Recorde na demanda de alimentos ameaça abastecimento de água mundial


Essa é uma das conclusões do Relatório de Desenvolvimento da Água Mundial das Nações Unidas, lançado no Fórum Mundial da Água que ocorre até o dia 17 em Marselha, França.
Foto: FAO
Camila Viegas-Lee, da Rádio ONU em Nova York.*
A mudança climática, a rápida urbanização e o maior crescimento jamais registrado na demanda de alimentos estão ameaçando o abastecimento de água no mundo. Essa é uma das conclusões do Relatório de Desenvolvimento da Água Mundial das Nações Unidas, lançado no Fórum Mundial da Água que ocorre até o dia 17 de março em Marselha, França.
O relatório diz que é necessária uma abordagem radicalmente nova para a gestão da água para poder sustentar os níveis de consumo do futuro. Os autores do relatório estimam que haverá um aumento de 70% da demanda por alimentos no ano de 2050 – o que deve aumentar em 19% o consumo de água para a agricultura. Hoje 70% de água já está sendo usada para fins agrícolas.
Futuro Incerto
Irina Bokova, diretora-geral das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco, afirma que a água não está sendo usado de forma sustentável. Para ela, a falta de informação e uma gestão fragmentada aumenta os riscos e torna o futuro cada vez mais incerto.
Um dos problemas apontados pelo relatório é o aumento da extração de água de fontes subterrâneas que não podem ser reabastecidas. A extração triplicou nos últimos 50 anos.
Além disso, a mudança climática altera os padrões de chuvas e de umidade do solo, derrete as geleiras e causa desastres como inundações e secas – o que tem conseqüências diretas na produção de alimentos. O relatório estima que em 2070, esse impacto vai afetar 44 milhões de pessoas no mundo.
Medidas Drásticas
O Presidente da ONU-Água, Michel Jarraud, diz que “uma resposta coletiva por toda a comunidade internacional” é necessária para resolver o problema. Para ele, sem medidas drásticas tomadas agora, a falta de água vai agravar disparidades econômicas atingindo particularmente os pobres.
O relatório mostra ainda que apesar do aumento do consumo ser previsível, há cerca de um bilhão de pessoas sem acesso a água potável. Este número está crescendo nas cidades. Segundo o documento, a infra-estrutura para saneamento também não está acompanhando o ritmo do crescimento da população urbana do mundo e mais de 80% da água jogada fora não é coletada nem tratada.

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