Senador Cristovam Buarque questiona futuro dos movimentos anticorrupção

[Foto: senador Cristovam Buarque (PDT-DF)]
Ao analisar os protestos contra a corrupção realizados durante as comemorações do Dia da Independência, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) elogiou a iniciativa da população e questionou a legitimidade da atuação dos políticos brasileiros - principal alvo das manifestações. Mas também questionou o futuro desses movimentos de protesto, defendendo a importância do Congresso na discussão de temas de "longo prazo".
- Um movimento espontâneo como esse tem bandeiras imediatas, urgentes e necessárias. Mas para onde ele vai? Não vai. Ele faz, mas não vai, porque tem um limite - declarou Cristovam nesta sexta-feira (9), ao discursar em Plenário.
O senador afirmou que sem o Congresso, "por pior que ele seja", e sem seus representantes, a população tende a discutir apenas temas mais imediatos. E acrescentou que, sem essa instituição, desaparece a capacidade de reflexão, de análise e de formulação de leis destinadas ao longo prazo - atividades que estão entre as principais funções do Congresso.
- E aí desaparece a capacidade de refletir, de analisar, de formular leis que olhem para o futuro. É preciso o filtro do Congresso para pensar o longo prazo - argumentou.
Ao reiterar que a luta contra a corrupção é necessária, mas insuficiente, Cristovam frisou a necessidade de combater formas de corrupção que ele classificou como "invisíveis", como o analfabetismo. Para o senador, o adulto que não sabe ler está sendo, de certa forma, roubado.
Autocrítica
Por outro lado, Cristovam comparou as manifestações de 7 de Setembro com as realizadas durante a campanha pelas eleições diretas, em 1984. E observou que, naquela época, ainda sob a ditadura, "qualquer político que participasse das manifestações pelasDiretas Já era tratado como herói, enquanto a população que fez os protestos agora não quer os políticos com ela".
- Se nós, que fomos eleitos pelo povo, não somos bem-vindos em uma festa do povo, então nós estamos errados, e não o povo. Temos de refletir - alertou.
Agência Senado

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