Um partido sem partido

"O povo unido não precisa de partido" - essa frase foi repetida na noite de protestos que tomou conta do Brasil nesta Segunda-feira(17). Reflexo da ideia de partido que predomina no Brasil, os caça cargos, sem ideologia e que flutuam entre o contra e o defender-s a todo custo, agora  essa ideia tem levado ao extremismo de repudiar a chegar mesmo à agressão contra partidos históricos no Brasil em defesa das lutas sociais como PSTU e PCB. O Professor e militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) Pedro Rennó declarou em uma rede social que "Não houve nenhum tipo de disponibilidade para organização prévia, e o que se viu foi o espelho do que infelizmente vem acontecendo no Brasil afora; a participação de pessoas que se julgam apartidárias, tornando o processo raso e anti-ideológico".

Em pesquisa feita pelo Data Folha 84% dos manifestantes afirmaram não ter partido de preferência, tomam como partido o ser "partido" no Brasil, então esses 84% já formam um novo partido, só basta materializar na luta o embate contra o elitismo e perceber essa diferença, precisa se tornar uma reação contra o partidarismo de ocasião, oportunista, espero que esse esclarecimento venha logo.

Esse caráter anti-ideológico dos novos movimentos deve ser encarado como uma revolta contra  a própria ingerência dos partidos e das administrações, a diferença de tratamento entre a alta burguesia e as classes mais baixas, são claros levantes que não visam a uma derrubada de regime e sim buscar talvez tornar mais funcional os principais serviços públicos. 

Lenin dizia que sem teoria revolucionária não há prática revolucionária, e mesmo sendo política essa revolta precisa de organização, senão corre o risco de tornar-se um sopro de vontade de buscar mudanças.

Em entrevista datada de 2005 o historiador Valério Arcary dizia que "do ponto de vista político, o regime eleitoral não pode ter na América Latina a estabilidade que tem no centro do sistema. Tony Blair lançou a Inglaterra na guerra do Iraque, gerou manifestações de milhões de pessoas, mas acabou reeleito. Nos países centrais, o pacto social está de pé, a distribuição da riqueza se dá em condições completamente diferente da que ocorre na América Latina, mesmo no capitalismo. Mas, aqui, não há concessões às massas". Mesmo nesses países centrais depois da crise de 2008 tornou-se comum multidões nas ruas, principalmente, sentindo a fuga dos direitos sociais, não há por que não transformar essa luta mundial em uma grande revolução da humanidade contra o capitalismo. Nunca o mundo foi tão "integralizado".


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