sinal de abertura pastoral, mas também alvo de críticas de setores conservadores.


Agora, Leão XIV restabelece a celebração na Basílica de São João de Latrão, tradição seguida por papas como Bento XVI e João Paulo II, que costumavam realizar o rito com 12 sacerdotes.


A programação da Semana Santa inclui ainda a procissão da Sexta-Feira Santa no Coliseu de Roma, a Vigília Pascal no sábado à noite — quando novos fiéis serão batizados — e a missa do Domingo de Páscoa na Praça de São Pedro. Ao final da celebração pascal, o Papa deverá conceder a tradicional bênção “Urbi et Orbi” a partir da loggia da Basílica de São Pedro, encerrando o período mais importante do calendário cristão.

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