"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Implicações éticas da IA: a responsabilidade das empresas, dos formuladores de políticas e da sociedade?

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por Frederick Ahen


Não podemos banalizar o poder e a importância da inteligência artificial (IA) na economia moderna. Também não podemos legitimar tudo o que pode ser usado em toda a Europa e além. IA, juntamente com o trans-humanismo e afins, é a próxima fronteira da quarta revolução industrial (Indústria 4.0). Todos eles têm o potencial de transformar a compreensão da humanidade sobre si mesma de maneiras que o mundo nunca conheceu.

O mercado da IA ​​é enorme. A especialização necessária no campo está crescendo exponencialmente; na verdade, as empresas não conseguem atender à demanda de especialistas. As contribuições da IA ​​para as economias avançadas e emergentes são significativas e também alimentam outros campos que antes dependiam do trabalho manual com processos extremamente lentos. Por exemplo, a agricultura de precisão agora usa drones para ajudar a irrigar e monitorar o crescimento das plantas, remover ervas daninhas e cuidar de plantas individuais. É assim que o mundo está sendo alimentado. Jornalistas estão usando drones para procurar a verdade em áreas remotas. Carros sem motorista estão sendo testados. Os drones estão fazendo maravilhas nas áreas de logística e cadeia de suprimentos. Mas drones também são usados ​​para matar, policiar e rastrear atividades criminosas. Existem muitas outras vantagens da IA ​​no setor de saúde, cuidados com idosos e medicina de precisão. As máquinas de IA têm a capacidade de fazer as coisas com mais eficiência do que os humanos ou até mesmo de trilhar espaços que são mais perigosos para os humanos. Este é o evangelho. É pegar ou largar.

Mas há mais para o acima. O que também é verdade é que "o mundo é um negócio" e negócios são políticas que controlam a ciência, a tecnologia e a disseminação de informações. Essas três entidades sabem como subliminarmente manipular, acalmar, gerenciar e moldar sentimentos públicos sobre qualquer coisa. Eles controlam o quanto de conhecimento podemos ter e quem pode ser difamado por conhecer ou falar a verdade, exigindo uma abordagem ética para a produção e o uso de IA ou se transformou em um herói por girar a verdade.

Além disso, a IA depende maciçamente dos dados para imitar os humanos. Aqui, as questões de violação de privacidade surgem porque a liberdade dos indivíduos como cidadãos privados desapareceu há muito tempo como em uma distopia Orwelliana. Incontáveis ​​desculpas foram emitidas por empresas de tecnologia por violações anteriores e até mesmo pela venda de dados privados. Além disso, a perfeição constante da IA ​​irá substituir muitos trabalhos muito rapidamente? Outros acham que a IA preferirá nos permitir dedicar mais tempo a esforços criativos. Somos instados a não desesperar, pois estes são apenas sintomas de avanço. Atualmente, no entanto, tais consolações são apenas conjeturas e não fatos. Não é hora de ajustar nossos currículos educacionais para refletir essa mudança? É de se perguntar por que esses problemas prementes não fazem parte das preocupações dos eleitores.



Muitas incógnitas

O que não sabemos é que existem hierarquias na relevância de coisas que importam para a corporação ou até mesmo para uma nova start-up de IA. O resultado financeiro está no topo de tudo. É a necessidade de sobreviver batendo a concorrência. Trata-se de ser o maior, o melhor e o mais inovador, para evitar novas tecnologias disruptivas que relegam os operadores históricos à linha lateral. Trata-se de atrair mais investidores e maior participação de mercado ou arrebanhar uma fatia da fatia global da marca AI. Mais importante ainda, a IA como a mais recente fronteira do avanço médico-tecnocientífico significa que as nações que prosperam nela são vistas como as mais avançadas. É bom para a reputação. Essas coisas importam mais do que quem irá sofrer por causa da IA. Na era da responsabilização, as pessoas precisam saber que estão sozinhas.

Outra falácia é que não sabemos o suficiente sobre a IA. O público pode não saber, mas significa que as empresas que o fabricam ou os governos que o compram ou patrocinam para seu complexo industrial militar não sabem quais as consequências potenciais que a IA é capaz de produzir?

Os formuladores de políticas estão muito atrasados ​​na regulamentação da IA. Como regulamos o que sabemos pouco? Quem deve ensiná-los se não é do interesse daqueles que se beneficiam? Se a indústria é dona da legislatura por meio de lobbying, como regulamos qualquer coisa e pedimos responsabilidade social corporativa (CSR) (que é classicamente fracassada no nascimento porque é voluntária)? A IA não é apenas para nos ajudar a fazer as coisas melhor, mais rapidamente e com maior eficiência. Devemos reconhecer o uso multi-propósito da IA, a fim de ter um mínimo de compreensão de sua complexidade e do motivo original por trás dela. Não podemos deixar isso para o CSR. Legislação obrigatória e regulamentações do setor devem acompanhar essa nova mudança e mais pessoas devem ser educadas para entender com o que estamos lidando.
Nós devemos viver com isso lidando com isso

AI está aqui para ficar ou pelo menos os tecnólogos, políticos da indústria e investidores decidiram que sim. Por si só, a IA é uma boa ferramenta, mas o que os humanos e os governos fazem com ela é outra completamente diferente. Qual é a responsabilidade da firma em produzir e usar AI? O autoritarismo digital, a onisciência e a onipresença da vigilância em massa vão dominar?

Há muita emoção no ar sobre o potencial infinito que a IA proporciona. Mas vivemos em um mundo em que as regras monetárias e a ética são consideradas um problema de fraqueza. Se Adam Smith, Joseph Schumpeter, Chydenius aqui, quais seriam suas opiniões sobre a IA? A economia, o empreendedorismo, as inovações e liberdades associadas à IA em vidas humanas ainda estão se desdobrando. Esses pensadores e economistas talvez falem sobre as instituições que moldam os ecossistemas empreendedores da IA. Kant também entrará em contato com seu sermão "maior bem" - mas quem ou o que será este maior ser? Ele não está aqui, então temos que responder.

Então, a questão é: quais políticas industriais promoverão o uso adequado da IA ​​para o bem maior através da responsabilidade ética em meio a lucros, poder, política e política? Ai de nós, se a AI cair nas mãos erradas. Devemos estar mitigando agressivamente as perspectivas de terroristas e criminosos que produzem e fazem uso da IA ​​de maneiras que afetarão a sociedade. Este é um apelo urgente à ação.



Frederick Ahen é pesquisador da Turku School of Economics, da Universidade de Turku, Departamento de Marketing e Negócios Internacionais. A pesquisa de Frederick abrange as áreas de governança de saúde global sustentável e o papel dos atores empresariais e não-comerciais em instituições em mudança.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Um modelo democrático para o Facebook

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por Henning Meyer 

O Facebook é regularmente noticiado como uma força que interrompe a política democrática em todo o mundo, mas e se a democracia pudesse ser o modelo para salvar o Facebook?

A rede social que conecta 2,2 bilhões de pessoas teve um período difícil nos últimos tempos. Desde a suposta interferência malévola de atores estrangeiros na última eleição presidencial dos Estados Unidos, através do escândalo da Cambridge Analytica até dados mais recentes e vazamentos de documentos, a empresa geralmente está fazendo manchetes por todas as razões erradas.

Um dos problemas mais persistentes que a empresa de Mark Zuckerberg teve que lidar é o discurso do ódio. De fato, parte do conteúdo distribuído no Facebook divide amargamente as sociedades e separa as pessoas em vez de conectá-las - o objetivo principal da rede social (“tornar o mundo mais aberto e conectado”, diz seu fundador). Tomar decisões sobre onde traçar a linha entre pontos de vista controversos, mas legítimos, e incitar o ódio não é, contudo, uma tarefa simples e a empresa tem lutado para lidar com regras e processos capazes de lidar com o problema. Uma ideia recente de Zuckerberg, no entanto, poderia mostrar o caminho para um interessante novo modelo de governança corporativa.


Ele quer estabelecer um órgão de apelação independente, apelidado na mídia de “Suprema Corte do Facebook”, por três razões principais. Primeiro, um órgão de apelação externo tomaria decisões longe do próprio Facebook. Segundo, criaria responsabilidade e supervisão. E, terceiro, um órgão independente garantiria que as decisões não fossem tomadas por razões comerciais, mas sim no melhor interesse da comunidade do Facebook.



Tribunal de Recurso

O ponto chave aqui é que Zuckerberg está, de fato, estabelecendo uma jurisdição independente que normalmente só é encontrada em sistemas políticos democráticos. E tal movimento faz todo o sentido para uma empresa que é frequentemente descrita como semelhante a uma nação global ou como o equivalente moderno da praça pública de antigamente. Mas o estabelecimento de um "tribunal de apelação" independente é suficiente para uma empresa com mais usuários do que os cidadãos de qualquer país? Ou o slogan “dar às pessoas o poder”, que é fundamental para a missão do Facebook, também significa que imitar mais instituições democráticas no modelo de governança corporativa de uma empresa de tamanho e escopo exclusivos do Facebook é o caminho a seguir?

O problema com os padrões da comunidade não é apenas a aplicação, mas, muitas vezes, o conteúdo de políticas diferentes. Mesmo se você consultar amplamente o que deve ser aceitável e o que não é, como o Facebook, a decisão final ainda é tomada pela própria empresa. Se o Facebook não apenas criasse uma instituição judicial, mas também criasse um processo legislativo digital que capacitasse seus usuários, as próprias políticas teriam uma fonte diferente de legitimidade e realmente “dariam às pessoas o poder”.

Criar tal processo não é claro, pois há diferenças culturais significativas entre os usuários do Facebook. Mas nenhuma das opções alternativas para resolver os problemas da empresa também é fácil. O Facebook já anunciou que está planejando permitir um grau de customização pessoal em que conteúdo é mostrado aos usuários, mas se a customização pessoal puder ser casada com uma legitimidade mais ampla das políticas gerais subjacentes, a empresa pode estar no caminho certo.

Não é por acaso que a longa divisão de poderes nos poderes executivo, legislativo e judiciário serviu bem às nações democráticas. Talvez adotar esse modelo comprovado para a governança de uma corporação que tenha as marcas de uma nação digital mais do que qualquer outra empresa no planeta seja o caminho a seguir. Definir políticas mais legítimas incluindo usuários diretamente no processo de tomada de decisão e fiscalizando essas políticas proativamente com melhores filtros de conteúdo de IA e reativamente por intervenção humana seria uma experiência interessante. Especialmente se um mecanismo de apelação semelhante a um tribunal independente fosse adicionado no topo.

No mínimo, vale a pena explorar esses novos conceitos de governança. O modelo atual fracassou claramente e é difícil ver como as futuras falhas podem ser evitadas sem a inovação da governança institucional. Como o próprio Zuckerberg afirmou em sua nota sobre governança e aplicação de conteúdo, essas são questões que não podem ser consertadas para sempre, mas apenas aprimoradas. No entanto, é muito melhor tentar melhorar com os usuários do que com os usuários.






Henning Meyer é editor-chefe da Social Europe e pesquisador associado do Public Policy Group da London School of Economics and Political Science. Ele também é diretor da consultoria New Global Strategy Ltd. e freqüentemente escreve editoriais de opinião para jornais internacionais como The Guardian, DIE ZEIT, The New York Times e El Pais.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Quarenta anos das reformas de Deng Xiaoping e o renascimento da China como potência

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Uma China como potência assertiva, dominante e autoconfiante (além de pouco democrática) é a nova realidade das relações internacionais.

“Art. 1: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”
70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (10/12/1948)

“A religião para mim é ciência e a ciência é religião”
203 anos do nascimento de Ada Lovelace (10/12/1815)

Um Cinturão, Uma Rota - nova rota da seda

A China é o país mais populoso do mundo e, atualmente, tem a maior economia, quando medida em poder de paridade de compra. Mas isto não é novidade para o gigante asiático que sempre foi uma grande nação e, até mesmo, uma grande civilização.
Durantes milênios a China foi líder em avanços científicos e tecnológicos, incluindo o desenvolvimento em áreas diversas como ciências naturais, engenharia, medicina, tecnologia militar, matemática, geologia e astronomia. Entre as várias conquistas estão as 4 grandes invenções: a bússola, a pólvora, o papel e a tipografia. A qualidade da cerâmica chinesa é reconhecida em todo o mundo. Em termos de filosofia, Confúcio (551 a.C. – 479 a.C.) é um pensador reconhecido globalmente até os dias de hoje.
Um símbolo do poder de empreender e mobilizar grandes recursos naturais e humanos é a Grande Muralha da China, que começou a ser construída entre os anos de 220 e 206 a.C. por Qin Shi Huang, o primeiro Imperador da China. Ao longo do tempo Grande Muralha foi ampliada e reconstruída, sendo que a maior parte do trecho existente nos dias de hoje foi obra da dinastia Ming (1368-1644).
Outro símbolo é a produção da seda e a comercialização mundial deste produto. A China começou a produzir seda por volta do ano 2700 a.C.. A sericultura e a produção da seda se transformaram em uma indústria próspera e que gerou um comércio global dinâmico, por meio da famosa rota da Seda.
A China também inovou na técnica de navegação e construção naval. No século XV a frota chinesa era a melhor e a maior do mundo, consistindo em mais de 200 navios e cerca de 27.800 marinheiros e soldados. O navegador Zheng He (1371-1433), navegou sete vezes pelo Sudeste Asiático e o Oceano Índico, entre 1405 até 1433. Portanto, muito antes dos portugueses, a China já tinha uma capacidade naval superior aos demais países. Contudo, o governo chinês da época não deu continuidade à navegação e preferiu reforçar as defesas no norte do país, contra as invasões mongóis.
A China continuou uma potência mundial até o final do século XVIII. Mas o declínio foi acentuado no século XIX, especialmente em função das ingerências ocidentais. O Reino Unido, que já dominava a Índia promoveu o comércio do ópio com a China, o que levou à Primeira Guerra do Ópio em 1840 e ao estabelecimento de concessões forçadas. Hong Kong foi cedida aos britânicos em 1842 pelo Tratado de Nanquim. A Segunda Guerra do Ópio ocorreu entre 1856-1860.
As duas Guerras do Ópio (e o narcotráfico inglês) foram desastrosas para o povo chinês. A China sofreu duas fomes extremas e teve a sua economia vilipendiada. Diante do colapso da economia e do agravamento dos problemas sociais, a população se mobilizou – inspirada nas ideias revolucionárias de Sun Yat-sen – e começaram a defender a derrubada da Dinastia Qing e a proclamação da república. Um levante militar levou à formação de um governo provisório da República da China em Nanquim, em 12 de março de 1912, sendo que Sun Yat-sen foi designado o primeiro presidente do país.
Em 1925, Chiang Kai-shek, assumiu o controle do Kuomintang (Partido Nacionalista, ou KMT) e conseguiu reunir sob seu governo a maior parte do sul e do centro da China. Entre 1931 e 1945 o Japão invadiu a China e anexou a Manchúria. Com o fim da Segunda Guerra Mundial a República chinesa entrou em guerra civil, sendo que o Partido Comunista Chinês (PCC), liderado por Mao Tsé-Tung (1893-1976), proclamou a República Popular da China, em primeiro de outubro de 1949. Em dezembro de 1949, Chiang Kai-shek e o que restava de seu governo refugiaram-se na ilha de Formosa, onde instalaram a China Nacionalista (Taiwan).
O PCC conseguiu unificar a China, mas implementou uma série de políticas que foram um desastre em termos econômicos e sociais. O Grande Salto para Frente – programa lançado entre 1958 e 1960 – visava transformar a China de um país agrário e atrasado em um país industrial, avançado e verdadeiramente socialista. Mas o resultado foi uma catástrofe que deixou o país mais pobre e provocou a morte de cerca de 30 milhões de pessoas. Na década de 1960, foi lançada a Revolução Cultural que gerou um caos no país e deixou a China ainda mais pobre e isolada no mundo (especialmente depois que se afastaram da URSS).
O quadro começou a mudar quando o presidente dos EUA, Richard Nixon, se encontrou com o líder chinês, Mao Tsé-Tung, em fevereiro de 1972, formando uma aliança que isolou a URSS e passou a reconfigurar a ordem mundial. Mas a China viveu um momento de turbulência após a morte de Mao, em 1976, e a Ascenção da chamada “Gang dos Quatro” (que incluía a viúva de Mao).
Mas o quadro só começou a mudar de fato quando Deng Xiaoping conseguiu implementar as reformas, de dezembro de 1978, que reconfiguraram o papel da China e possibilitaram a maior transformação já ocorrida em um país em um prazo tão curto de tempo. Em dezembro de 2018, os chineses comemoram os 40 anos das reformas e 40 anos de crescimento econômico que possibilitaram a retirada de mais de 1 bilhão de chineses da pobreza e transforam o país na maior economia do mundo (em poder de paridade de compra – ppp). Do ponto de vista do desenvolvimento econômico a China é o maior caso de sucesso (mas não do ponto de vista ambiental), o que só foi possível com as reformas de 1978.
Quando o círculo interno do Partido Comunista da China endossou uma nova direção para o país em dezembro de 1978, poucos teriam imaginado as imensas mudanças que seriam desencadeadas. O esforço de Deng Xiaoping por “reforma e abertura” lançou a ascensão da China dos destroços da Revolução Cultural à primeira economia (medida em ppp) do mundo. Em 29 de janeiro de 1979, a bandeira vermelha da China foi hasteada na Casa Branca, quando o presidente dos EUA, Jimmy Carter, recebeu Deng Xiaoping, o primeiro líder chinês a visitar os EUA desde a Revolução comunista de 1949. Essa visita simbolizou o fim do que Deng, então com 74 anos, descreveu como “período de desagrado entre nós por 30 anos”, mas também inaugurou uma nova era na geopolítica global.
Em Washington, Deng e Carter assinaram acordos trocando o reconhecimento diplomático dos Estados Unidos da República da China, em Taipei, para a República Popular da China, em Pequim. Deng também estava interessado em aprender com os EUA sobre formas de modernizar a China, fazendo paradas na Coca-Cola em Atlanta, Boeing em Seattle e Johnson Space Center da NASA no Texas. Estes eventos sinalizaram o fim do isolamento da China em relação ao mundo, bem como a determinação de Pequim de abrir suas portas ao Ocidente capitalista e uma aliança preferencial com os EUA.
O jornal South China Morning Post (SCMP, 12/11/2018) pergunta: “Foi a China que mudou o mundo ou o mundo mudou a China?”
Não há dúvida de que desde que Deng lançou a política de abertura em 1978, a China transformou-se de uma economia agrária, atrasada e politicamente isolada, na maior potência e candidata a liderar a economia do mundo, sendo um ator fundamental da governança global. Por exemplo, nos 30 anos de 1949 a 1978, apenas 200 mil chineses viajaram para o exterior. Contudo, somente em 2017, eles fizeram 130,5 milhões de viagens no exterior, enquanto estrangeiros fizeram 139 milhões de visitas à China. As estatísticas falam muito sobre como a China precisa do mundo e vice-versa (SCMP, 12/11/2018).
Com o objetivo de reconstruir a economia das ruínas da falência de três décadas de governo radical e ineficiente de Mao Tsé-Tung, Deng inaugurou uma nova diplomacia chinesa para se adequar à agenda doméstica de desenvolvimento econômico do país. Ele observou que a paz e o desenvolvimento eram os dois temas principais do mundo, substituindo a doutrina revolucionária da diplomacia de “Três Mundos” de Mao. A máxima de Mao era alinhar-se com as nações em desenvolvimento do “Terceiro Mundo”, unir as potências em desenvolvimento do “Segundo Mundo” e se opor às duas superpotências: o imperialismo americano e o imperialismo da União Soviética (URSS). Na verdade as relações entre China e URSS vinham se deteriorando ao longo do tempo.
Então, a política externa chinesa tornou-se mais ativa, pragmática e flexível, com esforços concentrados na melhoria das relações com o Ocidente e especialmente com os EUA. Além da visita de Deng aos EUA em 1979, o novo líder chinês fez uma viagem ao Japão – na época a segunda maior economia do mundo capitalista – para declarar a promulgação do Tratado de Paz e Amizade China-Japão com o primeiro-ministro japonês Takeo Fukuda; e também uma visita a Cingapura (de Lee Kuan Yew), na qual ele copiou as sementes para a replicação do modelo de Cingapura no desenvolvimento futuro da China.
Deng também melhorou as relações com outras potências ocidentais e as economias emergentes vizinhas – como os quatro tigres da Ásia: Coréia do Sul, Cingapura e as comunidades chinesas de Hong Kong e Taiwan. Deng sugeriu que toda a política externa deve servir primeiro ao desenvolvimento econômico da China. Desde então, todas as administrações – de Hu Yaobang, Zhao Ziyang, Jiang Zemin e Hu Jintao – seguiram sua diplomacia pragmática.
No entanto, a década de relação cordial com o Ocidente sofreu um severo revés após a sangrenta repressão militar de Pequim contra o movimento nacional pró-democracia em 4 de junho de 1989. O caráter autoritário do regime ficou às claras. No entanto, Deng logo reafirmou o compromisso de Pequim com as reformas de mercado e a política de abertura em um plenário do partido no final de junho de 1989.
Outro choque aconteceu com o colapso mundial do socialismo e do bloco soviético no início da década de 1990, o que mudou drasticamente a geopolítica global ao deixar a China como o último grande Estado governado pelo Partido Comunista. Com o fim da URSS, a China deixou de ser tão estratégica para o mundo capitalista. Ao mesmo tempo, Deng Xiaoping se negou a liderar uma coalisão das esquerdas mundiais. Internamente, ele também tentou despolitizar a diplomacia chinesa ao manter a política interna com seu famoso ditado de “não debater” as questões ideológicas, reafirmando o pragmatismo (“Não importa a cor do gato, desde que cace os ratos”).
Desta forma, Pequim ajustou sua diplomacia pós-Guerra Fria por meio de esforços para desenvolver relações com todas as nações, do Ocidente, com países do antigo bloco soviético, vizinhos, países da América Latina e da África, visando se fortalecer economicamente.
Contudo, os EUA e outras nações ocidentais passaram a dar mais ênfase nas questões políticas em suas relações com a China. Washington tornou os direitos humanos uma condição prévia para garantir o status comercial da “nação mais favorecida” da China, que se tornou uma questão anual de debate no Congresso dos Estados Unidos na década de 1990. O governo americano aprovou a viagem do presidente taiwanês Lee Teng-hui aos EUA em 1995 – a primeira visita de um líder taiwanês desde o fim dos laços diplomáticos em 1979. O presidente dos EUA Bill Clinton despachou porta-aviões para atravessar o estreito de Taiwan e proteger a ilha.
Por outro lado, o colapso da União Soviética ajudou a reduzir as tensões ao longo das fronteiras do norte da China e provocou uma retomada da amizade entre os antigos irmãos socialistas. Pequim e Moscou assinaram uma declaração de restauração de laços em 2001. Foram retomadas as relações de amizade com vários países do antigo bloco soviético. Assim, na era do pós-guerra fria, as tensões nas fronteiras da China – como conflitos fronteiriços com o Vietnã e a Índia, a guerra civil no Afeganistão – com envolvimento soviético – e o confronto entre as duas Coreias foram substancialmente reduzidos. A China melhorou as relações com todas as nações vizinhas, restaurou laços diplomáticos com a Indonésia e estabeleceu relações diplomáticas com todas as outras nações asiáticas. A China até estabeleceu relações diplomáticas com Israel, um inimigo histórico dos amigos árabes da China no Oriente Médio. As relações da China com a Europa foram ainda mais tranquilas do que aquelas com os EUA e o Japão.
Na era pós-Deng, desde 1997, Jiang Zemin e Hu Jintao continuaram a diplomacia “discreta” e pragmática. A China ganhou reconhecimento internacional por seu papel positivo na crise financeira asiática de 1997, ao mobilizar recursos para apoiar as economias asiáticas sitiadas. Pequim também usou os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 como uma oportunidade para melhorar as relações com os EUA. Jiang, o presidente chinês na época, foi rápido em expressar solidariedade aos Estados Unidos e em denunciar “todas as atividades violentas pelo terrorismo”. A China apoiou o apelo de Washington para cooperação internacional e ação conjunta, incluindo a adoção de resoluções do Conselho de Segurança da ONU condenando os ataques. A preocupação de Washington com o terrorismo após o 11 de setembro e a necessidade de cooperação de Pequim deram à China uma pausa prolongada.
A admissão da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, foi um evento fundamental para o desenvolvimento chinês e só foi possível com o endosso dos EUA. Quando Deng lançou suas reformas econômicas, em 1978, a economia chinesa tinha apenas 5% do tamanho dos EUA, com um produto interno bruto per capita praticamente igual ao da Zâmbia. Desde então, a China experimentou um crescimento médio do PIB de cerca de 10% ao ano até 2014, elevando o PIB per capita quase 50 vezes.
Em 2009, a China se tornou o maior contribuinte para o crescimento econômico global e superou a Alemanha como o maior exportador do mundo em 2010. Em 2011, superou o Japão como a segunda maior economia do mundo. Tornou-se a nação mais rica do mundo em termos de reservas estrangeiras, com cerca de US$ 3 trilhões. Sua participação na economia mundial cresceu de apenas 1,8% em 1978 para impressionantes 18,2% em 2017 (SCMP, 12/11/2018).
Desta forma, a China deixou de ser apenas uma economia emergente e retornou ao seu status de grande potência econômica global, que representou quase 30% da economia mundial nos séculos XV e XVI. A diplomacia pragmática de Deng desempenhou um papel crucial no desenvolvimento da China. Seu boom econômico de quatro décadas de duração foi construído em sua adoção do capitalismo global, à medida que as empresas multinacionais transferiram suas linhas de produção para o país asiático, tornando a China “a fábrica do mundo”.
Mas depois de décadas de alto crescimento e uma influência crescente no mundo, a política externa e o comportamento diplomático da China passaram por uma tremenda transformação sob Xi Jinping, que foi eleito secretário geral do Partido Comunista no final de 2012 e se tornou presidente em março de 2013. Nenhum líder chinês, antigo ou contemporâneo, tem sido tão ativo quanto Xi na diplomacia. Com seu ambicioso “sonho chinês” de estratégia “Renascimento Nacional”, substituindo a “diplomacia discreta” de Deng, a China tem sido mais pró-ativa e confiante no cenário mundial, com uma política militar e de segurança cada vez mais assertiva.
Durante seu primeiro mandato de cinco anos, Xi atraiu muitos líderes estrangeiros para a China e recebeu cinco grandes cúpulas mundiais. E nenhum líder chinês fez mais viagens em tão pouco tempo: em seu primeiro mandato, Xi fez 28 viagens ao exterior que o levaram a 56 países nos cinco continentes. Além disso, nunca antes a China teve um impacto tão profundo no desenvolvimento econômico global, com as iniciativas Banco de Investimento Asiático em Infraestrutura (AIIB, na sigla em inglês), o Fundo da Rota da Seda, o Novo Banco de Desenvolvimento, também conhecido como Banco de Desenvolvimento do BRICS, além dos investimentos em projetos produtivos e infraestrutura em 112 países, fazendo parte da Iniciativa Um Cinturão, Uma Rota, conforme mostrou artigo do NYT (18/11/2018)
A China continua tendo grandes superávits comerciais com o resto do mundo (o superávit comercial com os EUA pode atingir US$ 400 bilhões em 2018) e com este dinheiro consegue financiar sua expansão global e avança na produção de bens e serviços de alto valor agregado. Os líderes de Pequim dizem abertamente que quem deixar para trás sua reputação de fornecedora de sapatos, roupas e brinquedos baratos. E querem passar de país de mão-de-obra de baixo custo a um país de engenheiros e cientistas, deixando de ser a fábrica do mundo para ser o centro tecnológico do mundo. Para fugir das tarifas alfandegárias, várias empresas chinesas estão mudando para o sudeste asiático (Vietnã, etc.) e para a África (Etiópia, Djibouti etc.). Por outro lado, hoje em dia, a China é o país que mais forma doutores universitários e tem um plano para ser líder tecnológico, inclusive no campo da Inteligência Artificial: “Made in China 2025”.
O salto da China é tão intenso e impressionante que se fossem vivos, Mao Tsé-Tung ficaria de queixo caído e Deng Xiaoping não acreditaria no sucesso tão ostentoso de suas reformas. Mas é claro que todas estas realizações chinesas assustam o resto do mundo e, em especial, os Estados Unidos. A dita excepcionalidade americana não consegue aceitar uma China excepcional e caminhando para ser a grande potência mundial do século XXI. Por conta do avanço irrefreável da máquina de produção e expansão chinesa os demais países reagem com inveja, com dúvida e com medo.
Na reunião do G20 na Argentina, Trump e Xi concordaram com uma trégua de 90 dias na guerra comercial (mas enquanto os dois países sentavam para conversar, a executiva Meng Wanzhou da gigante das telecomunicações Huawei era presa no Canadá a pedido dos EUA). Os sinais indicam que dificilmente chegarão a um acordo que coloque fim aos desequilíbrios próprios de uma situação de potência ascendente (China) e de potência descendente (EUA).
Não será fácil assimilar esta nova realidade da dinâmica econômica e política ocasionada pela maior presença do gigante oriental, que retoma a proporção do peso global que teve no passado e ressurge com uma força ainda maior, promovendo a “Orientalização” em substituição à hegemonia da “Ocidentalização”. Na reunião do G20, na Argentina, um fato pouco destacado no Ocidente, foi a reunião entre líderes Xi Jinping, Vladimir Putin e Narendra Modi para impulsionar a cooperação do “triângulo estratégico” que está reconfigurando a correlação de forças na Eurásia e buscando ser uma alternativa à governança global, como mostra a agência estatal chinesa Xinhua. O protagonismo dessa reunião trilateral foi bem mais importante que a reunião do grupo BRICS, que fez uma reunião protocolar com as presenças coadjuvantes de Michel Temer do Brasil e de Cyril Ramaphosa da África do Sul. O BRICS se apequenou e o RIC se agigantou.
Reunião - China, Rússia e Índia

Na década de 1940, o historiador britânico Arnold J. Toynbee considerou que os Estados Unidos e a União Soviética permaneceriam como as duas únicas grandes potências do mundo. Nem a China e a Índia – com suas “antigas civilizações” e “vastas populações, territórios e recursos” – seriam capazes de “exercer sua força latente” nas décadas seguintes. Mas nem mesmo Toynbee conseguiu prever a formação do “triângulo estratégico” formado por China, Rússia e Índia.
No momento atual, existem muitos desafios a serem enfrentados. No ano de 2019, a China comemora os 100 anos dos protestos estudantis de Pequim, quando os universitários protestavam contra o Tratado de Versalhes, que concedeu antigos territórios alemães na região aos japoneses. Este movimento contou com estudantes como Chou En-Lai e Mao Tsé-Tung e foram fundamentais para a criação do PCC, em 1921. Ano que vem se comemora também os 70 anos da Revolução Comunista de 1949. E, não menos controverso, os 30 anos dos protestos da Praça da Paz Celestial (Tian’anmen), em 1989, quando a juventude se mobilizou contra o autoritarismo do regime comunista da República Popular da China.
Muita coisa aconteceu na China no último século. O país cresceu e ganhou muitas amizades no tempo da “diplomacia discreta” recomendada por Deng Xiaoping, embora, para os vizinhos e o resto do mundo, o “Império do Meio” deixou de ser o “Panda simpático” para ser o “Dragão ameaçador”. A política mercantilista chinesa, com seus imensos superávits comerciais, tem gerado atritos com o resto do mundo, especialmente com os EUA (inclusive provocando instabilidade nas bolsas de valores). A China está deixando de ser coadjuvante do teatro internacional para se tornar protagonista.
A prisão da executiva Meng Wanzhou, chefe de operações financeiras da Huawei, gigante de telecomunicações e com fortes relações com as forças armadas chinesas, é mais um capítulo da guerra comercial e que atinge uma área estratégia, pois se trata da disputa pela liderança da implantação da infraestrutura para a rede de internet móvel 5G, a Internet das coisas (IoT), Inteligência Artificial, etc. Wanzhou é filha do fundador da companhia e também vice-presidente do conselho consultivo da empresa. A Huawei informou que tem pouca informação sobre as acusações e “não tem conhecimento sobre nenhuma infração cometida por Meng Wanzhou”. A China exigiu a libertação da executiva, alegando que a prisão foi possivelmente “uma violação de direitos humanos”. A China também ameaça retaliar o Canada. Os 90 dias de trégua na guerra comercial está posta em dúvida e a instabilidade econômica aumentou globalmente.
Para Karishma Vaswani, correspondente da BBC Asia Business: “É difícil exagerar o simbolismo e significado desse evento. A Huawei é a joia da coroa da tecnologia chinesa e a Sra. Meng é efetivamente sua princesa. Mesmo que ainda não esteja claro quais são as acusações contra ela, isso não é simplesmente um caso sobre a prisão de uma mulher, ou apenas uma empresa. Essa prisão poderia prejudicar materialmente a relação entre os EUA e a China, possivelmente um dos momentos mais sensíveis entre os dois países em sua longa e tórrida história. As luvas estão arriadas. As coisas tomaram um rumo dramático para o pior” (06/12?2018). Como mostrou artigo de Julia Horowitz (CNN, 09/12/2018), o mundo está entrando em uma nova Guerra Fria (e que pode virar uma Guerra Quente).
O fato é que, no todo, a China tende a fazer um divórcio da relação privilegiada que tinha com os EUA, desde a histórica visita de Richard Nixon e já busca um novo casamento de interesses com a Rússia e a Índia. Com as reformas de Deng Xiaoping a China se aliou aos EUA (época da união econômica dos dois países, conhecida como Chimérica) para alcançar o padrão do Ocidente (enquanto a URSS era derrotada e saia de cena). Já na nova Era de Xi Jinping a China se desacopla dos EUA e se prepara para ultrapassar o Ocidente, disputando a liderança econômica, tecnológica e científica. O professor Graham Allison considera que as duas potências estão “destinadas à guerra”.
Uma China como potência assertiva, dominante e autoconfiante (além de pouco democrática) é a nova realidade das relações internacionais. Os próximos 40 anos serão de maior influência chinesa e Oriental. E tudo isto está ocorrendo às claras. Só não abre o olho quem não quer ver a nova reconfiguração global e os desafios que estão colocados à frente.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

Referências:
Cary Huang. Over 40 years of diplomatic drama, a rising China opens up to, and transforms, the world, SCMP, 12/11/2018 https://www.scmp.com/news/china/diplomacy/article/2172540/over-40-years-diplomatic-drama-rising-china-opens-and?fbclid=IwAR2baFLiFzduVvfAVQ-5tqqu4_RCKVeXcDit0eVbDNNCx4EgguTso38Alo4
Derek Watkins, K.K. Rebecca Lai and Keith Bradsher, The World, Built by China, Nov. 18, 2018
PEH SHING HUEI. Friendly Panda, fiery Dragon: how China and ASEAN fell in (and out) of love, SCMP, 01/12/2018 https://www.scmp.com/week-asia/geopolitics/article/2175872/friendly-panda-fiery-dragon-how-china-and-asean-fell-and-out
Julia Horowitz. Huawei arrest: This is what the start of a tech Cold War looks like, CNN, 09/12/2018https://edition.cnn.com/2018/12/08/tech/huawei-cfo-tech-cold-war/index.html
ALVES, JED, A China continua tendo superávits recordes a despeito da guerra comercial de Trump, Ecodebate, 22/10/2018
ALVES, JED. China, nova potência mundial Contradições e lógicas que vêm transformando o país. Revista do Instituto Humanitas Unisinos (IHU), China, nova potência mundial: Contradições e lógicas que vêm transformando o país. São Leopoldo, Nº 528, Ano XVIII, 17/9/2018
ALVES, JED. A ascensão da China, a disputa pela Eurásia e a Armadilha de Tucídides. Entrevista especial com José Eustáquio Diniz Alves, IHU, Patricia Fachin, 21 Junho 2018
ALVES, JED. O show de Xi Jinping na APEC e a reunião do G-20 na Argentina, Ecodebate, 28/11/2018https://www.ecodebate.com.br/2018/11/28/o-show-de-xi-jinping-na-apec-e-a-reuniao-do-g-20-na-argentina-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
ALVES, JED. Brasil: uma potência submergente, Colabora, 05/12/2018

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 10/12/2018