Geraldo: “Decreto de calamidade na saúde serviu para renovar contrato sem licitação”


O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte, Geraldo Ferreira, afirmou que o decreto de calamidade pública, lançado pelo governo Rosalba Ciarlini em 4 de julho deste ano, serviu apenas para justificar a renovação de contratos sem licitação e com suspeita de corrupção, a exemplo do celebrado com a associação Marca, para a administração do Hospital de Mossoró. A associação Marca, lembrou o dirigente sindical, está no epicentro do esquema de corrupção identificado pelo Ministério Público na Prefeitura de Natal.
Geraldo Ferreira chamou a atenção para o fato de o contrato da Marca com o hospital de Mossoró ter sido celebrado às vésperas das eleições municipais deste ano. “O governo usou a calamidade pública apenas para renovar contratos terceirizados, contratos que, inclusive, estão sob investigação”, afirmou. “O contrato de Mossoró, com a Marca, que foi usado no período pré-eleitoral da campanha de Mossoró, inclusive foi renovado perto das eleições, é a mesma empresa acusada de corrupção fortíssima em Natal, com prisões, com coisas terríveis que foram investigadas e estão aí causando danos e causaram danos terríveis à população. E no RN – o decreto de calamidade – serviu para fazer o contrato e renovar o contrato sem licitação”, afirmou, em entrevista esta manhã ao “Jornal da Cidade”, da FM 94.
Ainda no contato com a emissora, o dirigente sindical dos médicos do Rio Grande do Norte classificou como “de um amadorismo tremendo” o estilo de governar da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), que seria, na sua visão, responsável por uma “prática política ultrapassada, autoritária e provinciana, fruto dos partidos mais retrógrados e autoritários que nós tivemos ao longo da história brasileira”, afirmou, classificando como “lamentável” a iniciativa do governo de considerar a greve dos médicos ilegal.
MICARLIZAÇÃO
Ao falar sobre perspectivas futuras, o líder sindical considera que a gestão Micarla de Sousa (PV) deu um grande exemplo de como a sociedade deve se comportar ao detectar que os governos estão fora de rumo. Segundo ele, para reagir a Micarla, a sociedade esperou demais. No caso do RN, os sindicatos acordaram cedo e estão reagindo. Inclusive com manifestações públicas de desacordo à política setorial de saúde do governo Rosalba.
“Na administração passada do município, a sociedade esperou demais. Todos: a sociedade, as instituições públicas, todos esperaram demais para tomarem uma providência enquanto Natal descia ladeira abaixo. O que nós estamos observando é que o RN também está descendo ladeira abaixo. Os sindicatos acordaram cedo para isso, nós já fizemos uma primeira manifestação ‘Fora Governo’ e estamos fazendo agora no dia 28 outra”.
Segundo Ferreira, enquanto havia a expectativa de negociação salarial com o governo, o sindicato mantinha o pé no freio. No entanto, a pressão dos demais sindicatos, da saúde, e de outras áreas terceirizados, como educação, está levando a categoria a realizar uma nova manifestação.
“Nós precisamos ter consciência de que, ou o governo refaz o seu caminho ou a trajetória que Natal percorreu nesses últimos quatro anos será percorrida também pelo governo do Estado, ou seja, um desastre completo. Dia 28 nós estamos nas ruas, numa grande manifestação em defesa do RN”, alertou o dirigente.
Geraldo conclui afirmando que as manifestações passadas foram em defesa de Natal, mas agora o sindicato está percebendo que o RN inteiro, todos os municípios, a certeza que se fala é uma só: “O governo está descendo ladeira abaixo, não faz nada e o Estado está desgovernado. Então é preciso fazer alguma coisa para dar um basta nisso tudo”. (AV)

Fonte: Jornal de Hoje

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