Troca de votos por água é preocupante no semiárido


Com cerca de 22 milhões de habitantes, o semiárido brasileiro sofre com a pior seca dos últimos 30 anos. Formada por dez estados, todo o Nordeste mais uma parte de Minas Gerais, a região tem que enfrentar também o fantasma da chamada “indústria da seca”. Essa é uma prática em que políticos locais se aproveitam da situação emergencial da população para compra ou troca de votos por água, alimentos e outros bens.

O coordenador executivo da Articulação do Semiárido (ASA) no Piauí, Carlos Humberto Campos, conta como essa prática de “coronelismo” ocorre em seu estado, que possui cerca de um milhão de atingidos pela seca.

“A gente já comprovou em várias comunidades pessoas que estão sendo procuradas para acessarem a água, com aquela história de que precisa do número de título de eleitor. São candidatos que na região vão com o carro disfarçadamente com o nome [do candidato], com o santinho, para ser entregue junto com a água.”

Este ano, 10 milhões de pessoas estão sendo afetadas pela seca no semiárido. Uma campanha junto a essa população é promovida pela ASA, em parceria com o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil, com o slogan “Não troque seu voto por água. Água é direito seu”, como explica Campos.

“Nós estamos confeccionando panfletos e cartazes, e vamos distribuir em todo o semiárido, com os telefones do Ministério Público e dos Comitês de Ficha Limpa, para que as comunidades possam denunciar as possíveis práticas de troca de voto por água. E que a gente possa acionar na Justiça as pessoas que aproveitam desse momento para tirar proveito próprio.”

De São Paulo, da Radioagência NP, Vivian Fernandes.

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