O Grande Irmão já chegou

“O Grande Irmão está-te observando”. Esta é uma frase famosa do romance antiutópico “1984” do escritor inglês George Orwell, que descreve um regime totalitário em que o Estado vigia todas as esferas da vida da sociedade e do indivíduo.

Evguenia Kuzmina - Voz da Rússia
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Foto: AP/Anthony Devlin, Pool
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No futuro a ficção descrita nesta obra poderá, se não totalmente, pelo menos de forma parcial, se tornar numa realidade para os cidadãos de uma série de países.
Durante uma recente videoconferência no Skype, o famoso jornalista e fundador do site Wikileaks Julian Assange expressou a possibilidade de o controle permanente dos serviços secretos sobre cada cidadão poder vir a ser uma realidade no futuro mais próximo.
Assange se tornou conhecido, nomeadamente, por suas denúncias dos crimes dos militares norte-americanos no Iraque e no Afeganistão, assim como das atividades ilegais dos serviços secretos ocidentais. O jornalista, que poderá vir a ser alvo de vários processos judiciais em simultâneo por parte de governos ocidentais, obteve asilo político na embaixada do Equador em Londres, da qual está impedido de sair. No entanto, ele continua suas investigações jornalísticas com recurso à Internet.
Durante a sua videoconferência, Assange expressou sua opinião que uma série de países ocidentais já têm preparado um projeto para estabelecer um controle permanente sobre os cidadãos desde o seu nascimento. Segundo os dados do jornalista, a base para esse controle será o DNA do cidadão. Mais tarde os códigos de DNA serão associados aos documentos de identificação, às declarações de impostos e outros documentos financeiros. Ou seja, os Estados irão monitorizar tanto as deslocações da própria pessoa, como o seu uso de meios financeiros. Assange referiu que essa situação já não é uma novidade, por exemplo, na Suécia. Esse sistema já funciona nesse país há mais de uma década.
O editor principal da revista Natsionalnaya Oborona (Defesa Nacional) Igor Korotchenko explicou à Voz da Rússia a sua opinião sobre a possibilidade disso acontecer no futuro mais próximo e em que países:
“A transição para um sistema de armazenamento de todos os dados de cada indivíduo é absolutamente inevitável em todos os países industrializados. Isso permitirá identificar uma pessoa não só através de seus parâmetros exteriores, mas também por seu DNA. Isso irá, provavelmente, ser aplicado em primeiro lugar nos países europeus e da América do Norte. Desde o seu próprio nascimento cada indivíduo irá alimentar bases de dados especializadas. Quanto à Rússia, mesmo que essa novidade nos atinja, isso será bastante mais tarde.”
Entretanto, existe também a opinião que essa novidade, se for adotada na Rússia, sê-lo-á de uma forma limitada. O governo não anuncia esse tipo de ideias e a sociedade também não parece ver nisso qualquer utilidade.
O ativista político e social russo Nikolai Starikov considera que na Rússia um sistema de controle total do Estado sobre o indivíduo é impossível:
“Eu não vejo nada de positivo numa situação em todos os dados de uma pessoa são recolhidos, o DNA registrado e tudo isso descarregado para chips. Se o Ocidente quer evoluir nesse sentido, isso não significa que nós tenhamos de copiar cegamente essa experiência. Essa situação é possível quando os indivíduos não confiam no Estado e o Estado não confia nos indivíduos. Se o prestígio das autoridades é elevado, nem são necessários quaisquer métodos de vigilância adicionais.”
No entanto, é completamente possível que a curto prazo esse sistema seja introduzido na Europa e na América do Norte. A vida de cada cidadão será completamente transparente. Por um lado, depois disso a polícia e os serviços secretos terão seu trabalho facilitado e, sem dúvida, será possível prevenir um certo número de crimes com recurso ao novo sistema.
Por outro lado, ainda não há garantias contra o uso abusivo desse sistema depois da sua introdução. Afinal, se as previsões de Assange estiverem corretas, os habitantes da Europa e da América do Norte, pelo menos, irão viver numa situação de vigilância total e isso será a um nível oficial.

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